SpokFrevo Orquestra faz show de lançamento do álbum Frevo Sanfonado no Recife
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Foto: Beto Figueiroa |
Em
êxito exponencial desde o disco Ninho
de Vespa (2013), o segundo registro
de estúdio, colecionando uma gama de participações e concertos com
prestigiosa visibilidade internacional — Jazz at Lincoln Center de
NY e Berklee College of Music, nos EUA (outubro/2014), Do
Frevo ao Jazz com o trompetista
Wynton Marsalis no Parque Dona Lindu (abril/2015), Rock in Rio USA em
Las Vegas (maio/2015) e turnê europeia pela Itália, Holanda e
França (julho/2015) — a SpokFrevo Orquestra entra em nova fase,
mais madura e inovadora.
Há
dois anos sob o patrocínio do Petrobras Cultural, que viabiliza uma
circulação em território nacional e um novo álbum, o conjunto de
17 integrantes avança ainda mais sobre a experimentação e o
universo da música popular com tonalidades eruditas e audição
acurada neste novo trabalho. No álbum, que acaba de sair do forno,
renova-se mais uma vez o frevo, gênero musical e de dança nascido
no Recife há mais de cem anos sob a tradição dos antigos
carnavais.
Frevo
Sanfonado, terceiro disco do grupo
liderado pelo saxofonista, arranjador e diretor musical Inaldo
Cavalcante de Albuquerque, conhecido popularmente como maestro Spok,
transporta o som da orquestra de metais (saxofones, trompetes e
trombones), percussão, baixo e violão para outro lugar totalmente
inédito: o diálogo harmônico e melódico com o acordeão, a
sanfona ou a gaita-ponto — instrumentos de fole com nomes distintos
mas mesma natureza e extremamente populares no Brasil, sobretudo no
Nordeste.
Fruto
de contribuições, em sua maioria, de sanfoneiros e acordeonistas
que compuseram frevos inspirados pelo trabalho da SpokFrevo, o álbum
Frevo Sanfonado
imprime uma nova coloratura na verve jazzística do grupo. Em 11 anos
de carreira, desde o álbum de estreia Passo
de Anjo, a big
band de jazz-frevo vem recriando o
gênero em profundo contato com a música instrumental contemporânea,
estabelecendo um elo entre o passado e o futuro.
“O
disco confere uma nova roupagem à sonoridade da SpokFrevo e ao frevo
ao utilizar um instrumento profundamente nordestino e fortemente
pernambucano, que é a sanfona. Nele, os sanfoneiros e acordeonistas
executam frevos compostos por eles mesmos”, explica o maestro Spok,
pesquisador nato do frevo e entusiasta da preservação da cultura
pernambucana em conexão com a contemporaneidade, porém sem
abandonar o espírito da música em suas mais remotas origens.
Prova
disso é que Frevo Sanfonado
confere uma linguagem nova para o frevo a partir da sanfona, atrelada
a arranjos dos próprios compositores, base sobre a qual a harmonia
dos metais da SpokFrevo se sobrepõe. Cada sanfoneiro atua também
como solista, casando improvisações jazzísticas junto com os
instrumentistas da orquestra. “Muitos sanfoneiros, a exemplo de
Dominguinhos, Sivuca e muitos outros, já improvisavam há muito
tempo. Trata-se de um disco de frevo executado e improvisado por
instrumentos, entre eles a sanfona, um elemento novo para o frevo”,
justifica Spok.
E
o disco se notabiliza por colaborações brilhantes e promissoras,
oriundas de diferentes gerações e regiões do Brasil. O pianista,
acordeonista, compositor e arranjador carioca Vitor Gonçalves, que
atualmente mora em Nova York e já tocou com Hermeto Pascoal e Maria
Bethânia, compôs “De Cazadeiro ao Recife”, um frevo de arranjo
sinfônico e suave que se encorpa à medida que ganha movimentos e
modulações. O acordeonista gaúcho Renato Borghetti, um dos
proeminentes compositores da música instrumental brasileira, e
também folclorista e artista plástico, participa como solista e
compositor na faixa “Frevaricação”.
Talentos
pernambucanos e nordestinos marcam participação maciça em Frevo
Sanfonado. Saudoso sanfoneiro
pernambucano, o mestre Camarão, falecido em abril deste ano, figura
com uma contribuição póstuma, na música “Sandro no Frevo”. Em
função de seu falecimento dias antes da produção desse frevo
inédito, o carioca Rafael Meninão, atual sanfoneiro de Elba
Ramalho, e o potiguar Lulinha Alencar substituem-no, de forma
virtuosa, na tarefa de solistas.
“Sax
Sanfona”, com o experiente sanfoneiro Gennaro que participa em solo
junto com Spok; “Saudade do Seu Domingo”, um frevo em diálogo
sugestivo com o baião e o xote, composto por Beto Hortis; e “Frevo
Pra Ela”, do jovem cearense Nonato Lima, que tocou com Liv Moraes,
filha de Dominguinhos, fecham algumas faixas do disco, feito quase
inteiramente de frevos novos. Uma das exceções é o frevo clássico
“Gostosão”, do maestro Nelson Ferreira (1902-1976), considerado
pelo maestro Vicenti Fittipaldi um dos melhores frevos de rua
pernambucanos ao lado de “Evocação”. A composição de Nelson
Ferreira ganhou arranjos de Spok e solo de Waldonys, famoso
sanfoneiro e piloto de avião cearense, e de Niraldo, trompetista da
SpokFrevo Orquestra.
Turnê
– O show do Frevo Sanfonado já esteve em cinco apresentações no
estado de São Paulo, além de passar por cidades como Maringá (PR),
Porto Alegre (RS), Barbacena (MG) e Belo Horizonte (MG). Após as
duas noites que serão realizadas no Teatro Luiz Mendonça, no
Recife, a big band chegará ainda este ano a Curitiba (PR),
Florianópolis (SC), Aracaju (SE), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ)
e João Pessoa (PB).
SERVIÇO
Show
de lançamento do álbum Frevo Sanfonado
Quando:
18
e 19 de março, às 21h e 20h, respectivamente
Onde:
Teatro
Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu, Boa Viagem)
Quando:
R$
40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Informações:
(81)
3355.9821
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