UMA ESTRELA NORDESTINA
Peço
licença aos leitores da Agenda Cultural
do Recife para dedicar este editorial dos 20 anos do nosso informativo
cultural ao mestre Ariano Suassuana, do qual fui aluno na UFPE, na cadeira de
estética. Como aplaudir uma estrela nordestina? Creio eu que a poesia de Ariano
Suassuna nos diz mais do que palavras que eu possa dizer para homenageá-lo.
Diante de
mim, as malhas amarelas
do Mundo,
onça castanha e desmedida.
No campo
rubro, a Asna azul da vida:
à cruz de
azul, o Mal desmantela.
Mas a
Prata sem sol destas moedas
pertuba a
Cruz e as Rosas mal partidas.
E a Marca
negra, esquerda, inesquecida,
corta a
Prata das folhas e fivelas.
E
enquanto o Fogo clama, à Pedra rija,
que até o
fim serei desnorteado,
que aqui
no Pardo cego desespera,
o Cavalo
castanho, na cornija,
tenta
alçar-se, nas asas, ao Sagrado,
ladrando
entre as Esfinges e a Pantera.
Caro
Mestre Ariano, agradecido pelos ensinamentos e sua delicadeza.
Manoel
Constantino
editor
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