Canto Daqui – Março 2013





Foto:Divulgação
Caapora

Por Jaciana Sobrinho

Sete rapazes, diversas influências e um desejo: fazer música. Dos encontros em atividades relacionadas à faculdade, das rodas de amigos e participações em outros projetos musicais, surgiu a banda Caapora, em 2008, formada por Celso Hartkopf (contrabaixo); Hermano Venâncio (violão, percussão, microkorg e voz); Igor Távora (violão, pífanos, flautas, percussão e voz); Marcelo Rangel (bateria); Daniel Rangel (guitarras e backing vocals); Thiago Barba Távora (mesa de som e nos efeitos) e Diogo Lopes (percussão e nos backing vocals). São eles os responsáveis por um trabalho contagiante e moderno.

Com um nome que significa “aquele que vive no mato”, o grupo constrói um som enraizado no Nordeste, enfatizado pelo pífano e pela batida do baião, presentes em boa parte das suas músicas. “Afora isso, existe toda uma carga pesada de influências diversas trazidas na bagagem de cada um. Se for procurar no imaginário musical da banda, tem de tudo: reggae, blues, metal extremo, punk, jazz, rock’n’roll, progressivo, afrobeat, funk... Enfim, todo mundo gosta de muita coisa, e tudo isso é influência pra banda”, comenta Igor Távora, multi-instrumentista e vocalista do grupo.

Ainda sobre o sentido do nome, Igor diz que é o que melhor representa a ideia do seu trabalho. “Uma banda com raízes na Amazônia, procurando sempre provocar reflexões com relação às questões ambientais. Se uma pessoa não conhece a banda e vai atrás do significado da palavra, provavelmente estará mais preparada para entender o que queremos transmitir.”

Sobre a identidade musical, o vocalista explica que é algo inerente às vivências dos músicos. “Entendemos as associações (comparações com movimento Tropicalista, Udigrudi e Manguebeat) e até desejamos que elas ocorram em determinados momentos, porém, as evidências que são percebidas, vêm de uma forma muito natural e abrangente. Todos aqui tivemos contato com frevos, forrós ou sambas em algum momento, coisas mais antigas do que esses movimentos de contracultura, coisa que parece que já está no gene de quem se criou no Nordeste.”

Participação na Expoidea, em 2010
Foto: Divulgação
Tendo participação registrada em vários eventos como o Festival Nação Cultural, Expoideia, Festival de Música de Jaboatão, Carnaval de Olinda e Arraial Tomazina, os meninos também carregam na bagagem os prêmios de melhor arranjo do Festival de Música de Jaboatão (2010), pela música Baião de veraneio, e do Festival Estudantil de Música em Pernambuco (2013), pela música Brincadeira, além de participarem da coletânea Música da Massa! – News Sounds of Pernambuco, divulgada no Japão.

A banda, que é independente, havia lançado apenas um EP e agora está finalizando a gravação do seu primeiro disco, também por iniciativa própria, outra marca do grupo. “Já produzimos várias festas, já tocamos no meio da rua sem avisar, participamos de festivais competitivos e ganhamos prêmio de melhor arranjo em dois deles, e também estamos sempre atentos aos editais. Para nós, o fator crucial e preponderante para que o indivíduo queira que sua música se torne conhecida, é a própria música. A partir daí, somente depois de ter uma proposta plausível, um material que pode ter alguma relevância positiva para o contexto em que vivemos, é que começamos a nos preocupar com a estética, a cena, a forma, a identidade e etc. Não que essas coisas não tenham importância, mas elas vêm num plano seguinte”, afirma Távora.

O novo trabalho, que contará com onze faixas, está tomando forma. Algumas músicas já são conhecidas por quem ouviu o EP ou frequentou os shows, outras são inéditas. “A maioria das composições é de minha autoria, mas tem também uma parceria minha com Caramurú (ex-integrante da banda) e outra com Hermano”, conta.

Apresentação no Festival Pernambuco Nação Cultural,
no ano passado. Foto: Divulgação.
A brincadeira de ritmos e estilos continua presente e ganha reforço. “Contamos com uma equipe da pesada no estúdio Base, o disco contará com várias participações especiais como Enok Chagas e seus comparsas na metaleira, João Nogueira, Do Jarro, Igor Capozzoli, Roberto Paiva, André Sette... Muita gente boa participa da história”, antecipa. O CD será lançado ainda neste semestre. “Se dizem por aí que nada vem sem trabalho e dedicação, estamos no caminho certo, porque trabalho e dedicação são duas coisas que têm de sobra nesse projeto”, enfatiza Igor.

Até a chegada do disco, quem não conhece a musicalidade da Caapora pode experimentar um gostinho da mistura por meio das redes sociais da banda: www.youtube.com/bandacaapora, www.facebook.com/caapora.banda e www.soundcloud.com/caapora.



Contato:

Hermano Venâncio – (81) 9744 9714

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