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terça-feira, 1 de julho de 2014

Canto Daqui

Foto: divulgação
Matalanamão: o escracho do punk rock
Formada em 1993, como mera brincadeira, num momento entusiasta da efervescência musical do bairro Alto José do Pinho, a banda Matalanamão tem raiz na vertente mais anárquica do punk rock. Composta por Adilson Ronrona (vocal), Léo Wagner (guitarra), Léo Madeira (baixo) e Ailton Peste (bateria), ficou conhecida por fazer paródias cheias de conteúdos atuais e sarcasmo que garantiam a diversão em diversas festas.

“Já nos conhecíamos. Todo mundo morava no Alto José do Pinho... Vizinhos de rua, frequentávamos os shows underground, as festas punk, aniversários e casamentos malucos. Tudo era apenas uma brincadeira, que foi crescendo e crescendo e me absorvendo...”, lembra, entre risos, Ailton Peste. Essa ideia despretensiosa que parecia apenas um passatempo de adolescentes foi tomando forma e conquistando fãs. De repente, lá se foram 21 anos de carreira.
Foto: Rafael Freitas

Influenciados musicalmente por grupos que marcaram o rock brasileiro dos anos 1980 como Os Replicantes, Camisa de Vênus, Garotos Podres, Cólera, e dos anos 1990 como Ira, Legião Urbana e Nenhum de Nós, os quatro rapazes estão sempre ligados a tudo que diz respeito ao ritmo. “Temos influências que vão do punk rock ao pop rock, passando pelo metal e chegando ao psicodélico”, diz Ailton. “Também gostamos de ouvir Dead Kennedys, The Clash, Ramones, The Smiths e Joy Division, entre outras”, completa Leo Wagner.

Foi cantando com sarcasmo as aventuras afetivas e sexuais dos jovens das periferias que o Matalanamão foi despertando a curiosidade e ointeresse do público. Até mesmo o nome da banda surgiu de uma situação engraçada envolvendo a excitação. “O grupo estava no comecinho e ainda não tinha nome. Num certo dia, uma bela garota surgiu próximo aos rapazes e Dinho (primeiro guitarrista) proferiu as palavras: Hoje vou matá-la na mão! Os caras sacaram a ideia e gostaram da palavra, pois tinha tudo a ver com as composições. Matalanamão é uma gíria utilizada para designar o ato da masturbação”, explica Leo. 


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Canto Daqui - Toinho Vanderlei: Canções para ficarem na memória



Por Jaciana Sobrinho


São quase 20 anos de carreira que somam a composição de mais de 400 músicas. A música e a poesia sempre alimentaram o viver desse artista. Participou de festivais de música importantes como o Canta Nordeste, da Rede Globo (1995 e 1996), MusiSesc Tribuna (1997), Festival da Unicap (1998), e foi atração em eventos tradicionais da capital como a Fenearte e o São João do Recife. Toinho Vanderlei circula agora com o seu mais recente trabalho O falar do meu Sertão, quarto CD da sua carreira. 


A canção que dá nome ao disco é uma parceria com o amigo Adelmário Coelho e é o fio condutor do repertório, que traz mais duas faixas compostas em dupla com amigos como Fernando Filizola, Vieira de Melo e Nido Sanfoneiro. São quatorze músicas que reforçam a riqueza do ritmo forró e que animam qualquer arrasta-pé. 


Toinho prima pela qualidade dos seus trabalhos e até faz brincadeira com seu perfeccionismo. “Sempre que gravo um disco, eu digo: esse é meu melhor CD. Mas, se eu pudesse, eu gravaria cada um novamente só para poder fazer ainda melhor”, conta entre risos. Ainda sobre o disco, o artista conta que quis retratar a variedade de ritmos que representam o Nordeste, sua gente, seus costumes.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Francisco

Por: Anax Botelho

Foto: Divulgação/Luísa Nóbrega
Ponto de convergência, um centro para onde fluem todas as vontades de experimentar e todos os experimentos da vontade. Assim se define o projeto Francisco, criado em 2013 pelos amigos Francisco Nery, Eduardo Guerra e Rafael Céu. Com o trabalho amplo e versátil, Francisco soma a sua música influências da poesia, literatura e teatro. Francisco, em sua curta história, já conquistou espaço no cenário pernambucano, vencendo a edição deste ano do Festival PréAMP, no qual garantiu a gravação de um álbum para a banda.
Originário do Recife, Francisco leva consigo a mesma pluralidade cultural presente na Cidade. Nas suas apresentações, o grupo ultrapassa as barreiras das artes e se relaciona com experiências que vão de ambiências sonoras, poesias até performances cênicas. Para concretizar essa forma de espetáculo, e proporcionar uma rica experiência para o público, Francisco tem como influências a experiência teatral de “Donka, uma carta para Tchekhov” e do grupo Fuerza Bruta, junto de bandas contemporâneas como Tame Impala, James Blake, Sigur Ros e Radiohead, além dos artistas de Pernambuco, como Alceu Valença, Chico Science, Lenine e Lula Queiroga. No universo poético, o projeto destaca os poetas Fernando Pessoa, William Blake, Rimbaud e Patativa do Assaré.
Como citou Chico Science, com a Nação Zumbi, em sua música: “Rios e pontes no coração. Pernambuco embaixo dos pés. E minha mente na imensidão”, Francisco cresce no ambiente artístico sem esquecer as origens. Nesse contexto, insere-se a produção musical pernambucana, que em toda sua história já registrou diversos ritmos e movimentos, mas sempre mantendo a identificação com o Estado. “Este ano de 2014 é um grande ano pra música pernambucana, tem muita coisa nova e interessante surgindo por aqui. Posso até citar alguns nomes de amigos que participaram da minha história: Sofia Freire, Igor de Carvalho, Elton Sarmento, Marcelo Rangel (Araçá Blu), Rahael Costa, Rafael Duarte, entre dezenas de outros que eu posso garantir serem bastante benéficos para o futuro da música e do mundo”, afirma o vocalista Francisco Nery.
Sobre os novos acontecimentos com o projeto Francisco, destaca-se a conquista PréAMP 2014, festival realizado pela Articulação Musical Pernambucana (AMP), que tem como objetivo revelar novos artistas da música pernambucana. “Sem dúvidas foi de um reconhecimento muito positivo e prazeroso para minha carreira, além de propiciar um feito bastante difícil com a música autoral, na realidade recifense, que é a gravação e prensagem de um disco com qualidade profissional. Tenho grande admiração por essa galera que trabalha no PréAMP”, finaliza o vocalista.

O projeto Francisco é composto por Rafael Céu (cordas), Arthur Fernandes (guitarra), Francisco Nery (voz e violão), Eduardo Guerra (bateria), Artur Dantas (controlador e efeitos), Karl Kingman (baixo) e
Amb Ramsés (técnico de som). O primeiro registro da banda, o EP Traga Asas, pode ser conferido no link: https://soundcloud.com/francisconery

terça-feira, 1 de abril de 2014

Eli Vieira e seu autêntico forró

Canto Daqui_Abril 2014
Foto: divulgação
Por Jaciana Sobrinho
Os símbolos do Nordeste, o cotidiano do sertanejo, as alegrias e tristezas da vida. Todas essas coisas cantadas com muito sentimento. É isso que define o mais recente trabalho do cantor e compositor Eli Vieira, Forró bom é aqui. São seis músicas autorais, sendo uma delas um playback para quem quiser soltar a voz ou aprender as cifras da música carro-chefe, que leva o nome do CD. 

Natural da cidade de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, Eli começou a soltar a voz ainda pequeno nas ruas e feira de Abreu e Lima e Paulista. Nessa época, eram as músicas de Nelson Gonçalves, Ataúlfo Alves e Noite Ilustrada que formavam o seu repertório. Eli, que também é instrumentista e toca violão, cavaquinho e triângulo, recebeu bastante influência das obras de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, o que solidificou sua veia artística e o gosto pelas tradições nordestinas, fazendo-o enveredar pelos caminhos do forró.

Em sua trajetória, que já comemora 35 anos, o artista rodou pelo Nordeste e por algumas cidades do Sudeste, levando, com sua música, as riquezas da sua terra e muitas lembranças e parcerias. “Foram momentos muito importantes e enriquecedores. A gente vai vendo diferentes realidades, vai conhecendo muita gente, vendo a grandeza da música brasileira e até fazendo boas parcerias”, lembra Eli.

Sua paixão pelo forró já foi celebrada com cinco CDs: Xote da nova era, Trio pé de serra Os Maias, Cobra Norato e Meu canto, este com participação de Nádia Maia, Maciel Melo, Alcimar Monteiro e Petrúcio Amorim. Sua carreira é marcada também pela presença nos festejos juninos das cidades da região metropolitana e interior, além de participar das comemorações do centenário de Luiz Gonzaga.

Eli é funcionário público na sua cidade e se declara movido pela música. “Ela é uma coisa maravilhosa na minha vida. Às vezes, uma determinada letra te ajuda até mesmo a resolver um problema do seu dia a dia. Uma mensagem te faz refletir melhor e você encontra a solução. Eu não consigo me desligar da música”, confessa.  Atualmente, o artista circula pelos espaços dedicados ao forró na RMR.

Sobre sua inspiração, o músico conta que não consegue explicar de onde vem. “Eu acho que o que me faz compor e cantar é a vontade de levar mensagens de paz, histórias de amor. Acho importante também mostrar a fortaleza do povo nordestino, esse dom de sorrir apesar dos problemas. São essas coisas que me inspiram”, comenta. “Eu sou um grande admirador da música brasileira, sou fã de inúmeros músicos de diversos gêneros. O que mais amo é fazer a minha música e sonho em ser sempre reconhecido por isso e por fazer um trabalho autêntico e honesto”, finaliza.

Além da poesia de suas letras, os discos de Eli são carregados de ritmos que contagiam qualquer pessoa: forró pé de serra, samba de latada e coco de roda. No seu EP Forró bom é aqui, não é diferente, a sanfona dá o tom e o arrasta-pé já pode começar. Quem quiser conhecer uma amostra do disco, pode conferir no site www.youtube.com o clip da música de trabalho. Basta procurar: Eli Vieira – Clip Oficial Forró Bom É Aqui.

Contato:
Eli Vieira – (81) 83095946
Augusto Morais – (81) 86112850


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Canto Daqui – Março 2013





Foto:Divulgação
Caapora

Por Jaciana Sobrinho

Sete rapazes, diversas influências e um desejo: fazer música. Dos encontros em atividades relacionadas à faculdade, das rodas de amigos e participações em outros projetos musicais, surgiu a banda Caapora, em 2008, formada por Celso Hartkopf (contrabaixo); Hermano Venâncio (violão, percussão, microkorg e voz); Igor Távora (violão, pífanos, flautas, percussão e voz); Marcelo Rangel (bateria); Daniel Rangel (guitarras e backing vocals); Thiago Barba Távora (mesa de som e nos efeitos) e Diogo Lopes (percussão e nos backing vocals). São eles os responsáveis por um trabalho contagiante e moderno.

Com um nome que significa “aquele que vive no mato”, o grupo constrói um som enraizado no Nordeste, enfatizado pelo pífano e pela batida do baião, presentes em boa parte das suas músicas. “Afora isso, existe toda uma carga pesada de influências diversas trazidas na bagagem de cada um. Se for procurar no imaginário musical da banda, tem de tudo: reggae, blues, metal extremo, punk, jazz, rock’n’roll, progressivo, afrobeat, funk... Enfim, todo mundo gosta de muita coisa, e tudo isso é influência pra banda”, comenta Igor Távora, multi-instrumentista e vocalista do grupo.

Ainda sobre o sentido do nome, Igor diz que é o que melhor representa a ideia do seu trabalho. “Uma banda com raízes na Amazônia, procurando sempre provocar reflexões com relação às questões ambientais. Se uma pessoa não conhece a banda e vai atrás do significado da palavra, provavelmente estará mais preparada para entender o que queremos transmitir.”

Sobre a identidade musical, o vocalista explica que é algo inerente às vivências dos músicos. “Entendemos as associações (comparações com movimento Tropicalista, Udigrudi e Manguebeat) e até desejamos que elas ocorram em determinados momentos, porém, as evidências que são percebidas, vêm de uma forma muito natural e abrangente. Todos aqui tivemos contato com frevos, forrós ou sambas em algum momento, coisas mais antigas do que esses movimentos de contracultura, coisa que parece que já está no gene de quem se criou no Nordeste.”

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Almério – um disco com alma além-homem



Foto:Breno César

Por Jaciana Sobrinho


Ele é compositor, cantor, arranjador e ator. Seu talento é nato, lapidado pela vida, pelas noites nos bares. Sua certeza de que iria ser artista surgiu ainda na infância, aos onze anos, quando ainda morava na cidade natal, Altinho (PE) – localizada a 169 km do Recife. A vida ríspida que o obrigou a trabalhar aos treze anos e a guardar seus sonhos num baú, agora lhe sorri e lhe permite gritar aos quatro ventos que se sente realizado e feliz pelo lançamento do seu primeiro CD – Almério.
Foto: Renata Torres



“Há oito anos eu já sabia de tudo que eu queria pra esse disco. O processo de gravação aconteceu em dois anos, mas o amadurecimento das ideias já havia terminado. Hoje eu sou um homem pleno de felicidade. É como se fosse um filho e ele está correndo solto pelas ruas de Caruaru, da minha cidade e começando a andar pelas ruas do Recife”, conta sorrindo.



O menino simples, que adorava ler e escrever e ouvia músicas bem diferentes das que os outros meninos da sua idade gostavam, ficou surpreso ao ouvir seus versos em forma de canção na voz da sua amiga Ana Paula Marinho. “Quando eu tinha onze anos, escrevi um poema tão simples e Ana, que já tocava violão, havia feito uma música com aquilo. Eu perguntei: eu posso fazer isso, Ana? As coisas que eu escrevo podem virar música? Ela me disse que sim, me incentivou. Daí em diante, a gente se trancou no nosso mundo musical, compôs muita coisa”, lembra Almério.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Ticuqueiros: o som da mata

Ticuqueiros já tem mais de uma década de carreira.
Foto: Ederlan Fábio
Por Jaciana Sobrinho

Nazaré da Mata é um município brasileiro da Zona da Mata do Estado de Pernambuco, com uma população de mais 30 mil habitantes. Graças ao solo fértil e propício da região, a monocultura da cana-de-açúcar se destaca como atividade econômica. Destaque também para a grande produção cultural da cidade. A Terra do Maracatu, como é conhecida, também é rica na produção de manifestações culturais como o cavalo-marinho e o coco.

Um dos frutos dessa fertilidade cultural nasceu em 2001. Formada por Marquinhos Ralph (voz, sax e pífano); João Paulo Rosa (percussão e vocal); André Arcoverde (guitarra e vocal); Fábio Miranda (percussão) e Álison Freitas  (contrabaixo), a banda Ticuqueiros é resultado do encontro desses jovens nas tradicionais Escolas de Música daquela cidade.

Com apenas um CD lançado em 2007 – Ticuqueiros: dos canaviais da Zona da Mata –, o
A capa do novo trabalho da banda traz ilustração de
Charles Silva
grupo percorreu diversos Estados brasileiros e ainda se apresentou na Espanha e em Portugal. Agora, os rapazes estão prontos e ávidos para voltar para a estrada com seu novo trabalho – Foto do mundo. Lançado em dezembro passado, o disco foi pensado nos mínimos detalhes pelos integrantes com o intuito de reforçar ainda mais o seu gosto musical e sua identidade cultural.

“Até mesmo depois de ter gravado as músicas, a gente ainda voltou ao estúdio pra acrescentar um toque de prato, uma nota que faltou... Queríamos que ficasse lindo, pois tivemos um intervalo para compor novos trabalhos, teve o amadurecimento do grupo e isso tinha que ficar evidente no CD”, afirma Marquinhos Ralph. Os ritmos que nos remetem à riqueza cultural da região da Zona da Mata pernambucana continuam presentes e as letras autorais, a maioria assinadas pelo percussionista João Paulo ou em parceria com os outros integrantes, recriam a realidade do lugar onde nasceram, e ainda vivem, por meio das expressões e dos instrumentos típicos.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

JuveNil Silva faz rock espontâneo



Foto: Caroline Bittencourt / Divulgação
Por Jaciana Sobrinho


Multi-instrumentista, compositor, cantor (e fotógrafo!), JuveNil Silva é um dos destaques da música pernambucana em 2013. Ele, que sempre fazia música para outros artistas gravarem, resolveu interpretar suas ideias da maneira que lhe vêm à cabeça. Seu talento e alto astral o levaram – com seu figurino um tanto exótico – para espaços como o Abril Pro Rock, o Festival de Inverno de Garanhuns e a Levada Oi Futuro, no Rio de Janeiro, além dos palcos cotidianos do Recife. Não bastasse a carreira solo, o músico também integra a banda Dunas do Barato e produz eventos como o festival anual A Noite do Desbunde Elétrico.

Aos 14 anos, Fábio Alves da Silva ganhou um violão – comprado por R$10,00 – do pai, aprendeu a tocar sozinho com as revistas e com os discos que comprava no sebo do centro da cidade. Em pouco tempo, ele tocava baixo, além do violão, e queria levar para rua o som que compartilhava com os amigos. “Quando a gente saía, não ouvia em lugar nenhum o som que a gente gostava. Aí, chamei os meus amigos pra criar uma banda. A gente tocava nos bares e era a única banda diferente, inclusive com um figurino exótico, cheio de casacos, óculos, rosto pintado”, conta entre risos.

Das audições dos discos de The Who, The Beatles, Erasmo Carlos, Raul Seixas e Mutantes, só para citar alguns nomes, tomou forma o repertório da banda The Kaveman. O grupo se dividiu e surgiram Os Insites e Canivetes. Daí por diante, a música foi se tornando ainda mais importante e natural na vida de JuveNil.



Foto: Jaciana Sobrinho
Ele, que foi criado “solto” na Vila Cardeal, no Bairro de Areias, parece ter trazido para as suas letras a liberdade da infância. “Eu tive uma criação na rua mesmo. Meu pai e minha tia trabalhavam e eu ficava solto, lá na Vila. Era um mundo mágico, cheio de praças e tinha muita criança. Eu ficava “maloqueirando” com os meninos [risos]”, lembra. Foi já nessa época que ele se tornou JuveNil. “O apelido foi porque eu costumava andar com os caras sempre mais velhos que eu. Marcionílio e Jean Nicholas, por exemplo, são mais velhos. Eles já ouviam esses sons que eu curto, foram eles que me apresentaram muita coisa”, conta.

JuveNil imprime nas suas composições as histórias do dia a dia ou narrativas que ele imagina. Mas o faz com uma lógica dele e insere uns deboches. E quando canta reúne Beatles e Bob Dylan. Em outro momento, está lado a lado com Raul Seixas. Tudo isso sem deixar de ser ele mesmo. Durante o show que fez no Coquetel Molotov, bastante elogiado, alguém gritou: Toca Raul! JuveNil respondeu com todo bom humor: “Ele tá aqui!” E foi ovacionado pela plateia. “Eu encaro essa comparação numa boa. Pra mim, é elogio. Eu sou fã de Raul, não quero imitá-lo, não. Eu escuto mil coisas, mas ele está na minha veia, ?”, entrega.

 
Foto: Divulgação.

O disco traz música instrumental, letra em inglês e folk. Das canções compostas por ele, apenas duas têm parceria. Desapego, nome do disco, reflete muito bem a personalidade de JuveNil e seu estado de espírito na temporada que antecedeu à gravação. “Eu ensaiei duas vezes antes de ir pro estúdio. Surgiu uma promoção e eu quis aproveitar, chamei Gil (Gilvandro Barros) e a gente ensaiou as mais fáceis. Não foi nada muito pensado. Gravamos a base guia e depois fui colocando guitarra, baixo, back vocal. O conceito foi esse de improviso, de gravar uma única vez”.


Como o estoque de composições é grande, o músico já está preparando um novo disco que deve ser lançado no primeiro bimestre de 2014. Ele adianta que os arranjos serão mais bem elaborados e a finalização será mais cuidadosa, mas a essência será a mesma. O repertório traz algumas músicas que não entraram no Desapego e os arranjos serão produzidos em parceria com o músico Juliano Holanda. “Quero convidar outros artistas para participar, vou colocar instrumentos de sopro e corda, como violoncelo. Aguardem que vai ser legal”, promete. 

Contato: (81) 8653 9736 | 3445 1739

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Canto Daqui: Triofônico

Triofônico. Fotos: André Maranhão
Triofônico

Por Guilherme Menezes

A banda nasceu em 2011, trazendo um som diverso, com ênfase no rock blues. Como diz o guitarrista, compositor e vocalista Guilherme Cavalcanti: “A intenção era retomar aquele rock que tinha a guitarra na frente, muitos solos, baixo de destaque e a bateria comandando, é por isso também que somos um trio”.  Sobre o estilo da banda, o baterista e compositor Davi Halley, complementa: “O interessante é que no final, todos nós temos influências diferentes. Eu tenho uma queda para o grunge, já o nosso baixista tem muita influência do rock inglês dos anos 90 e da MPB, como o Gilberto Gil e o Zé Ramalho. Isso traz um outro toque à banda.”

Hoje a banda é formada por Cavalcanti, Halley e o baixista e também compositor Guilherme Santos. Segundo Cavalcanti, tudo é feito para que transmita a ideia de trio, onde todos os integrantes tenham uma participação presente e equivalente. “Eu tenho mais músicas, então sou o que mais canta. Porém, eu sempre digo pra todo mundo compor e cantar, e o trio  todo já está nesse clima mesmo. Tanto que na maioria das obras da banda, os três cantam, mesmo que seja uma parte pequena”. O guitarrista diz ainda que cada integrante canta a música que compõe, o que acrescenta ao grupo. “Além de nós querermos passar essa sensação completa de trio, queremos dar uma dinâmica cativante aos nossos shows e que isso funcione como um diferencial”.

A Triofônico já fez shows no Recife e fora da cidade, entre eles estão: no palco livre da Expoideia de 2012, no Palco Pop do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), deste ano; na Vila do Porto, em João Pessoa; e no Trio Festival, show no Burburinho Bar, também neste ano. Além disso, a banda lançou seu Single Purple Glasses, em janeiro de 2012, com três músicas: a que dá nome à obra, Um novo começo e A estranha mulher de branco. Esta última música chegou a sair na coletânea chamada Recife Low Fi, do músico pernambucano Zeca Viana.

Agora, a banda tem planos na área audiovisual e pretende lançar  um CD neste mês, chamado Triofônico Vol.1, com 11 faixas. Cavalcanti comenta sobre a obra: “O ouvinte vai encontrar um disco com vários temas diferentes, porque praticamente todas as músicas contam uma história. Tem até uma que conta uma história baseada em filmes  de terror, a Serial killer, além de três músicas que fazem parte da mesma história, A garota do Blues Bar, O bluzeiro viajante e Já vi você dançar”. Cavalcanti também diz que há muitas músicas “bem movimentadas”, no estilo do rock blues dos anos 60 e 70. Sobre o audiovisual, Halley comenta que há várias ideias de clipes para depois do CD, também com o intuito de valorizar o aspecto de contadora de histórias da banda. “Talvez façamos até um curta-metragem... Um curta com as músicas que fazem parte do mesmo enredo. Nós queremos trazer um produto especial para o público”, finaliza Halley.

Contato:
Triofônico
9938 0658
Soundclound.com/triofônico

Facebook/triofônico

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Café Preto - Um novo olhar

Café Preto. Foto: Divulgação
Por Guilherme Menezes

Depois do punk, ou melhor, em paralelo com o punk, presente há mais de 20 anos em sua carreira, o inquieto Cannibal faz surgir, em parceria com o DJ e Produtor Bruno Pedrosa e o também músico PI-R, um som mais tranquilo, com influências principalmente do reggae e do dub, instrumental praticamente criado em cima de programações, samples e efeitos e letras que tendem para outras temáticas... O som do Café Preto.

Nascido no Alto José do Pinho, o artista formou a sua primeira banda, a Devotos, com uma missão: falar sobre os problemas do subúrbio, na maioria das vezes, usando o bairro onde mora como exemplo. Por isso, segundo ele, seu novo projeto veio mostrar um outro lado de suas composições. “Tem gente que faz panfletagem, passeata, a Devotos resolveu mostrar os problemas sociais através da música. A Café Preto vem para mostrar um outro lado do Cannibal. Eu até tinha muitas letras guardadas e queria musicá-las de alguma forma. Mesmo que eu sinta que tenho esse lance social no sangue, de alguma forma eu sempre acabo puxando pra esse lado, não tem jeito”, diz o artista.

Ainda segundo Cannibal, vários estilos musicais lhe agradam e ele queria suprir essa vontade de fazer algo além do punk. “Nunca fui bitolado só com um estilo e acho que isso me ajudou muito até para formar uma identidade com a Devotos. Gosto de maracatu, afoxé, coco, o reggae e o dub principalmente... Aqui no Alto José do Pinho tem muita cultura, diversos estilos e acho que meu gosto não tinha como ser diferente”, completa.

Cannibal. Foto: Guilherme Menezes
O nome Café Preto tem uma história interessante. Cannibal estava atrás de um nome para a banda em 2007, até que em turnê com a Devotos pela Europa, em 2010, um garçom que trabalhava num restaurante da Eslovênia deu a solução. Segundo o artista, o profissional ofereceu um black coffee e a sonoridade lhe chamou a atenção. “Quando eu ouvi, logo pensei ‘caramba, isso daria um nome de uma banda dub’. Aí eu voltei com essa ideia na cabeça e comecei a pedir a opinião da galera. Até que me encontrei com Jorge Du Peixe, que é também o ilustrador da capa do CD, e ele me disse ‘gostei do nome... mas Café Preto é muito melhor’. Então eu preferi passar para o português mesmo, é bom que fica mais brasileiro.”

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Jana Figarella - A Cantora e o Teatro

Jana Figarella. Foto: Ton Hollander
Para compreender quem é Jana Figarella, é preciso pensar na dualidade artística da cantora e compositora que comemora seus dez anos de carreira. Isso porque a artista primeiro se apaixonou pelo teatro, quando, aos nove anos, conheceu e começou a participar desse mundo. “Às vezes as pessoas falam: ‘Ó, como ela canta bem!’, só que eu digo que eu sou uma atriz que representa uma cantora. Eu coloco meu lado teatral. Então eu devo ser muito boa atriz, porque as pessoas acreditam que eu sou cantora”, comenta Jana com humor.

Já em relação à música, Jana diz que começou a cantar aos 20 anos. “Com o pé direito”, diz ela, iniciou sua carreira tocando ao lado de nomes como: Gustavo Travassos, Nena Queiroga e Almir Rouche. A artista diz que tudo foi por acaso, fruto de suas idas ao Arcada Bistrô, aonde ia para assistir justamente a alguns dos artistas que a acompanharam no começo de sua carreira. “Eu ia sozinha, com meus 17, 18 anos, assistir ao show dessa turma e foi aí que comecei a sentir aquela vontade grande de cantar. Até que Nena Queiroga ficou curiosa em relação a mim e me chamou pra ficar na mesa deles. Eu comecei cantando com eles e eles gostaram”, explica a artista.

Foto: Divulgação
A artista revela que sua composição, assim como o teatro, veio desde cedo, antes de cantar e tocar violão. Sempre gostou de escrever, atividade que lhe dá ainda mais prazer que a cantoria. Jana ainda diz que seu processo de composição tem muita relação com suas influências musicais e cita, entre tais influências, Adriana Calcanhoto e Legião Urbana. No entanto, acredita que começou a compor mesmo quando passou a escutar Chico Buarque. “Comecei a escutar Chico incansavelmente. Queria imitar o jeito dele. É que antes eu falava muito obviamente, depois eu aprendi a me expressar de um jeito mais metafórico. Hoje eu sinto que consigo sair da superficialidade e, ao mesmo tempo, falar sobre coisas que todo mundo já viveu, o que me aproxima das pessoas”, afirma Jana.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sergio Cassiano - Água: Elemento da Vida

Por Guilherme Menezes

Sergio Cassiano. Foto: Costa Neto
Músico respeitado, arranjador, instrumentista, produtor, compositor, além de professor do Conservatório Pernambucano de Música e mestrando da UFPB, Sérgio Cassiano começou a participar da música de forma mais profissional ainda novo, aos 16 anos, quando já tocava na noite. “Meu interesse musical nasceu quando eu era ainda criança e veio por influência dos meus pais. Eu já batia em latas e panelas e sofás de casa. Gosto de usar como referência meus 16 anos porque com essa idade fiz um show com um grupo e na hora me perguntaram como eu iria assinar, foi quando nasceu Sérgio Cassiano”, comenta o músico.

Cassiano participou de vários grupos e também da gravação de diversos discos, “pelo menos 100 álbuns” ao longo de sua jornada.  Dentre de suas vivências, uma se destaca, um grupo que alcançou respeito e popularidade nacional e até internacional, o grupo Mestre Ambrósio, que esteve na estrada de 1992 a 2004. “Com certeza foi um momento muito importante para todos que a integraram. Diria que foi um dos momentos mais marcantes. As viagens, a primeira turnê na Europa em 96... Teve um festival que nós tocamos na Antuérpia pra muita gente, foi muito emocionante...”, diz o artista.

Já em carreira solo, o artista lançou dois discos; sendo o primeiro Ciência da festa, lançado em 2010, que foi indicado ao prêmio de Melhor Álbum de MPB pelo prêmio Claro de Música, e que rendeu os os clipes Peixe de vidro e Quando ela roda, e o novíssimo álbum Água!, que terá show de lançamento na Livraria Saraiva do shopping RioMar, neste mês. O CD, já disponível pelo soundcloud, se concentra definitivamente no tema água, fazendo mais do que jus ao nome do disco. “Comecei a fazer algumas músicas com esse tema, porque queria que tivesse uma tendência para esse lado, mas depois senti que o assunto deveria ter uma atenção maior ainda e então nasceu a ideia do CD.” O músico aproveita a linha e diz que tem um interesse grande pela natureza como um todo, e que isso é algo anterior a sua carreira solo: “Desde os grupos passados, desde o Mestre Ambrósio eu já tinha essa vontade de transmitir isso na minha música. Mas foi agora que me vi com a liberdade e ainda uma maior vontade de demonstrar esse meu lado”.

Foto: Guilherme Menezes
Para ter uma maior noção do que é o Água!, Cassiano comenta um pouco sobre ele: “Primeiramente ele vai encontrar um elemento que já tinha no Ciência da festa, que é uma poesia muito refinada e uma riqueza de timbres muito grande, realmente não economizei nos timbres. Ele está bem diverso. Também tem vários instrumentos como trombone, guitarras, além de eu ser o próprio produtor fonográfico do disco, novamente”. Cassiano também diz que o disco tem um “clima quase de trilha de cinema”, devido à busca da sensação de continuidade e outros elementos. “Coloquei alguns intervalos curtos, algumas vinhetas dentre as faixas pra dar essa ideia de fluxo... Outra paixão minha é o cinema. E o engraçado é que foi natural, não estava nem pensando em cinema... Depois foi que eu vi que o disco tinha esse lado mais cinematográfico”, complementa Cassiano.

Ao final, Cassiano dá alguns conselhos para aqueles que estão começando a entrar no cenário musical: “Além de estudar, praticar o que você faz diariamente, é preciso manter isso como uma grande diversão. Não pode faltar prazer, porque quando falta prazer, alguma coisa está muito errada. Isso em qualquer profissão, mas uma em que é totalmente proibido faltar prazer é a música”. O artista também fala da importância da organização e do cenário musical e frisa que estamos num momento revolucionário. 

Contato de Sergio Cassiano:
sergiocassiano@uol.com.br // 9688-9048
facebook/ sergio cassiano

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Canto Daqui: W2 Rock Band

W2 Rockband. Foto: Guga Matos
Por Guilherme Menezes

A banda já tem quase dez anos de estrada, com início em 2005, quando Ilton Duarte, vocalista do grupo, recrutou cada integrante. Curiosamente, são todos do bairro do Cordeiro, na Zona Norte do Recife, o que para eles, aliado ao fato de já serem amigos ainda antes da W2, acrescenta-lhes um toque familiar. Segundo Duarte, ele se interessou em fazer uma banda principalmente porque sentia falta de um grupo que chegasse aos pés de Chico Science, desde a sua morte. “Nunca fui de acompanhar uma banda e só acompanhei, no Recife, a Nação Zumbi quando estava com Chico Science.” Ainda de acordo com o vocalista, de alguma forma, eles traziam aquele amor à cidade e isso chamava o público. “Eu era até amigo dele (Chico Science). Ele me chamou para ver um ensaio antes de ser conhecido. A primeira música que ele tocou foi Da Lama ao Caos e eu soube logo que aquilo iria dar certo”, diz Duarte.

O grupo, formado por Ilton Duarte (Mentolado – vocal), Gilvan Alex (Alex G3 – guitarra), Gabriel Urbano (Gabri – baixo), André Freitas (Deco Ponteiro – bateria), Ageu Duarte (tambor), Jônatas Duarte (Duboy – tambor) e Valdeir Costa (Deir – percussão), toca o estilo chamado Black Rock, uma fusão de ritmos regionais, nacionais e internacionais com base no rock de letras engajadas e reflexivas. “Gosto também de citar o Black Rock, porque acredito que temos uma influência forte da música negra com estilos como afoxé e maracatu. Mas, na verdade, podemos dizer que vamos do Manguebeat ao Heavy Metal. Temos como fazer repertórios autorais para tocar em qualquer tipo de evento”, complementa Duarte.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Projeto Armazém - Música e Experimentação

Por Guilherme Menezes

Foto: Rennan Peixes
O Projeto Armazém, com compositores que seguem suas próprias linhas e influências, desde o princípio, mostra ser uma oficina cujo resultado final não poderia ser outro senão obras bem exploradas e diversas. “Com o nome Projeto Armazém, nós queríamos passar a mensagem de que a banda se encontra numa experimentação constante, passando por vários estilos nacionais e internacionais”, explica Regueira.

O grupo iniciou em 2010 e é formado por Wagner Albino (guitarra, voz e percussão), Wanderson Albino (bateria), Antônio Regueira (voz, guitarra) e Filipe Lima (baixo, teclados e efeitos). Os irmãos Wagner Albino e Wanderson Albino tinham outro projeto, na época, prioritário: “Mas o Projeto Armazém começou a despertar mais interesse do público, começou a atrair mais oportunidades, então aquele que seria o paralelo, acabou se tornando o principal”, diz Vagner.

Foto: Fernanda Regueira
A banda comenta que desde o começo contou com grande participação do público de Camaragibe, que assistiu aos seus primeiros shows e se interessou pela banda. Como exemplo, o grupo citou a sua apresentação de pré-lançamento do EP Velório da lucidez, em 2011, no Cultura Festival, realizado na Livraria Cultura. “A livraria estava lotada porque as pessoas que conheceram o nosso trabalho foram atrás. Existe, claro, um pessoal que circula lá na Livraria Cultura e que tem o hábito de assistir aos shows, mas grande parte dos que estavam presente nos acompanhava, desde o Som que Sai da Gruta, em Camaragibe”, diz Regueira. Ainda seguindo a corrente, Regueira comenta: Sobre o Som que Sai da Gruta, evento com o qual começamos a nos apresentar, acredito que foi muito importante também porque serviu como laboratório. Foi até minha primeira experiência de palco, que não era palco, era chão”.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Banda Cabugá: pernambucanidade viva

Por Guilherme Menezes

Foto: Divulgação
Uma homenagem constante às cidades do Recife e de Olinda, feita por meio dos mais variados temas, passando pelo romance, pelo Galo da Madrugada e pelas ladeiras de Olinda, numa mistura de estilos como frevo, rock e samba, é o que a banda Cabugá leva a cada um que a escuta. Até o próprio nome faz menção a isso. A banda surgiu por conta de uma das primeiras composições do guitarrista e compositor Felipe Soares. A música fala sobre o ônibus que ele usava para ir e vir do seu bairro para o centro da cidade, o Jardim Brasil II / Cabugá. Dessa forma, além de a banda mostrar como os integrantes são inspirados musicalmente pelo local onde vivem, o nome do grupo sugere a fusão e a ação de viver conscientemente entre as duas cidades.

Sobre isso, Soares declara: “Na verdade, acontece de forma natural. É justamente porque cada integrante já tem esse carinho, essa ligação com os municípios, que acaba dando certo. A partir daí é que nós exploramos nossa identidade visual, melódica, literária etc.”. Para complementar, a cantora e passista de frevo Maria Flor emenda: “O grupo é até quase meio a meio, parte Recife, parte Olinda (risos)”.

O grupo se formou em 2010, ano em que lançou seu primeiro EP, Porque Belém Demora!. Maria comenta: “eu nunca tinha me imaginado cantora, eu até já tinha cantado em algumas peças quando fazia teatro, mas é algo diferente. Foi ótimo quebrar o receio que eu tinha”. Com a obra, fizeram shows nos festivais: Jardim Sonoro, realizado em Olinda, Indie Rock Burburinho, no Bairro do Recife, e Oficina Acústica, realizado na oficina da Música, também em Olinda. Após as apresentações, com a formação atual: Maria Flor, Felipe Soares, Ally, nos teclados e samples, Diego Calado, no contrabaixo, e Rafa Souza, na bateria, o grupo entrou em grande recesso para trabalhar no seu segundo EP, intitulado Coração Alegórico, lançado em 2012.

 Foto: Divulgação
O segundo EP, quando a banda já se sentia mais madura musical e profissionalmente, conta com participações de artistas reconhecidos na região, como: Fábio Trummer, da banda Ed, Daniel Ferraz, da Maestro Spok, e Orquestra Forrobodó, além de contar com a contribuição de Léo D, do Mundo Livre S/A, na produção da obra. Além disso, o Coração Alegórico trouxe dois prêmios para o grupo: o Conheça minha Banda, por voto do público, e graças ao qual a Cabugá ganhou uma matéria exclusiva e a produção de um clipe, e o Prêmio da Música de Pernambuco – Troféu Acimpe, na categoria de Melhor CD de Cultura Popular Grupos e Bandas, também pelo voto popular. Curiosamente, o grupo realizou apenas um show apresentando o EP, show este realizado no Ceará, e que traz orgulho a todos os integrantes porque foi realizado dentro do festival Grito Rock, evento de âmbito internacional.

Aproveito e pergunto: Vocês têm dois prêmios, participações de artistas respeitados, uma certa projeção... A que vocês atribuem essa quantidade de apresentações programadas e como vocês tiveram estas conquistas mesmo estando longe dos palcos?” Maria responde: “Nós ficamos longe dos palcos porque desde o começo da banda, desde o O Belém Demora, nos preocupamos muito com as gravações e a fase de produção. Nós achamos que o mais importante é que você tenha um bom material para apresentar e isso foi ainda mais forte com o Coração Alegórico. Chegamos a recusar vários convites durante o período de produção do EP, justamente para deixá-lo o mais profissional possível”. Sobre as conquistas, a artista disse que elas vieram pelo grande interesse de cada integrante e pelo fato de o grupo encarar cada aspecto que envolve uma banda de forma profissional.