quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Almério – um disco com alma além-homem



Foto:Breno César

Por Jaciana Sobrinho


Ele é compositor, cantor, arranjador e ator. Seu talento é nato, lapidado pela vida, pelas noites nos bares. Sua certeza de que iria ser artista surgiu ainda na infância, aos onze anos, quando ainda morava na cidade natal, Altinho (PE) – localizada a 169 km do Recife. A vida ríspida que o obrigou a trabalhar aos treze anos e a guardar seus sonhos num baú, agora lhe sorri e lhe permite gritar aos quatro ventos que se sente realizado e feliz pelo lançamento do seu primeiro CD – Almério.
Foto: Renata Torres



“Há oito anos eu já sabia de tudo que eu queria pra esse disco. O processo de gravação aconteceu em dois anos, mas o amadurecimento das ideias já havia terminado. Hoje eu sou um homem pleno de felicidade. É como se fosse um filho e ele está correndo solto pelas ruas de Caruaru, da minha cidade e começando a andar pelas ruas do Recife”, conta sorrindo.



O menino simples, que adorava ler e escrever e ouvia músicas bem diferentes das que os outros meninos da sua idade gostavam, ficou surpreso ao ouvir seus versos em forma de canção na voz da sua amiga Ana Paula Marinho. “Quando eu tinha onze anos, escrevi um poema tão simples e Ana, que já tocava violão, havia feito uma música com aquilo. Eu perguntei: eu posso fazer isso, Ana? As coisas que eu escrevo podem virar música? Ela me disse que sim, me incentivou. Daí em diante, a gente se trancou no nosso mundo musical, compôs muita coisa”, lembra Almério.




Bastante influenciado pelo gosto musical do seu irmão mais velho, Alexandre, que sempre lhe apresentava grandes nomes da MPB – Marisa Monte, Chico Buarque, Adriana Calcanhotto, Caetano Veloso, Elis Regina e Ney Matogrosso, além de sempre ouvir diversos compositores pernambucanos, o artista começou a cantar em bares de Caruaru pouco tempo depois de vir morar na cidade, em meados dos anos 2000.



Foto: Renata Torres
“Eu só cantava quando o bar estava quase fechando, era tímido e não era bom cantor. Adorava cantar, mas ficava envergonhado e mal me movia quando estava no palco. Depois fui procurando me aperfeiçoar por meio de revistas especializadas e também comecei a fazer aulas de teatro para melhorar minha expressão corporal. Só comecei a me sentir seguro mesmo quando num certo dia o público me viu chegando ao extinto bar Mirante e começou a gritar meu nome, me pedindo pra cantar. Essa foi a primeira vez que eu tive a certeza de que as pessoas gostavam de me ouvir cantar”, conta.



No CD, que ele fez questão de dedicar à Ana, o artista expõe suas memórias afetivas, a exemplo das músicas Seu Jofe, inspirada no cotidiano do seu avô, e “Aparecida” na qual discorre sobre a beleza e força da sua tia e madrinha, Cida. As duas letras desenham os cenários e afazeres rurais por meio de termos típicos e até com um autêntico aboio que chama o gado para o curral ao final do dia.



Uma das primeiras canções a se tornar conhecidas do público e a primeira a ter um clipe foi Além-homem, um poema de amor e dor e em que Almério arriscou usar um neologismo que dá título à música e significa um estado de sublimação do amor, uma maneira de dizer eu te amo, de acordo com sua definição. O arranjo, também assinado por ele, traz a sonoridade da banda de pífano desmembrada dando a dramaticidade que marca a faixa.



Embora use os instrumentos básicos das bandas de pífanos (pífano, tarol, zabumba), Almério mostra a versatilidade que essa formação tradicional do Agreste pernambucano tem. Forró, ciranda, samba e até uma batida de funk são ritmos presentes entre as quatorze faixas do CD. Almério assina a produção com Lucky Luciano que participa do repertório com uma composição e tocando vários instrumentos.



Foto: Breno César
“Aprendi muito com Lucky, ele elevou o nível do meu projeto a um patamar que eu nem poderia imaginar. Ele abriu as portas da percepção para mim e foi extremamente carinhoso e generoso comigo. Só tenho a agradecer”, afirma.



O trabalho conta ainda com composições de Valdir Santos; Lula Queiroga; Vertin Moura; Ícaro Tenório e Isabela Moraes. “Eu pincelo o disco com compositores que eu admiro e que me influenciam. E não posso deixar de mencionar a participação linda de Ceumar, uma cantora mineira maravilhosa, que canta comigo a música São João do Carneirinho. Ela aceitou meu convite e enviou a parte dela diretamente de Amsterdã”, enfatiza.



Cada música tem uma atmosfera diferente, elas foram criadas pelos diferentes instrumentos selecionados por Almério e Lucky. “O disco para mim é um livro de contos e crônicas que estão todas interligadas. Eu fiz questão de mostrar minhas raízes, minhas influências, mas fiz isso à minha maneira para criar uma música universal”, acrescenta.



Foto: Renata Torres
Além do bom conteúdo, o álbum destaca-se ainda pelas fotografias de Breno César feitas na Serra Negra, em Bezerros (PE), com figurino de Gabriel Sá e projeto gráfico de João Bento. O CD já está à venda em diversas lojas de Caruaru e do Recife e também está disponível para download nos sites Hominis Canidae e Discoteca Nacional .



“Estou louco pra mostrar o show dele por aí, estou cheio de ideias e aguardando convites. O que mais quero agora é viver tudo que esse disco pode me dar, tudo que ele puder alcançar. Quero trabalhar para que isso aconteça, para que ele chegue até as pessoas”, finaliza Almério.



Contato para shows: (81) 9916 4771

2 comentários:

  1. A gente espera que as melhores coisas aconteçam...parabéns...

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  2. Surpresa mais que agradável para nossa música brasileira. Regionalismo e pluralidades. Parabéns Almério e obrigado por trazer a raiz nordestina para a cultura musical.... Valeeeeeew....

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