Canto Daqui: W2 Rock Band

W2 Rockband. Foto: Guga Matos
Por Guilherme Menezes

A banda já tem quase dez anos de estrada, com início em 2005, quando Ilton Duarte, vocalista do grupo, recrutou cada integrante. Curiosamente, são todos do bairro do Cordeiro, na Zona Norte do Recife, o que para eles, aliado ao fato de já serem amigos ainda antes da W2, acrescenta-lhes um toque familiar. Segundo Duarte, ele se interessou em fazer uma banda principalmente porque sentia falta de um grupo que chegasse aos pés de Chico Science, desde a sua morte. “Nunca fui de acompanhar uma banda e só acompanhei, no Recife, a Nação Zumbi quando estava com Chico Science.” Ainda de acordo com o vocalista, de alguma forma, eles traziam aquele amor à cidade e isso chamava o público. “Eu era até amigo dele (Chico Science). Ele me chamou para ver um ensaio antes de ser conhecido. A primeira música que ele tocou foi Da Lama ao Caos e eu soube logo que aquilo iria dar certo”, diz Duarte.

O grupo, formado por Ilton Duarte (Mentolado – vocal), Gilvan Alex (Alex G3 – guitarra), Gabriel Urbano (Gabri – baixo), André Freitas (Deco Ponteiro – bateria), Ageu Duarte (tambor), Jônatas Duarte (Duboy – tambor) e Valdeir Costa (Deir – percussão), toca o estilo chamado Black Rock, uma fusão de ritmos regionais, nacionais e internacionais com base no rock de letras engajadas e reflexivas. “Gosto também de citar o Black Rock, porque acredito que temos uma influência forte da música negra com estilos como afoxé e maracatu. Mas, na verdade, podemos dizer que vamos do Manguebeat ao Heavy Metal. Temos como fazer repertórios autorais para tocar em qualquer tipo de evento”, complementa Duarte.


W2 RockBand. Foto: Guga Matos
Sobre a influência do Mangue, o baterista André Freitas até comenta que já houve alguns desentendimentos. “Sinto que já fomos hostilizados pela produção de alguns eventos e acredito que um dos motivos é por usarmos os tambores para incrementar no peso da música. É que depois da Nação Zumbi,  todo mundo acha que aqueles que usam tambores no rock estão imitando, mas não é assim, há formas diferentes de utilizá-los; nós mesmos temos o nosso próprio estilo e nossa própria essência.” Além disso, Freitas diz que o grupo é alvo de várias histórias inventadas, algumas até engraçadas, que muitas vezes são criadas em relação ao jeito do grupo de se vestir. “A galera inventa que a gente é negativo ou que tocamos de óculos escuros por usarmos drogas nas nossas apresentações. Na verdade, tocamos de preto porque gostamos de preto e já que não temos um fotógrafo, a gente viu que ficava mais fácil pra sairmos bem em relação à sincronia de cores. Com os óculos escuros, acontece a mesma coisa”, explica.

A W2 Rock Band já tocou em diversos eventos e já fizeram várias gravações, entre elas, três EPs e um álbum, são eles: Infectado, primeira produção do grupo, Mar e Guerra, disco de 12 músicas lançado em 2006, o EP A Filosofia é Outra, gravação realizada em 2008, e o EP mais recente, Black Rock, gravado no final de 2012 e lançado neste ano. Com cinco faixas, a obra traz músicas como Muay Thai, Grades de Sentimento e Conflitos Interplanetários, esta última com clipe.

W2 Rock Band. Foto: Guga Matos
Uma produção interessante é a coletânea que o grupo chama de trilogia sonora. São três DVDs com shows ao vivo, intitulados Sem Panela, Cultural e Artigo Indefinido, feitos em 2009. “Queríamos gravar nossas três vertentes musicais. Então, gravamos primeiro o Sem Panela, no Terça Negra, no Pátio de São Pedro, quando tocamos um repertório mais pesado e o nosso lado mais crítico, mais engajado; o Cultural, show na Livraria Cultura, mostrando um lado mais leve, mais pop; e por fim, o Artigo Indefinido, no Teatro do Parque pelo evento Segunda Cultural, show em que tocamos nosso lado mais intelectual e reflexivo. Deixamos 25 DVDs à venda na Livraria Cultura na época. Meu amigo até passou lá depois de um tempo pra comprar e disse que não havia mais nenhum”, declara o vocalista.

Ao fim da entrevista, o grupo conclui dizendo que se sente orgulhoso por ter sido convidado a fazer parte de um comercial da Vivo sobre a chegada da linha 4G. Segundo eles, “um cara de São Paulo procurava uma banda que representasse a cultura pernambucana” e, ao mesmo tempo, um novo segmento do rock.

Contato:

W2 RockBand
3091-5944 / 9830-3931 
www.w2rockband.com.br

Comentários

  1. Parabéns pela matéria Guilherme! Na cidade de Recife há vários talentos escondidos. Creio que você descobriu um deles, estive vendo e ouvindo os vídeos e músicas que a W2 disponibiliza na rede, realmente eles tem uma identidade própria. Isto é bom, é o início para uma banda se mostrar no cenário cultural. Espero vê-los em breve nos eventos da Prefeitura do Recife, fazendo jus ao slogan " Recife cidade multicultural" e mais emergindo aqueles talentos oriundos dos subúrbios de nossa bela cidade.

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  2. Parabenizo o senhor Guilherme por esta iniciativa! Realmente em Recife os talentos dos subúrbios não tem muito espaço. Nossa cidade de vários ritmos e estilos merece um representante no segmento Rock à altura de Chico Science. A musicalidade desta banda W2 rockband é muito diversificada, representa a cara do povo pernambucano quando mistura dos os ritmos de nossa cultura com um todo de liberdade que o Rock trás em sua essência. Estes meninos estão de parabéns por mostrarem ao Brasil a musica de Recife, com letras arranjos e personalidade própria. A música agradece pois estamos carentes por boa música. A Prefeitura do Recife, esta fazendo jus ao slogan " Recife cidade multicultural" e mais emergindo aqueles talentos oriundos dos subúrbios de nossa bela Cidade, conforme bem colocado pelo Fernando. Boa sorte a todos. Emerson Venancio

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  3. A equipe da Agenda agradece os comentários e a participação.

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  4. Só agora em 05/11/13, vimos os comentários da Agenda Cultural do Recife. Bem, nós que fazemos a W2 Rockband só temos a agradecer a iniciativa e competência do Guilherme, em fazer essa honrosa entrevista com nossa banda, que há anos vem lutando para disseminar nossa rica cultura. Além da Prefeitura do Recife, queríamos agradecer a Fernando Marinho e Emerson Venâncio, pelos comentários a nosso respeito. Agora só depende deles (Prefeitura) para que nossa música consiga alcançar seus objetivos principais. Nossa parte estamos fazendo. Obrigado mais uma vez, um abraço.

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