Banda Cabugá: pernambucanidade viva

Por Guilherme Menezes

Foto: Divulgação
Uma homenagem constante às cidades do Recife e de Olinda, feita por meio dos mais variados temas, passando pelo romance, pelo Galo da Madrugada e pelas ladeiras de Olinda, numa mistura de estilos como frevo, rock e samba, é o que a banda Cabugá leva a cada um que a escuta. Até o próprio nome faz menção a isso. A banda surgiu por conta de uma das primeiras composições do guitarrista e compositor Felipe Soares. A música fala sobre o ônibus que ele usava para ir e vir do seu bairro para o centro da cidade, o Jardim Brasil II / Cabugá. Dessa forma, além de a banda mostrar como os integrantes são inspirados musicalmente pelo local onde vivem, o nome do grupo sugere a fusão e a ação de viver conscientemente entre as duas cidades.

Sobre isso, Soares declara: “Na verdade, acontece de forma natural. É justamente porque cada integrante já tem esse carinho, essa ligação com os municípios, que acaba dando certo. A partir daí é que nós exploramos nossa identidade visual, melódica, literária etc.”. Para complementar, a cantora e passista de frevo Maria Flor emenda: “O grupo é até quase meio a meio, parte Recife, parte Olinda (risos)”.

O grupo se formou em 2010, ano em que lançou seu primeiro EP, Porque Belém Demora!. Maria comenta: “eu nunca tinha me imaginado cantora, eu até já tinha cantado em algumas peças quando fazia teatro, mas é algo diferente. Foi ótimo quebrar o receio que eu tinha”. Com a obra, fizeram shows nos festivais: Jardim Sonoro, realizado em Olinda, Indie Rock Burburinho, no Bairro do Recife, e Oficina Acústica, realizado na oficina da Música, também em Olinda. Após as apresentações, com a formação atual: Maria Flor, Felipe Soares, Ally, nos teclados e samples, Diego Calado, no contrabaixo, e Rafa Souza, na bateria, o grupo entrou em grande recesso para trabalhar no seu segundo EP, intitulado Coração Alegórico, lançado em 2012.

 Foto: Divulgação
O segundo EP, quando a banda já se sentia mais madura musical e profissionalmente, conta com participações de artistas reconhecidos na região, como: Fábio Trummer, da banda Ed, Daniel Ferraz, da Maestro Spok, e Orquestra Forrobodó, além de contar com a contribuição de Léo D, do Mundo Livre S/A, na produção da obra. Além disso, o Coração Alegórico trouxe dois prêmios para o grupo: o Conheça minha Banda, por voto do público, e graças ao qual a Cabugá ganhou uma matéria exclusiva e a produção de um clipe, e o Prêmio da Música de Pernambuco – Troféu Acimpe, na categoria de Melhor CD de Cultura Popular Grupos e Bandas, também pelo voto popular. Curiosamente, o grupo realizou apenas um show apresentando o EP, show este realizado no Ceará, e que traz orgulho a todos os integrantes porque foi realizado dentro do festival Grito Rock, evento de âmbito internacional.

Aproveito e pergunto: Vocês têm dois prêmios, participações de artistas respeitados, uma certa projeção... A que vocês atribuem essa quantidade de apresentações programadas e como vocês tiveram estas conquistas mesmo estando longe dos palcos?” Maria responde: “Nós ficamos longe dos palcos porque desde o começo da banda, desde o O Belém Demora, nos preocupamos muito com as gravações e a fase de produção. Nós achamos que o mais importante é que você tenha um bom material para apresentar e isso foi ainda mais forte com o Coração Alegórico. Chegamos a recusar vários convites durante o período de produção do EP, justamente para deixá-lo o mais profissional possível”. Sobre as conquistas, a artista disse que elas vieram pelo grande interesse de cada integrante e pelo fato de o grupo encarar cada aspecto que envolve uma banda de forma profissional.  


“Trabalhamos muito na nossa divulgação pela internet. Nós não sabíamos antes. Então fomos, eu e Felipe principalmente, atrás de tutoriais, pegamos referências de outras bandas em relação à divulgação; realmente buscamos nos aprimorar. Outro exemplo... eu fiz o desenho que  veio a se tornar a capa do Coração Alegórico, mas ainda precisava fazer a parte gráfica e quem se encarregou foi Felipe. Ele não sabia, então foi atrás e aprendeu essa parte, linguagem HTML e outras coisas. Tanto que ele fez o site da banda e hoje é o responsável por todo esse gerenciamento”, diz Maria. Segundo o grupo, se eles contratassem pessoas para fazer, tanto o serviço de assessoria como de design, poderia custar um valor muito alto. Então, pensando em longo prazo, se os integrantes se profissionalizarem e se envolverem com outras áreas, podem vir a cortar muitos gastos: “Também fizemos os cursos Como arrumar sua Banda do Pré – AMP e Abril pro Rock Música S/A, alguns dos melhores cursos que já fiz. Eles ensinam pontos importantes como formas de cachê que o artista recebe, a importância de agentes em outras regiões, como preparar uma turnê, e eles transmitem uma pensamento muito importante: se eu mesmo não me valorizo como artista, por que os outros vão me valorizar?”, declara Maria.

A banda está com seu primeiro clipe na internet, da música Ensolarada. Destaque para o lançamento do mesmo, que seria feito no Cinema da Fundação, junto com a exibição do recente clipe do Mundo Livre S/A,Eduardo A Censura do Átomo. Porém, o evento foi transferido para o Cinema Rosa e Silva, já que a sala em que os clipes seriam projetados no Cinema da Fundação, entrou em recesso devido à necessidade de uma reforma de infraestrutura para implementação de novo equipamento; com previsão de voltar às atividades no mês que vem.

Foto: Guilherme Menezes
“Hoje, o que acontece também, é que muitas pessoas acham que só se consegue as coisas gastando uma grana. Pois aprendi, com a banda Cabugá e com os cursos, que muito pode vir de parcerias. Quando eu tive a ideia de lançar o nosso primeiro clipe no Cinema da Fundação, até o pessoal da banda ficou meio, {eita, na fundação... é cinema, é complicado}, mas eu fui e fui muito bem recebida lá”, revela Maria. Ainda segundo a artista, a pessoa que a atendeu até disse que nunca houve isso antes no Cinema, mas também não houve porque nunca chegaram com este projeto ou outro parecido antes. 

“Então falamos com a Mundo Livre S/A, principalmente com Léo D, para participar do projeto com a gente e eles toparam, porque é um ótimo espaço para todos nós. Eu até falei com o próprio Felipe S, do Mombojó, só que ele disse que eles não estariam aqui na cidade durante o mês de abril e realmente ficaria complicado para a banda vir. Mas foi tudo tranqüilo, ele até se desculpou por não poder participar... assim, é muito bom quebrar o gelo, deixar o receio. As bandas precisam saber mostrar o seu trabalho, ter novas ideias. Muitas vezes são até ideias simples, mas que nunca tiveram antes.Nesse caso mesmo...  não aconteceu no Cinema da Fundação, mas com planejamento e persistência, conseguimos fechar com o Cinema Rosa e Silva”, finaliza Maria Flor.

Contato:
Banda Cabugá

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