Caravana do Delírio

Por Guilherme Menezes


Carava do Delírio. Foto: Guilherme Menezes
A Caravana do Delírio está com pouco mais de cinco anos de formação e, nesse tempo, existiram momentos interessantes e próprios da banda. O grupo começou com Danilo Gonçalves e Matheus Torreão, que estudavam na mesma escola. Brincando, Danilo disse que os dois eram meio boçais e que eles achavam que, na ocasião, não havia nenhuma banda legal no mundo e, por isso, desejavam fazer uma banda para eles mesmos escutarem. E assim começaram a chamar mais pessoas para compor a banda. “Na verdade, acho que todo mundo que toca tem o sonho de ter uma banda, fazer sucesso e ganhar muito dinheiro. Outro motivo é que o Matheus já tinha um monte de composições que eu achava legais e queríamos colocar pra frente.”

Todos que tocaram no grupo estudaram no mesmo colégio, mas, segundo Danilo Gonçalves, existiram várias mudanças durante a carreira. “Seria até uma menina que iria cantar no começo. Tinha outra no violino também. A banda mudou muito.” A primeira apresentação foi realizada apenas com um guitarrista (o próprio Danilo), Thiago no teclado, Eduardo na bateria, Manoela no violino e Matheus Torreão no baixo e vocal. “Só quem sempre esteve no grupo fui eu e Matheus”, declara. Hoje, a banda é parecida com a sua penúltima formação, a que mais durou (cerca de dois anos) com Matheus Torreão no baixo e voz, Danilo Gonçalves na guitarra e back vocal, Paulo Carneiro na bateria e Vinícius Barros na guitarra solo. A diferença é que entrou Pablo Bezerra, amigo antigo dos integrantes, no lugar de Vinícius, que foi para o teclado. Além disso, o grupo contratou um trompetista, ou seja, o único que não estudou na mesma escola dos demais integrantes.                               
                                                                                
O nome da banda surgiu pouco antes do primeiro show, em cima do Novo Pina, período em que os
Matheus Gusmão.Foto: Matheus Soares
integrantes se viram obrigados a escolher um nome para poderem se apresentar. “Depois de uns trinta nomes, Matheus apareceu com a ideia do nome atual. É o seguinte: quando Cazuza descobriu que era portador do vírus HIV-AIDS, os pais não o deixaram sair de casa e sequer os médicos sabiam como a doença funcionava. Aí, os amigos dele compraram uma Kombi para levá-lo à praia, que era o lugar onde ele mais gostava de estar. Então, esses amigos o tiravam escondido de casa e o levavam à praia. Cazuza batizou essa Kombi de A Caravana do Delírio.”

Ainda segundo ele, o nome rendeu outras histórias. Aconteceu certa vez de um jornalista dizer que queria fazer matéria com a banda, mas só se ela mudasse de nome, porque ele achava muito feio. Outra é que muita gente falava mal do nome. O grupo decidiu que era um nome temporário e poderia ser mudado posteriormente. No entanto, depois dos primeiros shows, o grupo sentiu uma resposta positiva do público e, no final, todos acabaram “curtindo” o nome A Caravana do Delírio.

A banda acredita que seu reconhecimento em relação ao público foi se tornando mais intenso depois de participar do Microfonia. O primeiro EP surgiu quando Danilo e Matheus estudavam jornalismo. Na época, um sujeito da mesma sala, “um tal de Emanuel”, segundo Danilo, queria produzir um EP de uma banda e acabou aceitando fazer a produção para A Caravana. “O cara disse que iria bancar tudo e tal. Mas a verdade é que esse cara não sacava nada de música. A gente também não tinha muita maturidade e acabamos em um estúdio caro e bizarro. Fomos gravando e a dívida foi ficando maior. Até oferecíamos ajuda com os gastos, mas ele dizia que não, que o dono daria um descontão no final e assim fomos levando. Até que, quando estávamos praticamente no final do EP, só mixando, o cara sumiu”, explica Danilo. Devido ao grande desejo dos integrantes e pela própria cobrança, eles pagaram tudo e levaram o material para Walmam Filho, produtor e baterista, com estrutura em Candeias, que, conforme Danilo, salvou o disco. Assim nasceu o Glamourosa Comédia Pop, em 2009.

Perguntei a causa da grande diferença do segundo EP, Delirium Tremens (2011), com seus ritmos variados, comparado ao primeiro. Quem começou a responder foi o próprio Danilo: “vê só, o primeiro EP é de 2009 com as músicas que a gente tocava em 2006. Eram ideias bem antigas de Matheus. Acho que a gente vai conhecendo mais coisas e as ideias vão amadurecendo. Outra coisa é que o segundo EP foi gravado aqui em casa. Levamos um ano gravando. Tudo foi feito com mais maturidade e mais cuidado. Eu até estava cursando Produção Fonográfica... Enfim, estava todo mundo já sabendo mais o que era aquilo. Logo após, Pablo, atual guitarrista do grupo, junto com Danilo, dá o seu parecer: “Também teve um pouco da minha ligação com a banda. É que houve alguns shows em que me chamaram para substituir Danilo, porque ele tinha ido para o SWU e não poderia fazer algumas apresentações. E, enquanto Danilo estava fora, Matheus já veio com algumas ideias, ele é um cara muito produtivo e não queríamos deixar passar. Aí, eu vinha com influências diferentes, gostos diferentes e Matheus também já estava com outras inspirações e tudo mais. Então, trabalhamos em alguns arranjos e trocamos algumas ideias que acabaram entrando no segundo EP. Eu ainda não fazia parte do grupo, mas, por causa dessa oportunidade, tem algumas coisas minhas lá”.

Com relação a ser críticos, Matheus Torreão, compositor da banda, responde: “Não exatamente. Acho que isso acontece de uma forma mais natural. Eu não tenho a pretensão de fazer uma música para fazer você refletir. É claro que é possível ver uma ironia, uma crítica, mas minhas músicas são feitas de forma mais introspectivas mesmo. Músicas em que eu exponho minhas emoções, minhas ideias e meus anseios”. Uma observação interessante a ser feita é que Matheus Torreão foi um dos participantes e vencedores da segunda temporada do reality show de bandas da Multishow, Geleia do Rock. O que contribuiu com a banda, porque Matheus ganhou certa visibilidade e fez com que pessoas ficassem curiosas para ouvir o som d’A Caravana do Delírio.

Sobre os próximos projetos, A Caravana declara: “o que queremos agora é gravar um novo disco. Isso porque até agora só tivemos EPs. Temos várias músicas que ainda não foram gravadas, muitas ideias, mas o que falta é a grana mesmo, isto é, a produção. Também gostamos de trabalhar ao máximo as músicas e conseguir o melhor delas”. E Pablo complementa: “estamos esperando dar o sinal verde para que tenhamos essa grana e a base para começarmos a gravar o disco”.

A banda vinha fazendo shows até entrar em recesso, justamente para pensar e planejar a produção do CD. Nos shows, A Caravana do Delírio toca músicas inéditas, ainda não gravadas, além das que fazem parte do primeiro e do segundo EP. A banda já fez turnê em São Paulo com os seus próprios esforços, além de ter tocado no Abril pro Rock Club, em 2011, na noite de bandas apoio. A Caravana do Delírio fez primeiramente o seu show e, depois, fez o show como banda de apoio de Wander Wildner, compositor e cantor brasileiro.

Comentários

  1. Quando teremos show da caravana aqui?? (recife) Eles ja tem previsao para lancar o cd??

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    1. Olá, quando a matéria foi feita não havia nenhuma previsão. É possível que você encontre essas informações no Facebook deles.

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