Som da Terra

Cassio Sette
Por Raquel Freitas
Foto: Divulgação
Reflexo de uma época efervescente no Recife, o cantor Cassio Sette apresenta ao público recifense seu primeiro disco, intitulado O medo da Dor, de forma independente, com patrocínio do Sistema de Incentivo à Cultura do Recife. Pode-se dizer que o seu disco é um resumo de tudo o que foi construído na sua carreira. Ainda na década de 80, Cassio se apresentava em festivais de inverno da Universidade Católica de Pernambuco e nas escolas locais com a sua banda Tensão Vertical.  A banda, assim como os seus posteriores trabalhos, era influenciada por um repertório que inspira o cantor até hoje. “Eram autores daqui mesmo. Uma coisa influenciada por Ave Sangria, Secos e Molhados, Mutantes. Mas era uma coisa muito Recife. Isso era só influência”, afirma Cassio. Após dois anos, Cassio deixou a banda para seguir carreira solo. Foi neste momento que ele passou a “batalhar” pelos próprios shows. “Comecei logo em projetos como o Pinxinguinha, o projeto Seis e meia, e fiquei fazendo vários shows”, garante o cantor.

Paralelo aos projetos, ele fez alguns shows na Soparia do Pina de Roger. “Eu tive um CD na radiola de ficha da soparia, que era um época de muita efervescência. Isso no começo do movimento mangue”, relembra Cassio. Segundo o cantor, depois desse momento, houve uma parada. Para ele, a explicação para isso foi algo relacionado a uma estética que foi se dissolvendo. “As pessoas foram embora do Recife. Aqueles que tinham um trabalho mais consolidado foram para o Sudeste ou para a Europa”, explica. Assim como a maioria dos músicos locais, Cassio se deixou influenciar “positivamente” pela “nova” coisa que a cidade exalava através das músicas de Chico Science. “Como eu observei muito de perto, eu soube absorver as influências”, avalia.


Criado na Boa Vista, centro do Recife, Cassio fez das mutações da cidade o seu ambiente de inspirações. Ele passou a viver e a ter contato com cantores e bandas que seriam, no futuro, uma espécie de confluência para os seus trabalhos. A faixa “Sundae” de autoria de Almir de Oliveira e Marco Polo são bons exemplos de que a década de 70 continua impregnada na sua carreira. “Durante o tempo em que eu estava gravando os meus CD’s demo e fazendo os shows, eu passei a desenvolver meu repertório, conhecendo autores daqui. Uma grande influência minha é o Ave Sangria. Eu assisti o último show do Ave Sangria no Teatro de Santa Isabel. Isso na década de 70 e muito antes do movimento mangue”.

Produzido pelo contrabaixista e produtor Areia, o CD O medo da dor apresenta em seu repertório músicas de autoria do próprio Cassio Sette e de autores como Marco Polo, Almir de Oliveira, Fred Zeroquatro, Areia, Adriana Falcão, Genaro Lira, Marcelo Soares e Adelino Moreira. Com capa do artista plástico Jobalo, Cassio se cercou de músicos como o Xef Tony do Mundo Livre S/A, de Rodrigo Souza, Beto Ortis, Nilsinho Amarantes, Yuri Queiroga, da Orquestra Santa Massa, de Esdras dos Anjos e do próprio Areia, do Mundo Livre S/A. “Ele me ajuda muito na confecção do repertório. Foi inclusive Areia que me fez colocar minhas músicas no CD. Tem duas músicas minhas. Isto é, uma minha e outra em parceria com ele”, afirma Cassio sobre a importância do músico Areia para seu trabalho.

Um dos destaques do seu trabalho são as faixas “Só pra te ver sorrir", de autoria de Areia, e “Não chore palhaço", que é a única releitura de frevo presente no disco. O medo da dor é uma espécie de síntese da importância de Cassio Sette para a música pernambucana. É assim, dessa forma, já no primeiro disco, com o repertório coerente, que Cassio abre-alas para as suas próximas produções. 

Comentários

  1. Curto muito o som de Cassio Sette!!!É um cantor/interprete de primeira linha! Uma figura ímpar na música pernambucana! Felicidades...
    Rosana Simpson.

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