Gabriel Wickbold celebra 20 anos de trajetória com primeira exposição individual em Pernambuco, no Museu do Estado
“Imersão e Origem — 20 anos ATO I” reúne 60 obras do artista e será aberta nesta terça-feira (8), marcando sua primeira exposição individual em Pernambuco
Antes de serem fotografias, são perguntas. Quem somos quando olhamos para a própria imagem? O que permanece quando o corpo, o rosto e a memória podem ser transformados, sobrepostos ou até convertidos em dados? Há 20 anos, essas questões atravessam a produção do artista carioca Gabriel Wickbold e agora chegam ao Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), onde o artista apresenta sua primeira exposição individual no Recife.
“Imersão e Origem — 20 anos ATO I” abre nesta terça-feira (8), às 19h, com a presença do artista, reunindo cerca de 60 obras que percorrem diferentes fases de sua trajetória, das séries “Brasileiros”, “Sexual Colors”, “Naïve” e “Maze” ao inédito “Maze ID”, trabalho que aproxima sua investigação sobre identidade dos territórios da inteligência artificial e da biometria. A exposição ocupa até 27 de outubro o equipamento cultural do Governo de Pernambuco, gerido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
Embora esta seja sua primeira exposição individual no Estado, a relação de Gabriel Wickbold com Pernambuco não é recente. O artista já esteve no Estado em duas ocasiões: como convidado especial da Fliporto, quando apresentou oito fotografias, e na abertura da Galeria Maurício Redig. Agora, retorna ao Recife para apresentar, pela primeira vez, uma mostra individual que percorre 20 anos de sua pesquisa autoral.
Mais do que uma retrospectiva cronológica, “Imersão e Origem” propõe um mergulho nas questões que permanecem presentes no trabalho do artista ao longo dessas duas décadas. Corpo, identidade, memória, transformação, tecnologia e as relações entre indivíduo e sociedade atravessam as 60 obras reunidas na mostra, produzidas em diferentes períodos, técnicas e linguagens.
“São vinte anos de uma jornada imagética de busca pela identidade. As séries mudam, as imagens mudam, as técnicas mudam, mas existe uma pergunta que continua atravessando todo o trabalho: como podemos mudar tanto sem deixar de ser quem somos?”, afirma Gabriel Wickbold.
O percurso apresenta séries importantes da trajetória de Wickbold, como “Brasileiros”, um dos pontos de partida de sua pesquisa autoral; “Sexual Colors” em que corpo, tinta e fotografia se encontram em imagens de forte presença cromática; “Naïve”, que investiga as relações e tensões entre homem e natureza; e “Maze”, série dedicada à construção e desconstrução da identidade a partir da sobreposição de diferentes rostos, memórias e referências.
A exposição chega, então, ao universo de “Maze ID”, trabalho inédito que amplia essa investigação para questões contemporâneas relacionadas à inteligência artificial, à biometria e à circulação de imagens. Em uma sociedade em que rostos podem ser transformados em dados, reproduzidos, manipulados e recombinados, o artista tensiona os limites entre reconhecimento, memória, autoria e identidade.
No Mepe, essa trajetória ganha uma nova dimensão. A montagem rompe com a lógica de uma exposição organizada apenas pela sucessão de obras e propõe uma experiência de circulação entre imagens, espaços e projeções. O público é convidado a atravessar diferentes momentos da pesquisa de Wickbold, percebendo aproximações, permanências e transformações que conectam trabalhos produzidos ao longo de 20 anos.
É justamente nesse encontro entre passado e presente que o título da mostra ganha sentido. “Imersão e Origem” propõe voltar ao início não como exercício de nostalgia, mas como forma de compreender aquilo que permanece enquanto tudo ao redor se transforma. As técnicas, os suportes e os contextos mudam, mas seguem em cena questões centrais para o artista: a construção da identidade, o olhar sobre o próprio corpo e a maneira como as imagens participam daquilo que entendemos como nós mesmos.
Ao receber essa exposição, o Museu do Estado de Pernambuco amplia também seu papel como espaço de encontro entre o público e diferentes vertentes da produção artística de outros estados. Em um equipamento dedicado à preservação e à difusão do patrimônio e da cultura, a mostra cria uma ponte entre a memória e os debates do presente, entre aquilo que somos, aquilo que fomos e as imagens que produzimos para nos reconhecer.
Sobre o artista - Gabriel Wickbold, nascido no Rio de Janeiro em 1984, começou sua carreira como fotógrafo em 2006, após passar pela poesia e pela música. Ao longo de sua carreira, Wickbold produziu 6 séries autorais e tem em seu currículo exposições em cidades como São Paulo, Nova York, Estocolmo, Lisboa, Londres e Miami. Atualmente, mais de 15 de suas obras fazem parte de coleções permanentes de importantes museus, como Erarta (São Petersburgo, Rússia) e MAB (São Paulo, Brasil).
Em 2019, em uma parceria com a BMW, Wickbold expôs seu trabalho durante a semana da abertura da Paris Photo e, no mesmo ano, foi o fotógrafo homenageado no Xposure International Photography Festival, nos Emirados Árabes Unidos. Em 2020, tornou-se o artista mais jovem a apresentar uma exposição individual no Museu de Arte Brasileira da FAAP (MAB) e foi eleito um dos homens do ano na premiação “Men of the Year” da revista GQ. Hoje, figura entre os principais artistas brasileiros.
Serviço
Exposição Imersão e Origem — 20 anos ATO I | Gabriel Wickbold
Abertura: 8 de setembro, às 19h
Em cartaz: 9 de setembro a 27 de outubro de 2026
Local: Museu do Estado de Pernambuco (MEPE) — Recife/PE
Presença do artista: Gabriel Wickbold estará na abertura para entrevistas.
Patrocinadores: VELLAS – VCAPITAL CONSULTORIA E GESTÃO PATRIMONIAL
RFM
Apoio: Iquine, Rio Sol, Galeria Maurício Redig

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