Exposição de Pedro Índio transforma folguedos pernambucanos em arte no Compaz Ariano Suassuna


As cores, os movimentos e a ancestralidade das manifestações populares pernambucanas ocupam a Galeria Pedra do Reino, no Compaz Ariano Suassuna, no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife. Em cartaz até o
 dia 4 de outubro de 2026, a exposição “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, do artista Pedro Índio, apresenta ao público pinturas inspiradas no maracatu, no frevo, no pastoril, na ciranda e em outras expressões que integram o patrimônio cu   ltural do Estado. A visitação é gratuita.
 

A mostra convida crianças, jovens, educadores, pesquisadores, moradores e visitantes a conhecerem um trabalho dedicado à preservação da memória e à valorização das tradições nordestinas. Nas telas, corpos em movimento, indumentárias, instrumentos, ritos e personagens das manifestações populares são representados por meio de uma linguagem que transita entre o realismo e o simbolismo.

 

Mais do que reproduzir cenas festivas, Pedro Índio procura revelar os sentidos históricos e afetivos presentes nessas manifestações. As pinturas destacam a força coletiva dos folguedos e a contribuição de mestres, brincantes, grupos e comunidades responsáveis por manter esses conhecimentos vivos e transmiti-los entre gerações.

 

Pintor, escultor, entalhador, compositor e músico, Pedro Índio nasceu no Recife, vive em Olinda e é descendente do povo Fulni-ô, de Águas Belas, no Agreste pernambucano. Essa ligação com diferentes territórios e referências culturais está presente em sua trajetória artística, marcada pelo interesse pelas raízes populares, pela memória e pelos saberes tradicionais.

 

Para o pintor, arquiteto e crítico de arte Bernardo Dimenstein, a produção de Pedro Índio apresenta uma leitura direta, forte e sem artifícios. Dimenstein também ressaltava a multiplicidade de linguagens do artista e sua capacidade de deixar uma marca pessoal na pintura, no desenho, na gravura e na escultura.

 

Na exposição, o público encontra uma narrativa visual que ajuda a compreender a diferença e, ao mesmo tempo, a proximidade entre os conceitos de folclore e folguedo. O folclore reúne crenças, conhecimentos, histórias, costumes e modos de fazer compartilhados por uma comunidade. Os folguedos transformam parte desse patrimônio em música, dança, representação, religiosidade, celebração e convivência coletiva.

 

Em Pernambuco, essas expressões preservam referências indígenas, africanas e europeias, mas não permanecem paradas no tempo. Elas acompanham as transformações da sociedade, dialogam com as novas gerações e ganham diferentes formas nos territórios onde são recriadas. A exposição apresenta essa cultura como um patrimônio vivo, em permanente construção.

 

A presença da mostra em um equipamento público de convivência e cidadania também contribui para ampliar o acesso da população às artes visuais. Ao receber a exposição, o Compaz Ariano Suassuna aproxima a produção artística do cotidiano das famílias e transforma a galeria em um espaço de contemplação, conhecimento e formação cultural.


A curadora e gerente da Galeria Pedra do Reino, Ana Veloso, destaca que a exposição convida o público a reconhecer, por meio da arte, “a riqueza e a diversidade das tradições populares que permanecem vivas e se renovam no tempo”.

 

A iniciativa ganha relevância diante das dificuldades enfrentadas por muitas manifestações tradicionais para manter suas sedes, preservar acervos, renovar a participação de integrantes e assegurar condições adequadas de trabalho aos mestres e brincantes. Ao levar essas expressões para as telas e para uma publicação, Pedro Índio contribui para documentar práticas culturais que não podem depender apenas da memória oral ou dos períodos festivos para alcançar reconhecimento e visibilidade.

 

Obras em publicação - A exposição está relacionada ao livro “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, relançado durante a abertura da mostra, realizada em 1º de setembro. A publicação reúne 35 obras de Pedro Índio e uma pesquisa sobre manifestações culturais pernambucanas, com textos do historiador Antonio Campos.

 

Lançado originalmente em novembro de 2024, durante a Festa Literária Internacional de Pernambuco, a Fliporto, o livro nasceu como parte de um projeto de circulação e valorização da cultura popular incentivado pela Lei Rouanet. A obra reúne imagens e informações sobre manifestações como caboclinho, ciranda, frevo, pastoril e maracatu.

 

Voltada para estudantes, professores, pesquisadores, turistas e leitores interessados na diversidade cultural de Pernambuco, a publicação também conta com recursos de acessibilidade. Entre eles estão conteúdos com audiodescrição e material em inglês, que ampliam o acesso de pessoas com deficiência visual e de leitores estrangeiros.

 

A integração entre exposição e livro permite ao visitante observar as pinturas e conhecer as histórias, os personagens e os contextos relacionados a cada manifestação. O projeto evidencia ainda a natureza múltipla da produção de Pedro Índio, para quem pintura, música, pesquisa e cultura popular fazem parte de um mesmo processo de criação e pertencimento.

 

SERVIÇO

Exposição “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, de Pedro Índio

Período: até 4 de outubro de 2026

Visitação: diariamente, das 9h às 17h

Local: Galeria Pedra do Reino — Compaz Ariano Suassuna

Endereço: Avenida General San Martin, 1.208, Cordeiro, Recife

Entrada gratuita

 

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