Ana Lisboa e Cacá Mousinho expõe na Arte Plural Galeria
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| Ana Lisboa - Foto divulgação |
A Arte Plural Galeria inicia sua programação de agosto com a abertura de duas exposições individuais que apresentam diferentes investigações sobre matéria, memória, linguagem e forma. As mostras “Âmago – o íntimo das formas”, de Ana Lisboa , com curadoria de Carlos Newton Júnior, e “Avesso da Palavra”, de Cacá Mousinho , com curadoria de Bruna Rafaella Ferrer, serão inauguradas nesta terça-feira, 11 de agosto , às 18h, na sede da galeria, no Bairro do Recife. Com propostas poéticas distintas, as duas artistas transformam materiais, gestos e experiências em narrativas visuais que convidam o público à contemplação e à reflexão sobre diferentes formas de existência e expressão.
Abrindo a programação, “ Âmago – o íntimo das formas ” reúne obras que revelam a maturidade da pesquisa artística de Ana Lisboa. Reconhecida por sua trajetória de décadas como pintora, gravadora e professora do Departamento de Artes da Universidade Federal de Pernambuco, Ana apresenta uma produção em que desenho, pintura, gravura, instalações e diferentes procedimentos técnicos dialogam em uma investigação sensível sobre paisagem, natureza e permanência.
Com domínio refinado do ofício e uma linguagem construída ao longo de anos de pesquisa, a artista convida o público a ultrapassar a superfície das imagens para perceber aquilo que está em seu interior — o “âmago” das formas. Texturas, volumes, linhas e movimentos conduzem o olhar para uma experiência contemplativa, em que a paisagem figurativa se transforma em uma quase abstração, revelando sua estrutura íntima e sua energia interna.
“São linguagens distintas, mas que carregam um conteúdo simbólico, poético, muito próprio. O fio condutor desses trabalhos seria a experiência vivida e transformada em linguagem visual. E o meu percurso permeia por uma inquietação, uma pesquisa sobre o urbano, a arquitetura, e como esse urbano é essa arquitetura são transformados em memória, em poética, em meu processo criativo” descreve a artista.
Segundo o curador Carlos Newton Júnior, a obra de Ana Lisboa desperta um olhar poético capaz de “auscultar o íntimo das formas”. Em seus trabalhos, a observação da natureza vai além da representação, propondo uma relação de profunda integração entre artista e paisagem. Razão e emoção se equilibram em uma produção marcada pelo rigor técnico e pela delicadeza formal, conferindo à sua obra um caráter contemporâneo e, ao mesmo tempo, clássico.
Outro destaque da programação é também o retorno da artista visual, educadora e ativista Cacá Mousinho ao circuito expositivo recifense. Depois de viver durante dez anos entre Recife e São Paulo, onde desenvolveu uma intensa atuação artística e social, a artista voltou definitivamente à capital pernambucana em dezembro do ano passado. Desde então, participou de duas exposições coletivas, mas “Avesso da Palavra” marca sua primeira exposição individual desde esse retorno, transformando a mostra em um momento simbólico de reencontro com a cidade e com o público pernambucano. "Entre moradias e ruas de São Paulo e Recife, Cacá Mousinho encontra nos achados da cidade um campo de experimentação poética e, no encontro, um princípio fundamental de sua investigação. Em uma expansão da casa-ateliê, que é também retração da rua no espaço íntimo, observa, coleta, cataloga e desmembra fragmentos, enfim, implode cuidadosamente vestígios que são então reprogramados em novos circuitos de sentido. Uma prática de 'escuta com os olhos', que aproxima o fazer artístico dos saberes das manufaturas industriais", adianta a curadora Bruna Ferrer.
| Cacá Mousinho - Foto divulgação |
A mostra nasce da maneira como a artista constrói sua própria relação com o mundo. O encontro é o eixo central de sua pesquisa artística. Objetos encontrados nas ruas, materiais marcados pelo tempo, filtros de café, saquinhos de chá, tacos de madeira e palavras ouvidas em conversas cotidianas são incorporados à obra por meio de um processo de escuta, observação e transformação.
“Meu trabalho se dá na relação com o outro e com os objetos. O encontro é uma chave da minha poética. É nele que acontece o deslocamento. O objeto deixa de cumprir sua função original para adquirir outro sentido, outra existência. Esse movimento também acontece comigo, porque ao encontrar esse objeto eu também me transformo”, explica a artista.
Na exposição, esse processo aparece em obras construídas a partir de acervos afetivos reunidos ao longo dos anos. Um conjunto de antigos tacos de madeira, que já foram chão de uma casa, transforma-se em uma instalação que assume a forma de uma janela. Em outra série, palavras coletadas em conversas com amigos são escritas com linha sobre saquinhos de chá, criando um arquivo poético de memórias e encontros.
Para Cacá, caminhar pela cidade, encontrar as pessoas e cultivar a escuta fazem parte do próprio fazer artístico. “A arte é uma forma de resolver essas relações, essas memórias e as saudades. Carrego comigo tudo o que ouvi, tudo o que vi e todas as pessoas que passaram pela minha vida e também as que vão chegar. O desenho e o encontro são fundamentais no meu processo artístico. Desenhar é uma forma de escrever a própria vida”, afirma.
A abertura das duas exposições reafirma a vocação da Arte Plural Galeria para apresentar pesquisas autorais consistentes e promover o encontro entre artistas, curadores e público, fortalecendo o diálogo em torno da produção contemporânea brasileira.
SERVIÇO:
Abertura das exposições “Âmago – o íntimo das formas”, de Ana Lisboa, e “Avesso da Palavra”, de Cacá Mousinho
Data: 11 de agosto
Horário: 18h
Local: Arte Plural Galeria – Bairro do Recife
Visitação: segunda à sexta 9h às 18h, e sábados 14h às 18h.

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