Mostra pernambucana “Da Próxima Vez, O Fogo!” valoriza povos da África com ilustrações e trilhas sonoras de jazz


 

Com visitação gratuita no Cais do Sertão (centro do Recife) e em cartaz até o dia 29 de março (domingo), exposição autoral é assinada pelo artista visual Laos, recifense da comunidade de Brasília Teimosa; são 36 obras com Quênia, Etiópia, Mali, Níger, Guiné, Sudão e Sudão do Sul 


A exposição “Da Próxima Vez, O Fogo!” é composta por ilustrações autorais em nanquim bico de pena, com rostos, ornamentos, gestos, símbolos e reinvenções dos povos do Quênia, Etiópia, Mali, Níger, Guiné, Sudão e Sudão do Sul, países do continente africano. Realizada pelo artista visual pernambucano Laos, a mostra está acontecendo na galeria Espaço Cactus, no térreo do Cais do Sertão (Bairro do Recife). A entrada é gratuita e fica em cartaz até o dia 29 de março (domingo). 


Ele traz artisticamente a diversidade da África. Vale lembrar que ao todo são 54 países no continente africano. Mali, Níger e Guiné, por exemplo, localizam-se no oeste/ocidental. Já Quênia, Etiópia e Sudão do Sul situam-se no leste/oriental, enquanto o Sudão encontra-se no norte/setentrional. A mostra está aberta para visitação nos horários e dias de funcionamento do Cais do Sertão (Avenida Alfredo Lisboa, Bairro do Recife, Armazém 10): 10h às 16h (de terça-feira a sexta-feira); 13h às 18h (sábado e domingo); e toda última quinta-feira do mês as atividades são estendidas das 10h às 20h.


“Há traços que vêm de tão longe que não cabem apenas na mão: atravessam o corpo, a memória e o tempo. O traço é rito, corpo, passagem e marca levante. Cada obra é um gesto de resgate e encontro sopro que retorna para lembrar que aquilo que ardeu, ainda arde e insiste em se fazer chama. Essas linhas ancestrais são como quem acende brasas antigas para iluminar o agora. Uma promessa de que histórias não terminam onde será fogo. Tentaram apagá-las. Elas insistem, brilham e ardem. Porque da próxima vez, será fogo!”, apresenta Laos, que também é ilustrador. 


Inspirada no livro “Da Próxima Vez, O Fogo” (1963), de James Baldwin, a exposição também é pensada como caminho de reconexão e afirmação cultural, sobretudo pela referência ao imaginário ancestral afro-brasileiro. Com a realização da mostra, consequentemente a identidade negra é fortalecida, preservando memórias coletivas e destacando sua história enquanto povo. Pharoah Sanders (saxofonista), Alice Coltrane (pianista), John Coltrane (saxofonista e compositor) e os diálogos com a musicalidade de matriz afro-diaspórica são inspirações para o processo criativo do fazer das obras. 


Natural do Recife, Laos é da comunidade Brasília Teimosa, no bairro do Pina, na Zona Sul da cidade. Essa é a sua primeira exposição solo como profissional autoral de artes visuais, com uma série formada por 36 ilustrações, sendo quase todas em preto e branco. Apenas três têm um fundo aquarelado. 


“Sentindo as memórias, há ecos e chamados de Baldwin, há o sopro livre de Pharoah Sanders e Naná Vasconcelos, há o rumor e os banhos da maré de Brasília Teimosa. A mostra valoriza a riqueza do reconhecer-se, traz marcas de quem somos e tem atenção com o futuro que precisamos incendiar, em nós e no todo. As obras não dão respostas, elas oferecem caminhos, feitos de linhas que tremem, afirmam e anunciam”, declara Laos. 


As obras, produções artísticas e estudos de Laos conectam-se com pautas de raça, memória, ancestralidade, materialidade do corpo e resistência cultural. Ele mexe com ilustração, pintura, gravura e instalações artísticas, além de colaborações no cinema. Laércio Eduardo Nascimento, artisticamente conhecido como Laos, também é tatuador e artesão. As suas artes são feitas a mão. Inclusive, esse saber é um repasse do seu pai, com o conhecimento sendo compartilhado e ao mesmo tempo atualizado.   


“A gente atua por meio de técnicas manuais de desenho, dialogando em conjunto com a tecnologia e suas mudanças e adaptações. Nossas articulações são pela arte, memória e identidade”, acrescenta o artista visual. 


Aberta desde o dia 20 de janeiro deste ano, a exposição “Da Próxima Vez, O Fogo!” tem a curadoria assinada pela produtora cultural pernambucana Isabela Reis, além da produção e comunicação da Afinco Produções (PE). A mostra reúne incentivo público, com financiamento do edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura, Governo Federal, Governo do Estado de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE), assim como a parceria da Empetur (Empresa de Turismo de Pernambuco) e do Cais do Sertão. 


Musicalidade


Praticamente ao lado de todas as obras, a exposição disponibiliza QR Code com trilhas sonoras do gênero musical jazz, reunindo artistas como Pharoah Sanders (músicas - “Yemenja”; “Lets Us Go Into The House Of The Lord”;”Thembi”; “Love Is Everywhere”; “Colors”; “Soon”); Alice Coltrane (“Ptah, The El Daoud”; “Lord Of Lords”; “Andromeda's Suffering”; “The Sun”; “IHS”; “Blue Nile”); Ornette Coleman (“What Reason Could I Give”); Nikki Giovanni (“Just A NY Poem”; “Seduction/Kidnap Poem”); Miles Davis (“Calypso Frelimo”; “Shhh/Peaceful”; “He Loved Him Madly”; “Improvisation #2 - Live at the Cellar Door, Washington, DC (2nd Set) - December 17,1970”); Keith Jarrett (“Gypsy Moth”; “Common Mama”); Eric Dolphy (“Inner Flight No.1”); Don Cherry, Latif Kahn (“Sangam”); Archie Shepp (“Blase”); Hermeto Pascoal (“São Jorge”); Erik Satie, Olof Höjer (“Petite ouverture à danser: Petite Ouverture a danser”); Gil Scott-Heron, Makaya McCraven (“This Can't Be Real”); e Roze (“Estrada das Missões”).


“Na mostra também destacamos a pulsação poética e política, ampliando o sentido de liberdade e resistência presente nos traços”, completa Laos. 


Exposição “Da Próxima Vez, o Fogo!” (PE) - 2026 - por Laos (artista visual)


Em cartaz: até o dia 29 de março de 2026 (domingo)


Local: galeria Espaço Cactus (térreo do Cais do Sertão - endereço: Avenida Alfredo Lisboa, Bairro do Recife, Armazém 10) 


Entrada para visitação: gratuita


Horário de funcionamento do Cais do Sertão: 10h às 16h (de terça-feira a sexta-feira); 13h às 18h (sábado e domingo); toda última quinta-feira do mês o horário é estendido das 10h às 20h. 


Ficha técnica


Artista: Laos 

Curadoria: Isabela Reis

Produção e comunicação: Afinco Produções

Arte de divulgação/cartaz: Marcos Haas

Assessoria de imprensa: Daniel Lima

Incentivo público: financiamento do edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura, Governo Federal, Governo do Estado de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE)

Parceria: Empetur e Cais do Sertão 

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