Comédia musical Memórias Póstumas de Brás Cubas com Marcos Damigo em única apresentação no Recife

Foto divulgação 

 Adaptação da obra homônima de Machado de Assis rendeu ao intérprete Marcos Damigo indicações aos prêmios APCA e Aplauso Brasil.

Com direção de Regina Galdino e interpretação de Marcos Damigo, a comédia musical Memórias Póstumas de Brás Cubas irá se apresentar no Teatro do Parque, em Recife, com ingressos populares.

Com quase cem sessões desde a sua estreia, o espetáculo tem circulado o país em teatros lotados e teve o seu maior público no Festival de Inverno de Garanhuns, apresentado para quase 500 pessoas. “No Recife, esperamos bater esse recorde, fazendo jus à cidade com o maior carnaval do mundo”, brinca Damigo. E complementa: “Apresentar no centenário Teatro do Parque, para uma platéia de 800 pessoas, será com certeza uma experiência inesquecível para mim e para o público.”

Adaptado pela diretora, o texto destaca a atualidade do célebre defunto autor que nunca precisou “comprar o pão com o suor de seu rosto”, como ele mesmo diz. Brás Cubas assume ter sido um aristocrata medíocre e, com a sinceridade de quem “já passou para o outro lado da vida”, conquista a empatia do público através do riso. A montagem traz uma visão moderna do romance baseada na carnavalização, salientando seu aspecto cômico-fantástico. A encenação realiza uma conversa entre quatro artes: o teatro, a literatura, a dança e a música.

Em um solo vibrante, Marcos Damigo vive um Brás Cubas bem-humorado, irreverente, egoísta e amoral. Com uma narrativa fiel à obra original, o personagem dialoga com a plateia, canta, dança, discorre sobre seus envolvimentos amorosos e episódios de sua vida enquanto passeia pelas agruras da sociedade de seu tempo. “A recepção do público sempre foi ótima, e foi unânime o impacto causado pelo trabalho de Damigo, ator que está na plenitude do uso de seus recursos vocais e corporais para interpretar o imprevisível Brás Cubas, em cenas ora sérias, ora cômicas, ora fantásticas, ora musicais”, afirma Regina Galdino.

A equipe conta com profissionais consagrados do teatro brasileiro: além de Damigo, que tem mais de 30 anos de experiência, o diretor musical e arranjador Pedro Paulo Bogossian, que trabalhou as músicas originais da peça criadas por Mário Manga, e o premiado Fábio Namatame no figurino. Regina Galdino assinou e dirigiu, em 1998, uma montagem desta mesma adaptação, interpretada por Cássio Scapin, quando o espetáculo recebeu vários prêmios e elogios da crítica.

FICHA TÉCNICA - Direção e adaptação de texto: Regina Galdino. Elenco: Marcos Damigo. Música original: Mário Manga. Direção musical, arranjos e trilha sonora: Pedro Paulo Bogossian. Figurino: Fábio Namatame. Coreografia: Marcos Damigo. Consultoria de movimento: Roberto Alencar. Iluminação e cenografia: Regina Galdino. Execução cenográfica: Luis Rossi. Fotos: Alex Silva Jr.. Realização: Oasis Empreendimentos Artísticos e Damigo Produções Artísticas. Estreia oficial: 20/07/2017 (Teatro Eva Herz, SP).

Críticas

Dirceu Alves Jr., jornalista e crítico de teatro da Veja São Paulo, 21/07/2017

“O espetáculo respeita e valoriza ao extremo as palavras de Machado, e Marcos Damigo reafirma talento. Surpreende como um bom interlocutor para a mensagem da obra-prima, publicada em 1881, e a confirma como assustadoramente atual. (...) Em uma composição que apresenta Brás Cubas como misto de clown e fantasma, o intérprete valoriza o trabalho corporal em uma linha cínica que conversa plenamente com os tipos da sociedade dos nossos tempos.”

Edgar Olimpio de Souza, crítico da Revista Stravaganza e membro do Prêmio APCA, 08/08/2017

“A potência e o viço dessa releitura teatral residem justamente na sua capacidade de traduzir com perspicácia o universo abordado pelo romancista. No caso, as entranhas da sociedade carioca daqueles tempos, povoada por uma elite liberal na aparência e predadora em suas atitudes, afeita ao acúmulo de riquezas e tenaz defensora de seus privilégios de classe. O público acompanha uma representação bem humorada, um afiado retrato do comportamento amoral da alta-roda, entrecortada por canções sofisticadamente desabusadas, compostas pelo músico Mário Manga, ex-Premeditando o Breque. Um repertório que passeia por gêneros musicais diversos – a música Virgília, por exemplo, é deliciosamente interpretada no estilo canto-falado da bossa nova. (...) Envergando um figurino desenhado à base de retalhos, que simboliza um corpo marcado por tripas expostas, Marcos Damigo desempenha com desembaraço, descontração e meticulosa composição corporal. Na pele dessa criatura farsesca, meio clownesca, que nunca se deixa retrair, ele conquista a audiência desde o início da apresentação. É um ator mergulhado na criação, que canta, dança, equilibra-se de cabeça para baixo. Capaz de, num olhar, mudar a expressão e gerar nuances variadas, transitando da paixão descontrolada ao egoísmo, da razão à sandice.”

Michel Fernandes, do blog Aplauso Brasil, 20/09/2017

“(...) o ator, ao dar vida ao narrador-defunto, utiliza-se de poucos objetos de cena e muito de seu domínio corporal e vocal para narrar a obra. (...) Regina Galdino assina a direção da montagem que celebra 20 anos da encenação anterior, a qual também dirigiu, e não faz concessões para o riso fácil e “truques” facilitadores que dariam efeito certeiro, antes trilha o caminho de “montadora” dos recursos que o ator oferece. A bossa nova escolhida como tema em um determinado momento, além de um inteligente recurso cômico ao momento, também é uma ironia ao próprio gênero musical. Por essas e outras, recomendo que os amantes do bom teatro não percam o espetáculo.”

Serviço

Espetáculo: Memórias Póstumas de Brás Cubas

Festival Janeiro de Grandes Espetáculos

Única apresentação: 9 de janeiro de 2026 (sexta-feira)

Horário: 19 horas

Local: Teatro do Parque (Rua do Hospício, nº 81, Boa Vista, Recife)

Ingressos: R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia entrada)

Link para vendas: https://www.sympla.com.br/evento/memorias-postumas-de-bras-cubas/3180048

Duração: 85 min.

Gênero: Comédia musical.

Classificação: 14 anos.

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