Documentário sobre Consuella, uma das travestis mais famosas do Recife, ganha exibição no Cinema da Fundação, no Derby
“Consuella”, curta-metragem pernambucano do diretor Alexandre Figueirôa, ganha nova sessão gratuita, no dia 18 de setembro, a partir das 19h30. O Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, no Derby, exibe o filme, com a presença do diretor, seguido de debate com o coordenador do Cinema da Fundaj, Luiz Joaquim. Nas décadas de 80 e 90, Consuelo foi a travesti mais famosa da capital pernambucana. Ainda jovem, aprendeu a arte da maquiagem com Múcio Catão e depois foi morar no Rio de Janeiro, onde trabalhou como maquiadora na televisão e no teatro.
De lá, seguindo os mesmos passos de Rogéria, Jane Di Castro, Roberta Vermont, entre outras, foi para a França onde fez sua transição e se tornou vedete dos famosos cabarés parisienses Carrossel de Paris e Chez Madame Arthur. A partir daí, todos os anos vinha ao Recife no período do carnaval, participando dos concursos de fantasia do Baile Municipal e ganhando prêmios com caracterizações que exploravam sua sensualidade.
Conhecida como Consuella de Paris, ela foi a “mami” de outras jovens travestis pernambucanas e graças a sua fama e ousadia, ganhou popularidade, virou notícia nos jornais e não se dobrou à intolerância, contribuindo para atenuar o preconceito contra a comunidade LGBTQIAPN+.
Com realização da Revista O Grito! e apoio do coletivo Surto & Deslumbramento e da Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco, o documentário foi desenvolvido a partir de entrevistas com quem conviveu com a artista. “A partir de fotos e depoimentos de quem conviveu com ela, recuperamos um pouco da história dessa figura quase lendária das noites alegres do Recife”, ressalta o diretor Alexandre Figueirôa.
A história e a memória de Consuelo são contadas por meio dos relatos de amigos como Moacyr Freire, Paulo Carvalho, Márcia Vogue, Christiane Falcão, além do jornalista Mucíolo Ferreira.
Além de Figueirôa nas funções de direção e roteiro, a equipe do filme é formada ainda por Jonatan Oliveira na direção de fotografia, João Maria na montagem e finalização, Chico Lacerda no som direto, Túlio Vasconcelos na direção de produção e André Antônio foi o responsável pela direção de arte do curta.
A obra segue também o caminho de outros trabalhos audiovisuais que Figueirôa tem realizado – “Eternamente Elza” (2013), “Kibe Lanches” (2017), “Piu Piu (2019), “Recife, Marrocos” (2022) – no sentido de trazer aos dias de hoje, personagens que, bem antes das conquistas dos movimentos LGBTQIAPN+, assumiram de alguma forma, uma atitude pioneira e libertária, diante da forte discriminação e opressão contra essa comunidade.

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