Secult-PE celebra o folclore nordestino com live em homenagem a Mário Souto Maior
No domingo, 22 de agosto, comemora-se o Dia do Folclore e, para lembrar a data, a Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) realiza a live “Folclore nordestino, uma paixão: Mário Souto Maior”. O programa, que irá ao ar na terça (24), às 19h, pelo canal da Secult-PE no Youtube, abordará a vida e o legado de um dos maiores estudiosos da cultura popular do Nordeste: o advogado, pesquisador, educador, escritor e folclorista pernambucano, Mário Souto Maior, falecido em 2001.
Os convidados são Jan Souto Maior, filho de Mário, guardião do acervo do pai e responsável por um site onde se tem acesso a boa parte de sua obra, e Rúbia Lóssio, socióloga, ex-estagiária do pesquisador e co-autora, junto com “Dr. Souto”, como ela o chama, de ‘Dicionário de folclore para estudantes’. O secretário de Cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto, é o mediador da conversa.
“Mário Souto Maior foi um dos maiores folcloristas de seu tempo. Sua obra conta a história do povo pernambucano através do folclore. Foi amigo pessoal de meu avô, Gilberto Freyre, que escreveu o prefácio de seu livro mais polêmico, ‘Dicionário do palavrão e termos afins’. Os originais chegaram a ser proibidos por cinco anos pela censura e liberados em 1979, um símbolo de resistência cultural à época. Falar de Mário Souto Maior é falar sobre cultura popular nordestina, amor à literatura e à educação”, diz o secretário.
Em suas mais de 70 obras, Mário Souto Maior aborda um universo bem nordestino, repleto de lendas, costumes, comidas e bebidas típicas, vestuário, adivinhações, provérbios e filosofia popular. Nascido em Bom Jardim, no Agreste de Pernambuco, em 1920, era fascinado pela própria infância de pé na terra e fruta no pé. Tirava dinheiro do próprio bolso para editar suas obras e distribuí-las em escolas e bibliotecas. Tinha grande preocupação com a educação.
Segundo o próprio Mário, conforme conta em ‘Como nasce um cabra da peste’, começou a se interessar pelo folclore quando já trabalhava no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais e o diretor Mauro Mota lhe pediu que escrevesse um artigo sobre folclore, no final dos anos 1960. “Descobri então o mundo maravilhoso do folclore, meu mundo de menino. E, como numa tentativa de voltar ao passado e também para matar a saudade, comecei a trabalhar no ‘Cachaça’, no ‘Presença do alfenim no Nordeste brasileiro’, no ‘Como nasce um cabra da peste’ e nos que ainda estão sem título. Aí está a minha vida.”
Jan, que é o quinto filho de Mário (são sete no total), lembra que o pai “era um homem simples, sem grandes ambições, honesto, generoso, que vivia para sua família, para seu trabalho, para seus livros. Fazia tudo com a maior dedicação possível e da melhor maneira que podia fazer, sem ser perfeccionista. Todas as histórias que contava, que usava para nos educar e ensinar lições, eram baseadas naquilo que ele viu e viveu em suas andanças. Meu pai era um colecionador de informações e histórias”. Segundo Jan, Mário tinha tanto zelo por cada obra que escrevia que, quando a editora entregava um livro novo, ele guardava embaixo do seu travesseiro.
Outra
pessoa que conviveu bem de perto com o folclorista foi Rúbia Lóssio, sua
estagiária de 1998 a 2001 e que, quando ele morreu, assumiu seu lugar como coordenadora
do núcleo de estudos folclóricos da Fundação Joaquim Nabuco. "Ele gostava
muito de escrever para a sociedade, para as pessoas. Não gostava muito de
textos acadêmicos, então ele escrevia de modo muito simples para que todos
tivessem acesso. Ele era apaixonado pelo folclore por ter um olhar sensível
para os detalhes do ser humano, para os detalhes da vida viva. Ele via
detalhes que as pessoas não viam.”
Uma vez,
perguntou para o mestre qual seria o segredo da longevidade. Dr. Souto lhe
respondeu que era conviver com as gerações: crianças, adolescentes, adultos e
idosos e estar apaixonado pelo que faz, além de amar as plantas, os animais e a
natureza. Rúbia lembra, com afeto, que ele gostava de gravar fitas cassete com
músicas de cantoras como Dalva de Oliveira e Elizeth Cardoso, mas também de
artistas que faziam sucesso com os mais jovens, como Sade e A-ha. “Ele tinha
uma ponte entre o passado, o presente e o futuro. Essa dimensão dele pra mim
era uma coisa impressionante”.
Webprograma “Cultura em Rede”
Realizado
pelo Núcleo Digital da Secretaria de Cultura de Pernambuco, o webprograma
“Cultura em Rede” traz, sempre às terças-feiras, debates sobre temas relevantes
da cultura pernambucana e nacional. A live vai ao ar tanto no canal da
Secult-PE no Youtube, quanto no Facebook.
Serviço:
Quando? 24/08/2021, às 19h
Onde? No canal da Secult-PE no Youtube: https://www.youtube.com/user/SecultPE
Minibios dos participantes:
Rúbia Lóssio
Graduada em Ciências Sociais com ênfase em Sociologia Rural pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural pela UFRPE e doutorado em Sociologia pela UFPB. Trabalhou na Fundação Joaquim Nabuco na Coordenação dos Estudos das Culturas Populares Mário Souto Maior. Foi professora da Faculdade Luso-Brasileira. É membro da Comissão Pernambucana de Folclore e da Organização Internacional de Folclore e Arte Popular.
Jan Souto Maior
Trabalhou durante 32 anos na área de Tecnologia da Informação (TI) da Fundação Joaquim Nabuco, de onde se aposentou em 2019. Atualmente é gerente de TI na Urbano Vitalino Advogados e consultor para outras empresas. É filho de Mário Souto Maior e guardião de seu acervo, que está disponibilizado no site http://www.soutomaior.eti.br/.
Mediador: Gilberto Freyre Neto
É administrador de empresas, formado pela Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE). Tem especialização em gestão cultural pela escola
francesa AGECIF, de Paris. Trabalhou na implantação e gestão do Museu Cais do
Sertão. Foi coordenador de projetos especiais da Fundação Gilberto Freyre e
assumiu a Secretaria de Cultura de Pernambuco em janeiro de 2019.
Fonte: assessoria de imprensa/Fundarpe





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