Revelação da nova cena pernambucana, Mazuli lança seu primeiro álbum
Com repertório
inteiramente autoral em canções que não têm medo de amar, disco sai pela
Tratore, lançado na última sexta-feira (27), e traz 11 faixas solo ou em
parcerias com nomes como Juliano Holanda
Mazuli.
Direto ao ponto. Nome único que batiza o artista e o primeiro disco. A carta de
intenções é clara: “E diga que me quer, ainda que seja mal”, canta na
faixa de abertura ‘Raspe com a colher’ (Mazuli/Guilherme Barreto). Com dois
anos de carreira, Mazuli quer ser o que se é. Em repertório inteiramente
autoral, transborda vida. “Esse disco é de uma pessoa que tem muito medo, mas
ainda assim se joga. Como falo na canção ‘Truman’, vi o precipício e
pulei”. Mazuli não nega o medo, mas segue adiante. Maturidade precoce
para um garoto de 25 anos, que se revela quando o disco chega às plataformas
digitais, pela Tratore.
O importante é ter história para contar. E o disco está cheio delas, reflexo de
um artista que se apaixonou por música muito cedo. Neto de um
baterista, Mazuli recorda de suas idas constantes a Itamaracá, famosa
ilha de Pernambuco. Entre as cirandas da célebre Lia e as músicas escutadas nos
seguidos dias da viagem, o menino foi descobrindo seu talento. “Aos oito anos,
fiz dois meses de aula de violão, mas, quando decorei os primeiros acordes,
abandonei o professor e comecei a tocar sozinho”, revela. A certeza que a
música seria sua fé e profissão veio aos 19 anos, já cursando a faculdade de
direito. “Cheguei a me formar, mas terminei só por terminar, já sabia que seria
cantor”.

Foto crédito Luma Torre
A escolha de um repertório inteiramente autoral não é por acaso. A poesia é seu
Norte. “A ideia de ser cantor nasceu a partir da composição. A palavra sempre
foi muito importante. A partir dela, vou criando as melodias. Comecei a cantar
para dizer aquilo que escrevo, é o que me instiga”. E foi colocando suas
vivências no papel, ouvindo Lirinha, Cidadão Instigado, Chico Buarque, Toquinho
e Vinicius de Moraes, entre tantos outros, que Mazuli encontrou sua
melhor versão. “Todos esses artistas me inspiram muito, mas, na verdade,
componho pensando em samba ou brega. Na minha mente, sempre vem um Gonzaguinha,
um Odair José”, brinca.
Natural de Recife e integrante da Reverbo (mostra de música autoral,
contemporânea e coletiva pernambucana), Mazuli traz Pernambuco impresso
na fala, em seu dna, mas a sonoridade vai além do que se convencionou chamar
“regional’, com uma embalagem mais ‘pop’, embora todos esses rótulos sejam
sempre amarras e Mazuli aspira liberdade. A inspiração vai de Céu a
Lenine, passando por Otto, com quem gravou o single ‘8 ou 80’, em setembro de
2020. As dores e cores do amor são embrulhadas na direção musical de Pedro
Liao, com co-produção de Carlos Filizola. É pop na acepção da palavra, na sua
capacidade de ser popular, melodias que conquistam fácil os ouvidos, refrões
que não têm medo de ser cantarolados e de grudar na cabeça.
O primeiro disco, com 11 faixas assinadas somente por Mazuli ou com
parceiros, é um reflexo dessa multiplicidade de referências. ‘Raspe com a
colher’ é o primeiro single e ganhou clipe com direção de Cezar Maia (https://www.youtube.com/watch?v=gjdtFm-9a4M).
Como diz a canção, “conte uma história, nem que seja uma tragédia”.
Intuitivamente, Mazuli segue uma tradição da música popular
brasileira que clama por vida, ainda que dolorida. Assim como na clássica
‘Emoções’, de Roberto Carlos”, ou na novíssima ‘Prudência’, de Tim Bernardes,
gravada por Bethânia: “as paixões que me descontrolaram foi o que fizeram
eu ser como eu sou”.
Canais Mazuli
Youtube Oficial:
https://www.youtube.com/channel/UCdzjKBvzDA1w_vl0wbBXTMQ
Clipe ‘Raspe com a colher’: https://www.youtube.com/watch?v=gjdtFm-9a4M
Clipe ‘Entre eu e você’: https://www.youtube.com/watch?v=hpvuUtp2KDE

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