Thera Blue e Gabi da Pele Preta lançam novo single

 


  

Cantor e compositor natural de Caruaru e radicado em São Paulo lança música e videoclipe ao lado de artista conterrânea, um manifesto audiovisual contra o preconceito racial e religioso

 

Qual o ponto de encontro entre o ser humano e sua essência? O cantor e compositor pernambucano Thera Blue se indaga e se responde em forma de música e vídeo. Está no ar o novo trabalho do pernambucano radicado em São Paulo – na canção “Recados”, lançada no último 21 de dezembro, Thera Blue e a conterrânea Gabi da Pele Preta saúdam Exu, divindade do Candomblé, em um canto de existência da negritude e das religiões afro-brasileiras. A música também ganha um videoclipe que pede basta ao preconceito contra a cultura negra. 

A canção foi feita por Thera Blue junto ao parceiro de composição Isaac Maia, de forma despretensiosa e espontânea, durante passagem pelo Recife. Blue, que vive em São Paulo há 35 anos, enxergou nos versos simples dedicados a Exu uma forma de honrar suas raízes e trazer empoderamento ao povo negro. “Sabe quando uma energia quer se soltar, mas está represada? ‘Recados’ estava inquietando dentro de mim”, explica o artista. 

Exu é o conhecido na religiosidade afro-brasileira como orixá das encruzilhadas, que rege os inícios e os caminhos. Na ótica cristã e colonizadora, a entidade é frequentemente associada ao diabo, uma visão estigmatizada que demoniza os cultos de matriz africana e acirra o preconceito racial e de crença religiosa. Em “Recados”, Exu é metáfora para a negritude, que deseja viver e revelar sua essência, mas é violentada cotidianamente.

“A canção é um pedido de respeito e empatia, e, ao mesmo tempo, um instrumento para mostrar a beleza, a fé e a verdade do povo negro”, comenta Thera Blue. A faixa foi produzida remotamente durante a quarentena, e reúne elementos próprios da canção brasileira e sonoridades da cultura africana. Uma sutileza poética que convoca a paz e a boa relação entre os povos originários do Brasil. 

Thera Blue assina a produção, que conta com guitarra e violão de Pedro Vivant e percussões de Beto Bala – músicos oriundos do Balé Majê Molê, tradicional grupo de dança afro de Peixinhos, Olinda/PE –; contrabaixo e edição pelo cantautor Vertin Moura; participação especial de Gabi da Pele Preta, cantora de Caruaru/PE, terra natal de Blue, com quem divide os vocais; mixagem e masterização por Chris Lemgruber. 

Com dois discos – “Ser Tão Psicodélico” (2002) e “Thera Blue” (2008) – e 1 DVD gravados – Ao vivo no Sesc Santo Amaro, no Recife (2011) – “Recados” prepara Blue para um novo momento de sua carreira. Para 2021, o artista prevê o lançamento de um segundo single, “Aquela Canção”, que prepara a vinda de seu terceiro disco, “Belê”. As novidades chegam ao público ainda no primeiro semestre do ano. Celebrando 51 anos de vida, Blue, que já transitou entre rock, MPB e blues, se reinventa mais uma vez – “a minha loucura é o que me salva”, diz ele. 

VIDEOCLIPE – Dois artistas negres e nordestinos dançando na chuva, em pleno centro de São Paulo, celebrando a vida, a liberdade e a existência. Essa imagem é contrassenso no mundo real, mas ganhou as telas do YouTube na última segunda-feira (21/12), com o lançamento do videoclipe de “Recados”. Transpondo o universo da música para vídeo, a obra mostra a relação da negritude com suas raízes através do imaginário do orixá Exu, entidade cultuada no Candomblé. 

Idealizado por Giulia Del Bel e Luciana Barreto, o videoclipe intercala imagens que unem o sagrado e a matéria. Em cenas gravadas no Parque Ibirapuera, o compositor Isaac Maia dá vida ao Exu reinando na mata; a bailarina Taciana Bastos representa os seres encantados da natureza, que dançam e vibram em pura energia. Enquanto isso, sob o elevado da Rua Amaral Gurgel, na Vila Buarque, região central de São Paulo, o ator Ítalo Martins leva um recado a Thera Blue, que o desperta para dançar sob a chuva com Gabi da Pele Preta. Lirismo, acolhimento e libertação. 

Composta por elenco negro, o videoclipe de “Recados”, assim como a música, encampa o renascimento da negritude no reconhecimento de suas origens, da fé de seus ancestrais e na possibilidade de ressignificar dor e sofrimento através de alegria e exaltação da existência.

 

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