Plantas medicinais inspiram exposição de estampas

 

Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo /
Foto Débora Andrade 
O uso medicinal e ritualístico da flora pernambucana serviu de inspiração para o projeto “Plantas Mágicas de Pernambuco”, das artistas visuais e designers Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo. A partir de um longo processo de pesquisa, elas desenvolveram 12 padrões de estampas originais. O trabalho, que reúne arte, design, botânica e sabedoria popular, poderá ser visto a partir desta quinta-feira, dia 14 de janeiro, às 18h, em exposição gratuita na Sala Moxotó, no Cais do Sertão, no Bairro do Recife-PE. 

A série foi desenvolvida de maneira híbrida, inicialmente num processo manual, com a confecção de pequenas gravuras de plantas e elementos. Em seguida, o material foi digitalizado e então criadas as composições e trabalhadas as cores, dando origem às 12 estampas que têm nomes de plantas como baba-de-jiboia (babosa), jurema, mulungu, sargaço, romã-do-reino (romã com pimenta do reino) ou mesmo de receitas de usos como banho, defumador, fumo, garrafada, lambedor, reza e abre-caminhos. Como suporte expositivo as artistas elegeram 20 túnicas que foram estampadas e penduradas em estruturas de madeira de autoria do artesão Mestre Abias, de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife.

 

A exposição vai até o dia 23 de fevereiro e o projeto é patrocinado pelo Funcultura – Fundo de Incentivo à Cultura do Governo de Pernambuco, gerido pela Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), contando ainda com o apoio do Museu Cais do Sertão.

 

“As plantas e seus usos medicinais e mágico-religiosos fazem parte do patrimônio cultural imaterial de Pernambuco. Aqui, esses saberes e práticas tradicionais estão profundamente relacionados aos recursos naturais da região”, explica Maria Eduarda. Já Sofia diz que “foram tantas histórias incríveis, tanta sabedoria, que conseguimos levar para as estampas todas aquelas conversas que escutamos durante os últimos meses”.

 

Ainda durante o período da exposição será realizada uma live, nas redes sociais do Cais do Sertão, para o lançamento do catálogo virtual que contém estampas e registros da mostra e que será disponibilizado digitalmente para download.

 

Além disso, na ocasião, haverá uma conversa com as artistas e o etnobotânico, pesquisador e professor do Departamento de Biologia da UFPE Dr. Ulysses Paulino de Albuquerque, que atuou como consultor do projeto.

 

Origem – De acordo com as artistas visuais e designers Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo, a ideia do projeto surgiu a partir desse encanto gerado por um dos costumes mais antigos da história da humanidade: o uso das plantas no tratamento de males do corpo e da alma.

 

Costume presente há gerações nas famílias pernambucanas, as mezinhas (receitas caseiras), chás, garrafadas, lambedores, cataplasmas (emplastros) e banhos-de-cheiro fazem parte de uma série de procedimentos populares que empregam plantas medicinais nativas ou introduzidas.

 

“No início de 2018 começamos uma pesquisa sobre o tema que nos levou ao campo da etnobotânica. Foi aí que encontramos a inspiração para o nosso projeto”, explicam as realizadoras.

 

Desde então foram realizadas visitas a mercados públicos, feiras livres, fornecedores mateiros – como cultivadores e extratores de ervas, e consultas a benzedeiros, especialistas em medicina natural, pesquisadores acadêmicos e pessoas que fazem uso dessas plantas em infusões, banhos-de-cheiro, defumações, garrafadas, lambedores e compressas entre várias outras formas.

 

O roteiro da pesquisa incluiu locais como Recife, Vila do Carão, em Altinho, Serra do Ororubá, em Pesqueira, os distritos de Carneiro e o Vale do Catimbau, em Buíque.

 

Quem são:

Maria Eduarda Belém:

Artista e mestre em design pela UFPE, pesquisa e desenvolve trabalhos com estamparia artesanal desde 2016 através de desdobramentos das atividades do coletivo de gravura Gráfica Lenta, do qual faz parte.

Sofia Lobo:

Designer e ilustradora, desenvolve projetos em artes gráficas tendo se especializado nos últimos anos em estamparia e experimentos com tecidos, trabalha como freelancer e é sócia fundadora da empresa Estampa Banana.

 

Serviço:

“Plantas Mágicas de Pernambuco”

Data: de 14 de janeiro a 23 de fevereiro

Local: Sala Moxotó, no Museu Cais do Sertão, no Bairro do Recife-PE.

Preço: Entrada gratuita

@plantasmagicaspe

https://www.facebook.com/plantasmagicasdepernambuco

 

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