Revista Continente: 20 anos de resistência cultural

 

Adriana Dória Matos

Em dezembro de 2000, a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) lançava no mercado a revista Continente. Elegante, páginas coloridas e sempre dedicada à defesa da cultura, a Continente completa 20 anos em dezembro de 2020 como uma das revistas mais antigas em atividade no Brasil, nesse gênero. Do número zero, com capa dedicada ao artista plástico João Câmara, à edição de número 240, que aborda a resistência artística num País que desmonta sua política cultural, a Continente tem muitas histórias para contar.

“A revista é um projeto editorial importante da Cepe, uma publicação de jornalismo cultural com conteúdo e beleza”, afirma a jornalista Adriana Dória Matos, editora da Continente há 12 anos. Com 88 páginas, a publicação compartilha com os leitores assuntos contemporâneos relacionados ao campo da cultura, da arte e do comportamento, a partir de vários gêneros jornalísticos. “Adotamos um conceito amplo de cultura, incluindo fatores sociais, históricos e antropológicos, por isso trazemos para o debate questões que podem, a princípio, parecer tangenciais, como aquelas ligadas ao meio ambiente ”, explica a editora.

Se, nos primeiros anos, a Continente estava mais voltada a assuntos da produção artística e intelectual, com o passar do tempo, a publicação agregou à sua linha editorial assuntos inquietantes e que demandam engajamento, como o feminismo, o racismo, a LGBTfobia e também temas da política cultural. Algumas capas da revista trouxeram temas como a gordofobia, o suicídio, a Aids e discussões sobre o direito dos animais, a solidão, as fake news. “É uma revista que resiste às mudanças de governo nesses 20 anos e se mantém viva, isso é relevante para o Estado”, destaca a editora.

Em duas décadas, diz ela, a revista, que é custeada por uma empresa oficial de economia mista, passou por mudanças para se adaptar à realidade, sem perder a qualidade. “É imprescindível sermos elemento de motivação e de transformação, como revista de jornalismo cultural nós precisamos fazer parte do debate público”, pondera. A Continente tem investido nas artes gráficas e na criação de histórias em quadrinhos exclusivamente para a revista, além de preservar a seção para a publicação de cartuns. 

Enxuta, a redação da Continente tem uma equipe composta pela editora Adriana Dória, a editora-assistente Mariana Oliveira, a editora de site e redes sociais Olívia Mindêlo, as especiais Débora Nascimento e Luciana Veras, o designer Janio Santos e o webdesigner Hugo Campos. O que alimenta e traz diversidade de conteúdos, visões de mundo e referências geográficas para a publicação é um elenco de colaboradores de diversos matizes, áreas de conhecimento e etnias. “É uma publicação cultural e reflexiva que tem grande potencial como ferramenta de educação, graças à perenidade e profundidade dos temas trazidos”, destaca Adriana Dória Matos. 

ARTISTAS

Para celebrar o aniversário de 20 anos, a Continente convidou 12 artistas que vão criar pôsteres estimulados pela data festiva, sob temática livre. As obras serão encartadas nas edições de 2021, uma a cada mês, como um presente compartilhado com os leitores. No formato digital, a publicação traz a série comemorativa de vídeos Vivendo a arte, com depoimentos de diferentes artistas e agentes culturais do Brasil sobre vivências na arte e na cultura, informa a editora de site e redes sociais, Olívia Mindêlo. 

A revista foi criada pelo jornalista Mario Helio Gomes de Lima, que batizou a publicação com o nome Continente e foi o primeiro editor, cargo que ocupou por dois anos e três meses. A proposta, diz ele, era fazer uma publicação “escancaradamente pernambucana, com a marca de Pernambuco, Estado cosmopolita desde sempre”, para agregar a cultura de maneira geral. O nome, explica, reflete essa diversidade e remete a um continente cultural. “O historiador Evaldo Cabral de Melo era colaborador, o jornalista e cineasta Kléber Mendonça Filho escrevia reportagens especiais e o livro História dos Sabores Pernambucanos, de Maria Lecticia Monteiro Cavalcanti, nasceu da coluna que ela assinava na Continente”, recorda Mario Helio. “Todos os colaboradores eram remunerados, esse é um mérito da Cepe desde o início, a valorização do trabalho intelectual.”  A revista também teve como editores os jornalistas Homero Fonseca e Marco Polo Guimarães.



 

 

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