O pernambucano Heraldo do Monte, compositor e instrumentista ganha publicação com sua história, obras em partituras e coletânea em CD

 

 

Heraldo do Monte / Foto: @Carlos Sadao Miyabara


O músico pernambucano Heraldo do Monte tem uma carreira tão extensa quanto importante para a história da música popular brasileira instrumental.  Aos 85 anos, o músico ganha agora uma publicação dedicada à sua obra: “As cordas livres de Heraldo do Monte”. O livro traz a sua história e a maneira como ela se confunde com a própria história da guitarra elétrica no Brasil. Traz também o conjunto completo de sua obra em partituras, além de um CD coletânea que esboça sua trajetória musical. A publicação é a primeira da série Brasil de Dentro, criada pelo Instituto Çarê para sistematizar, editar e difundir obras de compositores brasileiros, e conta com a parceria da editora Contraponto.

Nesta quinta-feira, dia 10 às 20h, Heraldo do Monte participa de um bate-papo, no canal oficial do Youtube

 “As cordas livres de Heraldo do Monte” destaca o trabalho pioneiro do músico que introduziu a viola de dez cordas na música popular brasileira e, como guitarrista, desenvolveu uma linguagem de improvisação com referências sonoras calcadas na cultura brasileira. Sua obra tornou-se uma referência no cenário da música instrumental, obtendo reconhecimento não só nacional, mas também de diversos artistas internacionais. 

Suas primeiras experiências como instrumentista foram em rodas de choro do seu bairro, nas quais tocava clarinete, violão e bandolim. "Estudei música por puro amor, acho que ela é uma espécie de deusa que escolhe pessoas e as escraviza com sua beleza. O acaso me puxou para ser profissional”, diz Heraldo do Monte. “Uma vez profissional, me senti como um operário anônimo, dedicado, disciplinado e responsável pelo sustento de minha família. Trabalhei em casas noturnas, com carteira assinada, CLT, como qualquer operário”, relembra o músico.” 

Com formação musical consistente e capacidade de improvisação singular, Heraldo do Monte integrou importantes grupos da história da música popular brasileira como o Quarteto Novo, ao lado de Theo de Barros, Airto Moreira e Hermeto Pascoal, em 1967. O Quarteto Novo acabou tornando-se um trabalho referencial na música instrumental brasileira por utilizar elementos sonoros da cultura nordestina na sua construção e não a sonoridade dos jazz-trios, como era comum na época.  

Também integrou Dick Farney Trio, Heraldo E Seu Conjunto Bossa Nova, Grupo Medusa, Hermeto Pascoal & Grupo, Os Cinco-Pados, Walter Wanderley & Seu Conjunto. Em 1970, gravou seu primeiro disco solo. 

Atuou em discos ao lado de artistas como Teca Calazans, Elomar Figueira Mello, Paulo Moura e Arthur Moreira Lima, Zimbo Trio e inúmeros outros, tendo sido um dos instrumentistas que mais atuou em estúdios de gravação no Brasil.

Seus discos Cordas Mágicas e Cordas Vivas são referenciais no que toca à utilização das cordas dedilhadas no contexto da música instrumental.

 

 

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