RECIFE, A ENCANTADA, CELEBRA 483 ANOS


Recife- Marco Zero. Foto de Sol Pulquério/PCR
Já era 4h30 da manhã deste 12 de março de 2020 e a lua ainda pairava plena iluminando o resto da noite e o novo dia. Hoje, Recife, a encantada, celebra 483 anos e os seus filhos nativos e adotados brindam a cidade mãe, guerreira e amorosa que, a cada dia, nos abraça com suas águas, rio e mar, com suas pontes que nos ensinam que todas as distâncias podem ser encurtadas, nos ensinando que tudo podemos compartilhar.


Neste 12 de março de 2020, a equipe que faz a Agenda Cultural do Recife, uma revista à beira de completar 25 anos de jornalismo cultural informativo, celebra com todos os recifenses e com todos e todas que aqui residem e amam esta cidade iluminada pelo sentimento de liberdade que emana do seu povo e da sua história, com poemas de um dos seus maiores poetas, Carlos Pena Filho, o poeta do azul.

GUIA PRÁTICO DA CIDADE DO RECIFE

O INÍCIO

No ponto onde o mar se extingue
e as areias se levantam
cavaram seus alicerces
na surda sombra da terra
e levantaram seus muros
do frio sono das pedras.
Depois armaram seus flancos:
trinta bandeiras azuis
plantadas no litoral.
Hoje, serena, flutua,
metade roubada ao mar,
metade à imaginação,
pois é do sonho dos homens
que uma cidade se inventa.


O BAIRRO DO RECIFE

Ali é que é o Recife
mais propriamente chamado,
com seu pecado diurno
e o seu noturno pecado,
mas tudo muito tranquilo,
sereno e equilibrado.
No andar térreo, moram os bancos
(capitais da Capital)
no primeiro, a ex-austera
Associação Comercial,
no segundo, a sempre fútil
Câmara Municipal
e, no terceiro, afinal,
está a alegre pensão
da redonda Alzira, a viga
mestra da prostituição.
Mas como vivem tão bem,
em tão segura união,
qualquer dia, todos juntos,
vão fundar a Associação
dos Múltiplos Pecadores,
com banqueiros, comerciantes,
prostitutas, vereadores,
ingleses do British Club,
homens doentes e sãos,
pois o camelô já disse
que somos todos irmãos.
Esse é o bairro do Recife
que tem um cais debruçado
nas verdes águas do Atlântico
e ainda tem o cais do Apolo,
apodrecido e romântico,
beleza que ainda resiste
lá nos desvãos da memória
desse bairro que se escoa
pela Ponte Giratória,
que é uma estranha armação
que aguenta em seu férreo dorso
automóvel, caminhão
e trem de carga bem cheio,
mas não resiste às barcaças
que a fendem do meio a meio.

Feliz Aniversário Recife! Cidade Amada!

Manoel Constantino
Editor

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