BAILE DO MENINO DEUS CELEBRA O NATAL COM ESPETÁCULO GRATUITO E GENUINAMENTE BRASILEIRO PARA MAIS DE 70 MIL PESSOAS



Baile do Menino Deus Divulgação

36ª edição do Baile conta com três dias de celebração e a estreia do grupo Bongar. O espetáculo ocorre amanhã, 25 de dezembro, atraindo milhares de turistas para a capital pernambucana.

Com a preocupação de resgatar e reler as tradições populares do Brasil, o Baile do Menino Deus realiza mais uma maratona de espetáculos que celebram de forma única, o nascimento de Jesus, o Menino Divino. Consolidado no calendário brasileiro é conhecido por levar além de conterrâneos, turistas de diversos países para o Recife. O espetáculo gratuito e apresentado no Marco Zero a céu aberto, ocorre amanhã (25), com apresentações sempre às 20h. 

O evento é uma tradição lúdica de final de ano e a cada nova montagem, são reveladas diversas surpresas para o público que soma mais de 70 mil pessoas. Este ano, por exemplo, será a estreia do grupo Bongar, na peça dos Santos Reis, e também subirá ao palco o cantor Carlos Filho que interpretará a música Ciganinha. O corpo de baile, composto por onze bailarinos, também está renovado, bem como o figurino e a cenografia. A apresentação conta Audiodescriçãoe área acessível para pessoas com cadeira de rodas, pessoas surdas usuárias da Libras.

Com mais de 300 empregos gerados, o Baile é de uma linguagem única no Brasil. Uma tradição lúdica de final de ano que é montada apenas em Pernambuco. “O público brasileiro e pernambucano se identifica com a peça. Os turistas de outros países, ficam curiosos pra conhecer. É 1:30h de espetáculo e o povo se emociona. Delira”, conta o diretor do Baile, Ronaldo Correia de Brito. 

“Já recebemos diversos convites pra realizar o alto em outras cidades. Mas é uma grande montagem cênica que nesse formato, só pode ser realizada aqui em Pernambuco. São mais de 600 metros quadrados de palco, toneladas de estrutura, 23 músicos, 80 artistas de elenco, camareiras, coro adulto, coro infantil, maquiadores, figurinistas, cenógrafos e montadores. São cerca de 300 pessoas trabalhando com arte e boa energia, o ano todo na equipe”, revela a produtora Carla Valença. 

Grupo de percussionistas e cantores do terreiro Xambá, o Bongar apresentará um percussionista de apenas cinco anos, o Guilherme, talento precoce dotado de talentos que o fazem ser considerado o novo Naná Vasconcelos de Pernambuco. Guitinho de Xambá, integrante do grupo originado em Olinda, comenta sobre a participação do artista mirim e a presença desta representatividade negra que vem do Quilombo Urbano do Portão do Gelo: “Para nós, da cultura negra, estar presente no Baile é muito simbólico e desafiador. E estamos levando conosco Guilherme, uma criança de apenas 5 anos, que toca os tambores da Xambá com muita propriedade, responsabilidade e respeito. Vai ser um momento lindo.” Quanto a expectativa para a apresentação, ele conta: “Participar do Baile do Menino Deus é uma honra e uma experiência ímpar, pois trata-se de uma das maiores produções cênicas de Pernambuco, que envolve também música, literatura, memória, com mais de três décadas de existência. O que mostra quão importante é o Baile para a população não só do Recife, mas de Pernambuco”.

Ao longo dos seus 36 anos, a peça vem incorporando cada vez mais elementos da linguagem popular nacional na celebração do Natal, justamente uma data marcada por tantos símbolos de cultura estrangeira. A ressignificação que o Baile promove à data aproxima o público ainda mais da celebração. Carlos Filho, que em 2019 terá um novo papel ao cantar o solo da Cigana, ressalta a importância do evento para Recife e também para o desenvolvimento pessoal e convívio dos artistas: "A grande importância do Baile é sua potência de atingir um público de todas as idades e proporcionar o acesso a um espetáculo ao ar livre, num espaço público tão simbólico para o Recife. Internamente, o Baile também funciona como uma grande ‘companhia’ que seleciona artistas de diversas áreas. É bem rico esse convívio, mesmo que provisório, com parceiros tão diversos que, apesar de morarem na mesma cidade/região, não têm uma outra boa oportunidade de fazer arte juntos".

 Estas interações entre linguagens artísticas são ressaltadas por Carlos, que também comenta sobre sua experiência de amadurecimento pessoal ao longo dos anos de espetáculo: “É um processo bem intenso pra mim. A direção de Ronaldo é bem criteriosa e ele sabe o que quer. Eu venho do universo da música e ter que dialogar com dança e teatro me coloca numa zona de fricção desconfortável, mas muito instigante. Tanto que ando bem viciado nisso de querer estar nesse lugar o tempo inteiro. Eu atuo em mais de um personagem, ora masculino (anjo), ora feminino (pastora), ora bicho (borboleta) e agora a novidade da cigana/cigano, tudo isso tem me exposto de uma forma que só com o tempo terei precisão para avaliar o crescimento. A sensação é que o Baile aqui não termina, o Baile aqui principia. Sempre". Para a construção de seu novo personagem, o artista está em pleno processo de criação: “Farei um cigano/cigana que canta uma música belíssima que já estou apaixonado desde o momento que eu a ouvi. Estou em processo de desenvolvimento com Ronaldo para encontrar, no palco o sentido desta criatura, respeitando o texto, mas revelando ao público algo novo, como acontece a cada ano."

Dentre os solos da peça, outro destaque também é Silvério Pessoa, que estará em quatro atos, sendo que há 15 anos integra a rede de artistas do Baile: “Me sinto feliz e orgulhoso por fazer parte desta grande montagem, desta superestrutura e, ao mesmo tempo, por fortalecer e representar essa história lírica, milenar, que emociona”. Sobre fazer parte do evento há tantos anos, ele pontua: “É uma grande responsabilidade, convivemos com músicos eruditos dialogando com o popular, não deixa de ser uma experiência emocional, tem que estar bem para passar a emoção que o Baile exige, no sentido de ser algo marcante nas vidas das pessoas”.

O dramaturgo Ronaldo Correia de Brito, que está em ritmo de preparação, destaca o coro infantil deste ano, dizendo que talvez seja o melhor que já tiveram. Depois de tantas histórias e montagens,Brito acredita que, apesar do Baile ter se atualizado bastante nos últimos dois anos, sempre houve um respeito para que jamais se afaste da sua dramaturgia original, que lhe dá unidade. 

Esta observação é corroborada pela Leda Alves (Secretária de Cultura de Recife). “Este é o milagre da encenação. A produção de Carla Valença, da Relicário Produções, transformou o Baile no acontecimento mais importante das festas natalinas do Recife. Como linguagem cênica, não existe nada comparável a este espetáculo, pois trata-se da mescla de várias culturas do nosso estado, numa força única de Pernambuco. Podemos ser vistos por qualquer público, em qualquer espaço do mundo. Pela qualidade de encenação que alcançamos, ganhamos reconhecimento e, hoje, pessoas dos mais diversos lugares do país e do mundo vêm ao Recife assistir ao Baile. Ainda assim, precisamos de um investimento maior para atrair mais turistas, como acontece no Carnaval e nafesta de São João. Estamos na campanha e na luta por isso”, finaliza.


Acessibilidade

O espetáculo terá uma área reservada, bem em frente ao palco com vagas para pessoas em cadeira de rodas, pessoas surdas usuárias da Libras e pessoas com deficiência visual que desejem utilizar a Audiodescrição.Os interessados(as) devem enviar e-mail para acessibilidade@bailedomeninodeus.com.br, informando nome, RG e telefone de contato. O número de vagas é limitado por conta da  quantidade de equipamentos disponíveis.


Livro 

A história do Baile do Menino Deus também foi transformada em livro, publicado pela editora Cepe com o título O Baile Aqui Principia. Ao completar 36 anos de vida, 16 deles tendo como casa a Praça do Marco Zero, no Recife, seus criadores resolveram descrever com minúcias algumas memórias, começando pelas motivações que os levaram a seguir o caminho da criação, em teatro e música, até nascer um auto de Natal tipicamente brasileiro, pautado pelas tradições da cultura nordestina de matriz africana, ibérica e indígena. O dramaturgo Ronaldo Correia de Brito conta em palavras este momento de lampejo, a faísca inicial que o fez refletir sobre a necessidade do Baile. O livro traz fotografias que revelam as mudanças das montagens ao longo dos anos e as partituras das peças musicais que foram compostas genuinamente para serem apresentadas nos espetáculos. A clareza da história é encontrada nas páginas finais, onde há uma linha do tempo cronológica de 1981 a 2019. 

Arte e Tecnologia

Os personagens do famoso auto de natal pernambucano, desenhados por Joana Lira irão ganham vida através das projeções da Eletrobike. O projeto do artista multimídia Mozart Santos irá passar por diversos bairros do Recife até o dia 25 de dezembro, levando arte e música para interagir com as paisagens urbanas da cidade, que receberão interatividade e animações que brincam com o imaginário do público através de vídeos manipulados em tempo real.



SERVIÇO

BAILE DO MENINO DEUS – UMA BRINCADEIRA DE NATAL

Datas: 23, 24 e 25 de dezembro de 2019

Horário:sempre às 20h

Local:Praça do Marco Zero

Acesso gratuito

Classificação livre

Outras informações: www.bailedomeninodeus.com.br

ACESSIBILIDADE PARA AUDIODESCRIÇÃO E TRADUÇÃO EM LIBRAS

Envie sua mensagem de solicitação pelo Email: acessibilidade@bailedomeninodeus.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Artistas Digitais: Laís Xavier

Giro Literário infantil: 10 eBooks para suas crianças

Frei Caneca estreia entrevistas por meio de lives no Instagram