Críticas contra atual governo marcam segunda noite do Cine PE

Foto: Felipe Souto Maior
“Abraço”, filme integrante da Mostra Competitiva de Longas-Metragens da 23ª edição do Cine PE, foi a produção escolhida para finalizar a noite de exibições desta terça-feira (30). Remontando uma mobilização que aconteceu em 2008, quando educadores sergipanos das redes municipal e estadual de ensino se uniram em defesa da manutenção da Progressão Vertical, para evitar a perda de direitos já conquistados, a película do diretor Deivisson Fiuza fala sobre resistência. Em um país politicamente rachado e trazendo para o Recife uma história que envolve educação, movimento estudantil, machismo, racismo e resiliência, a equipe do longa subiu ao palco do Cinema São Luiz com discursos de protesto contra o governo federal. “O Brasil não merece o momento que está vivendo”, disparou Fiuza. Ovacionado pelo público, que mais uma vez lotou a sala de projeção, o cineasta teve suas palavras completadas pela breve e potente fala do ator Flávio Bauraqui: “Podem até nos balançar, mas cair, não iremos”. 

A noite de exibições, aliás, contou com discursos de cineastas, produtores e atores munidos de diversas críticas políticas. A carioca Rozzi Brasil, diretora do curta “#Procuram-se Mulheres”, disparou no texto de apresentação do seu documentário: “Eu acho muito emblemático que em um momento como esse, em que a Ancine é tão atacada, eu tenha conseguido sair do Rio de Janeiro e chegado em Pernambuco com esse filme. Parece um quebra-cabeças divino”. Dentro da programação, filmes como “Mulheres de Fogo”, de Vinicius Meireles, também trouxeram ao público uma provocação sobre o direito à qualidade de vida. “A terra tinha que ser como o sol, vento e chuva. Todos têm o direito”, diz uma das personagens do documentário. O curta acompanha o assentamento Chico Mendes III, onde habitam 55 famílias provenientes dos conflitos que ocorreram entre 2004 e 2008, nas áreas antigamente pertencentes ao Engenho São João.

Também foram exibidos o romântico curta pernambucano “Pisciano”, de Alexandre Pitanga, e “Carrero, o Áspero Amável”, da pernambucana Luci Alcântara. Mais um trabalho que é fruto da parceria entre a cineasta veterana do Cine PE (essa é a sua quarta participação no festival) e o jornalista e escritor Raimundo Carrero, o documentário discorre sobre a carreira literária do premiado autor de mais de duas dezenas de romances, seu método de criação, sua experiência como ator de teatro e de cinema, além de seu trabalho como dramaturgo e roteirista.

A 23ª edição do Cine PE chega ao seu terceiro dia de exibições hoje (31). Na programação estão os curtas “Quando a Chuva Vem?” e “Sobre Viver”, ambos na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Pernambucanos, e “Obeso Mórbido”, “Cor de Pele”, “É Difícil te Encontrar”, “A Pedra” e “Apneia” entre os curtas nacionais. O longa-metragem da noite é o carioca “Vidas Descartáveis”, de Alexandre Valenti e Alberto Graça. As entradas são gratuitas.

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