José Pimentel comemora 40 anos interpretando Jesus Cristo
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| Foto: Laís Teles |
Temporada
2017 da Paixão de Cristo do Recife será nos dias 14, 15 e 16 de abril, às 20h,
na Praça do Marco Zero. Espetáculo é gratuito
A temporada 2017 da Paixão de Cristo do Recife,
marcada para os dias 14, 15 e 16 de abril, às 20h, na Praça do Marco Zero, no
Bairro do Recife, será comemorativa. José Pimentel, ator, diretor e autor do
texto do espetáculo, celebra 40 anos ininterruptos defendendo o papel de Jesus
Cristo. Aos 82 anos, Pimentel superou problemas de saúde para estar no palco:
no último mês de dezembro, passou 12 dias internado depois de uma cirurgia para
tratar hérnia inguinal e de complicações como uma embolia pulmonar. “É um papel
que exige uma força física grande. São cenas exaustivas, como a crucificação e
a ressurreição. Mas a vida normalizou. Já voltei até a jogar futebol, correr,
fazer gol. Posso segurar a cruz! ”, comemora. Ter um dublê interpretando as
cenas mais desgastantes nunca foi uma opção levada em conta. “Não iria enganar
a plateia com um dublê. Muitas das pessoas que lotam o Marco Zero me acompanham
há anos. Não seria justo com elas”.
Este ano, a Paixão de Cristo do Recife, um dos
eventos mais importantes no calendário cultural e religioso da cidade, completa
21 edições consecutivas. Com o apoio do Governo do Estado e da Prefeitura do
Recife, o espetáculo gratuito reúne 100 atores e 300 figurantes. Mais de 30 mil
pessoas chegam a acompanhar a apresentação a cada noite. A estrutura montada no
Marco Zero, três plataformas de 20 metros de comprimento por 14 metros de
largura, ligadas por uma passarela com dois planos, permite que a população
assista à encenação sem precisar se deslocar, mesmo que o espetáculo tenha nove
cenários diferentes. Os cenários são assinados por Octávio Catanho e os
figurinos por Edilson Rygaard e Roberto Costa.
O elenco, todo formado por atores pernambucanos, se
mantém fixo há alguns anos. Maria é interpretada por Angélica Zenith; Gabriela
Quental faz Madalena; Renato Phaelante, do Teatro de Amadores de Pernambuco,
defende Caifás; Pedro Francisco Filho é Pilatos; e Ivo Barreto, do Coletivo
Angu de Teatro, interpreta Judas. A encenação conta com equipamentos de som com
moderna tecnologia digital, iluminação de ponta, canhões de luz e efeitos
especiais. Na ascensão de Cristo, José Pimentel levita, coberto por nuvens de
fumaça, a sete metros do chão. Nessa cena, 40 quilos de gelo seco são
utilizados por apresentação.
Quando foi criada, em 1997, a Paixão de Cristo do
Recife era conhecida como “A Paixão de Todos”. Durante cinco anos, a encenação
aconteceu no estádio do Arruda. Depois, entre 2002 e 2005, ocupou o Marco Zero.
Em 2006, por conta de reformas no Marco Zero, foi encenada em frente ao Forte
do Brum e, desde 2007, retornou ao Marco Zero. Mas José Pimentel dirige o
espetáculo há 48 anos. Durante 30 anos, o pernambucano foi diretor e ator da
Paixão de Cristo de Nova Jerusalém - desde 1969 até o rompimento com o
espetáculo, que aconteceu em 1996. Pimentel não concordava que os principais
papeis fossem defendidos por atores de novelas.
Além de atuar noutras produções do teatro
pernambucano, a partir de 1981, também foi autor, ator e diretor de outros
megaespetáculos ao ar livre, como O calvário de Frei Caneca, Jesus
e o Natal, Batalha dos Guararapes, A Revolução de 1817 e o mais
recente, O massacre de Angico – A morte de Lampião, encenado em
Serra Talhada, no Sertão pernambucano.
Serviço:
21ª Paixão de Cristo do
Recife
14, 15 e 16 de abril, às 20h
Praça do Marco Zero, Bairro do Recife
Gratuito

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