Visão holística da humanidade nas mãos de Tiago Amorim


Artista volta a expor com “Da gênese ao apocalipse” na Arte Plural Galeria, no Recife

Muitas são as explicações para a origem do mundo; outras tantas, as previsões para o seu fim. Na visão do multiartista pernambucano Tiago Amorim, a resposta está no ser humano que esqueceu a onipotência, a onipresença e a onisciência de uma força divina, manifesta em tudo que nos cerca e que inspirou a exposição “Da gênese ao apocalipse”, em cartaz na Arte Plural Galeria (APG), no bairro do Recife.


Sem participar de uma individual desde 2005, quando participou da mostra de inauguração da APG, Tiago diz que os novos trabalhos têm viés político, social, teosófico e religioso, para mostrar o que ele entende como o caminho do paraíso ao caos.  A exposição segue até 27 de maio, tendo como curador Laurindo Pontes e Raul Córdula assinando o texto de abertura.

O olhar plural de Amorim estará à vista em suas tradicionais cerâmicas de anjos – que simbolizam a eternidade –, animais, figuras e as recém-batizadas “Capi-Raimundas”, mistura de mulher e capivara, que, segundo ele, vem para fortalecer as forças cósmicas que estão presentes no universo.

Em “Da gênese ao apocalipse”, ele apresenta a série “Mata, Agreste e Sertão”, uma trilogia de telas de 80 x 60 cm, que traduz o momento de “desintegração dos homens com a natureza”.   Outro destaque é a réplica do premiado mural “Do Paraíso do Caos”, de 4,5x 1,22, um tríptico que dá nome à exposição e prenuncia o momento de profundas revelações que a humanidade está vivendo.

O artista – Tiago Amorim nasceu Sebastião Wilson Ferreira de Amorim na cidade de Limoeiro (Agreste de Pernambuco) no dia 9 de janeiro de 1943. Ainda criança, veio para Olinda, cidade que escolheu para viver e é onde trabalha até os dias atuais como pintor, desenhista, escultor e principalmente ceramista. Sua ligação com o barro e com a arte de Tracunhaém dá forma a figuras cuja concepção é única. Participou de diversas exposições e recebeu vários prêmios de reconhecimento ao seu trabalho.

O artista fez Escola de Belas Artes e participou de movimentos artísticos, como a Brigada Portinari, que na década de 70 e 80 usava os muros para divulgação de propaganda política por meio de pinturas e desenhos de artistas locais. Essa participação é lembrada por Amorim como uma das importantes passagens da sua trajetória, período em que criou murais “já sob a inspiração do Yin Yang, uma visão de tudo aquilo que existe no universo,”, explica Tiago, que agora diz repetir a dose em “Da gênese ao apocalipse”.

Serviço:
Mostra Da gênese ao apocalipse”, de Tiago Amorim
Na Arte Plural Galeria 
Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife
Aberta ao público até 27 de maio – terça a sexta, das 13h às 19h; sábados, das 16h às 20h;
Entrada franca
Informações: 3424.4431


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