IRB reúne ampla seleção de obras de Jean-Baptiste Debret sobre a Missão Artística Francesa no Brasil
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| Mercado de escravos de Valongo (Rio de Janeiro) - óleo sobre tela | Debret - 1822 |
A
mostra inédita no Norte Nordeste fica em cartaz na Pinacoteca do
museu de 3 de fevereiro a 2 de abril
O
Instituto Ricardo Brennand apresenta a exposição “Debret e a
Missão Artística Francesa no Brasil - 200 Anos”, marcando os dois
séculos chegada do artista europeu ao Brasil. Convidado por Dom João
VI a retratar as cenas monárquicas e estruturar a Escola de Belas
Artes, o artista se dedicou também a realizar um impressionante
número de mais de 700 desenhos, em grande parte aquarelas,
reproduzindo o dia a dia da população da cidade sede do então
Reino unido de Portugal, Brasil e Algarves.
No
Recife, esta mostra, que já passou pelo Museu da Chácara do Céu,
em Santa Tereza (RJ), e por Paris, na Maison de l’Amérique Latine,
terá um recorte especial com 79 aquarelas e um exemplar do
livro Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, pertencentes aos
Museus Castro Maya; integrando ainda a pintura a óleo Mercado
de Escravos de Valongo (Rio de Janeiro), do acervo permanente do
colecionador pernambucano Ricardo Brennand.
As
obras retratam as várias camadas da população brasileira da época,
passando por índios, escravos africanos, caboclos, mestiços, e
europeus, ricos e pobres. “Mercado de Escravos do Valongo é
um quadro incomum na obra de Debret, a qual, pelo que sabemos, contém
poucas obras pintadas a óleo que não foram feitas para os soberanos
ou para a Corte. Durante muito tempo, considerou-se que havia sido
pintada por Nicolas-Antoine Taunay, e apenas recentemente sua autoria
foi, com razão, atribuída a Debret pelo comitê de especialistas
reunidos na preparação da obra de referência Debret e o
Brasil: obra completa, 1816–1831”,
explica Jacques Leenhardt, filósofo e sociólogo francês, curador
da exposição.
O
principal objetivo da “Missão Artística Francesa” que chegou ao
Brasil, no Rio de Janeiro, em março de 1816, era fundar a Escola de
Belas Artes. Além disso, os pintores estrangeiros iriam divulgar
através de suas obras a imagem modernizada da cidade que acabava de
se tornar sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
No
entanto, em 1831, voltando à França, Jean-Baptiste Debret levou o
registro aquarelado de tudo o que viu nos anos vividos no Brasil e
que nunca havia mostrado durante a sua estadia. Publicou então uma
das mais importantes contribuições à história: o livro Viagem
Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839). Na obra, o autor
documentou, em comentários detalhados, aspectos das diferentes
populações que constituíam a sociedade brasileira no início do
século XIX, além de uma história da transformação da colônia
portuguesa no império brasileiro.
Jacques
Leenhardt, o curador - Filósofo
e sociólogo, é Diretor de Estudos na Escola de Estudos Avançados
em Ciências Sociais (Paris, França) e Presidente de Honra da
Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA). Entre suas
principais publicações estão “Nos Jardins de Burle Marx”,
“Reinventar o Brasil:Gilberto Freyre entre história e ficção”, “A
construção francesa do Brasil”, e a reedição moderna do
livro “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, de
Debret, que acaba de ser lançado.
Jean-Baptiste
Debret –
Nascido em Paris em 1768 e oriundo de uma família que já se
interessava pela arte, Debret trabalhou junto ao grande pintor
Jacques-Louis David ao serviço da glória de Napoleão Bonaparte.
Já
em 1816, Debret veio para o Brasil junto a um grupo de artistas
franceses para fundar uma Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro.
Mas apenas em 1827 foi inaugurada a Imperial Academia de Belas Artes.
Já em 1816, para o Regente, Debret começa a trabalhar para a Corte:
“Coroação de D. Pedro I”, “O Desembarque da Imperatriz
Leopoldina”, cenários do Teatro Imperial e “Alegoria do segundo
casamento de D. Pedro I” são obras desse período.
A
obra que realizou no Brasil foi imensa: cenas brasileiras, pinturas
para o pano de boca do Teatro São João, trabalhos de ornamentação
para a cidade do Rio de Janeiro para festas públicas e oficiais,
assim como solenidades da aclamação de D. João VI. Debret,
certamente, é o artista da Missão Francesa mais conhecido pelos
brasileiros, por seus trabalhos que documentam a vida no Brasil
durante – reinado e primeiro império – e muito reproduzidos nos
livros escolares.
Serviço: Exposição Debret
e a Missão Artística Francesa no Brasil - 200 Anos
Instituto
Ricardo Brennand - Rua
Mário Campelo, 700 – Alameda Antônio Brennand – Várzea
Visitação:
de 3 de fevereiro
a 02 de abril de 2017, de
terça
a domingo, de 13h às 17h
Ingresso: R$
25,00 (inteira) e R$ 12,00 (meia - Pessoas com deficiência,
estudantes, professores e idosos acima de 60 anos mediante
documentação comprobatória).

Boa noite, sabem informar se este preço refere-se à entrada no Instituto Ricardo Brennand ou à exposição?
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