Homenagem aos ancestrais na Noite dos Tambores Silenciosos
Ritual-Espetáculo
é uma celebração à cultura afro e emociona a quem assiste
(Foto: Andre
Nery / Arquivo-PCR)
Como acontece todos
os anos, a festa que reverencia os antepassados negros que sofreram
durante o período da escravidão, promete emocionar o público do
Pátio do Terço. O som forte dos tambores ecoa, toma o corpo e
envolve a todos num misto de magia e emoção. É A Noite dos
Tambores Silenciosos que chega a sua 56º edição, na segunda-feira
de Carnaval. A festa vai reunir as Nações de Maracatu de Baque
Virado, a partir das 20h.
O
local onde acontece a festa não é por acaso. O Pátio do Terço
carrega a história dos antepassados negros, em cada metro quadrado
do espaço. Lá funcionava um dos primeiros terreiros nagô de
candomblé em Pernambuco. O lugar também era utilizado como espaço
para venda de escravos, ou mesmo para enterrá-los após a morte. E
muitos morreram lutando, amarrados, açoitados brutalmente pela mão
dos feitores.
HISTÓRICO
- Uma discreta reverência, em homenagem prestada aos que morreram
-os eguns – com a presença de maracatus tradicionais como o Leão
Coroado e o Elefante de D. Santa, marcava o início da festa. Isso
foi até 1968, quando o jornalista e sociólogo Paulo Viana,
estudioso das questões negras e conhecedor dos Xangôs do Recife,
transformou a noite em espetáculo. Hoje em dia, A Noite dos Tambores
Silenciosos é um dos momentos mais aguardados do Carnaval. Uma
evocação que se revitaliza a cada ano, e encanta o público pela
sua força e beleza.
Quando
os tambores silenciarem à meia-noite da segunda-feira de Carnaval e
as luzes se apagarem no Pátio do Terço, todos aqueles que morreram
na luta, que fizeram parte deste triste capítulo da história da
humanidade chamado escravidão, serão reverenciados neste ritual. A
noite também é para festejar a cultura afro, deixada pelos nossos
antepassados e que resiste ao tempo, se mantendo vivia através
desses encontros.
Serviço:
Noite dos Tambores Silenciosos
Dia 8, às 20h
Pátio do Terço
Gratúito
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