Cézar Maia
Por: Anax Botelho
Fotos: Thays
Monteiro
Desde o ícone Baile Perfumado,
a história da sétima arte em
Pernambuco se faz presente no cotidiano de curtas e longas produções, até
festivais renomados. Nomes como Tatuagem,
Febre do Rato, O Som ao Redor, estão na lista dos destaques mais
recentes. Outro longa, o documentário Corbiniano, sobre o artista plástico do Recife, também teve recentemente seu nome
escrito no cinema Pernambucano. Em conversa com o cineasta Cézar Maia, que produziu
recentemente o longa, a Agenda Cultural pôde conferir sua relação com o cinema,
seus projetos e opiniões.
Agenda Cultural: Como teve início
sua história no cinema?
Cézar Maia: Curto cinema há
muitos anos, desde minha adolescência. Sempre fui cinéfilo e sempre tive o
cinema como minha maior diversão. Com o passar do tempo, fui me interessando
cada vez mais pela Sétima Arte, a ponto de fazer cursos práticos e teóricos
sobre o assunto. Não há um início na minha história com o cinema. Desde o
primeiro filme que vi, me apaixonei pela arte da imagem em movimento. Talvez a
decisão de criar uma produtora com meu amigo Marcelo Barreto tenha sido um
divisor de águas nessa trajetória. Em 2001, criávamos o Ateliê Produções.
AC: Além do cinema, você tem
alguma produção cultural? Quais são, quando e onde começaram?
CM: Paralelamente à minha paixão
pelo cinema, sempre desenvolvi interesse pelas artes em geral, portanto sempre
estive antenado com o desenrolar da cultura em Pernambuco. Como sei desenhar,
sempre dediquei uma parte de meu tempo à produção gráfica e cheguei a estudar
artes plásticas. Com o final de minha faculdade de Jornalismo, me especializei
em Design da Informação. Hoje ando meio parado, mas gosto de desenhar, pintar,
ilustrar e pretendo voltar a produzir nesse sentido muito em breve.
AC: Como é fazer cinema em Pernambuco e no Brasil atualmente?
CM: Já foi muito mais difícil.
Acredito que hoje o cinema em Pernambuco, e no Brasil como um todo, está mais
profissional. Vários editais estão à disposição, fundos de fomento são cada vez
mais comuns e as pessoas parecem levar mais a sério o ato de fazer cinema no
país. O que precisa mudar talvez seja a participação da iniciativa privada na
indústria do cinema. Não sei como as pessoas fazem por aí, mas conseguir
dinheiro privado, ou até via isenção, no Brasil, é bem difícil. Espero que isso
mude. Precisamos fortalecer a indústria cinematográfica de nosso país. No mais,
destaco a produção pernambucana. Tem muita gente boa fazendo muita coisa legal
aqui no Estado.
AC: Quais produções você
destacaria?
CM: No universo das ficções e falando de
produções mais recentes, destaco Tatuagem,
de Hilton Lacerda, um filme lindo, Febre
do Rato, de Claudio Assis, que, apesar de eu não gostar de seus outros
filmes, tem uma produção de muita personalidade, e os filmes de Heitor Dália e
do sempre competente Karim Ainouz. Quero muito assistir ao Praia do Futuro. Afonso Poyart, de 2 Coelhos, tem potencial para fazer
um cinema de ação interessante no Brasil. Já os documentários sofreram um
grande baque com a morte de Eduardo Coutinho, mas ainda tem muita gente boa por
aí. Existe uma documentarista de nome Andrea Ferraz aqui no Recife que ainda
vai dar muito o que falar. Sem esquecer de citar Gabriel Mascaro e Marcelo
Pedroso que pensam muito bem o cinema em Pernambuco.
AC: Quais são os seus futuros
projetos e o atual?
CM: Tenho prontos dois roteiros
de curtas que adoraria conseguir dinheiro para filmar. São duas ficções: uma
que fala de solidão e relação com o futuro e outra que fala de ecologia e
abandono. Já na área musical, termino por esses dias o DVD de Spok e a
Orquestra Forrobodó. Uma divertida experiência do engenhoso Maestro Spok com o
universo junino e as tradições nordestinas. O DVD tem a participação de grandes
nomes como Fagner, Elba Ramalho, Gennaro e Maciel Melo e foi todo gravado em
estúdio. É, como gosta de dizer o maestro, um forró elegante, todo gravado em
P&B.
AC: Em que sua produção difere do
que já foi feito?
CM: Não sei no que ela difere.
Quando penso em filmar, penso em trazer uma leitura nova daquilo que escolhi
abordar. Seja através da fotografia, seja através da forma de me relacionar com
o objeto a ser filmado. Tudo isso, claro, amparado por muitas referências que
você coleta e se apropria ao longo de suas experiências audiovisuais. Muito já
foi feito, mas acredito que cada um de nós tem um olhar próprio a respeito de
qualquer assunto. Se você observar os acontecimentos cada vez mais com os seus
próprios olhos, acredito que estará no caminho certo para construir uma
cinematografia cada vez mais sua.
AC: Na sua história: o que destacaria e o que almeja?
CM:
Quero filmar cada vez mais e me envolver com grande projetos. Quero ver a
produtora que ajudei a construir, o Ateliê, cada vez mais sólida e envolvida
com grandes projetos. É isso. O que destaco na minha história foi ter levado
adiante o sonho de trabalhar com audiovisual. Para isso contei com a ajuda de
grandes amigos e parceiros. Contei com o apoio familiar sempre imprescindível.
E acho que essas relações têm rendido bons frutos. O que vem pela frente é
resultado desse empenho e dessas escolhas. Pretendo continuar filmando e ter a
sorte de participar de grandes produções e produzir conteúdos cada vez
melhores.
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