Terra, o novo solo do Grupo Grial, é apresentado no Palco Giratório
| Foto: Divulgação |
Em cena, o contemporâneo e o popular
se unem para mostrar o Brasil que se revela em torno de questões da memória, do
tempo e das transformações ligados à herança indígena que compõe a genética
nacional. É assim Terra, solo da bailarina e coreógrafa Maria Paula
Costa Rêgo, que completa a trilogia Uma história, duas ou três, do
Grupo Grial de Dança. O trabalho estreou em Pernambuco no Janeiro de Grandes
Espetáculos, e é encenado gratuitamente nesta quarta (28), às 19h, na Praça do
Campo Santo, em frente ao Sesc Santo Amaro, como parte da programação do
Festival Palco Giratório.
| Foto: Divulgação |
Em 45 minutos de apresentação, com
passos extraídos das manifestações populares indígenas do Nordeste do País,
Maria faz do palco um cenário para reconstrução daquilo que ergue a nossa
identidade, dialogando com o nosso presente. Sem ranços, estereótipos ou sem se
prender ao piegas, a bailarina se transforma no próprio DNA que constrói o
nosso povo. O trabalho foi agraciado com o Prêmio da Associação Paulista de
Críticos de Artes (APCA), na categoria Intérprete-Criadora, e ganhou cinco
troféus do Prêmio Apacepe de Dança 2014, do Festival Janeiro de Grandes
Espetáculos, nas categorias Melhor Espetáculo, Trilha Sonora, Figurino,
Bailarina e Iluminação.
Terra fala das explorações, das segregações, dos contatos e
das entregas, ao mesmo tempo em que exalta a reafirmação de uma cultura e
critica os preconceitos e os olhares do erudito excludente. Como escreveu a
crítica de dança Helena Katz, em O Estado de S.Paulo, no espetáculo, “tudo se
agrega no diapasão da beleza e com uma coerência que nos leva ao atravessamento
dos tempos do que está lá: a tradição deixa de ser o que aconteceu antes para
passar a ser o que continua acontecendo”. Para Helena, o trabalho de Maria
Paula “reencena um contato primeiro do índio com os badulaques do colonizador,
explode esses limites apenas aparentes e nos faz pensar que ainda continuamos
chegando atrasados ao encontro já marcado por outros tantos artistas com a
cultura popular”.
O espetáculo tem direção assinada por
Maria Paula Costa Rêgo e Erick Valença. A trilha sonora, impecável, foi criada
pelo percussionista Naná Vasconcelos, responsável por amarrar o universo
abordado, através de efeitos sonoros que resgatam onomatopeias e sons da
natureza, em uma releitura fonográfica moderna. Terra recebeu
o prêmio ProCultura 2012 da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e participou
do Processo da Mostra de Intérpretes Criadores.
Ficha
técnica:
Terra. Duração: 45 minutos/ Direção: Maria Paula Costa Rêgo e
Eric Valença/ Intérprete: Maria Paula/ Trilha sonora: Naná Vasconcelos/
Figurino: Gustavo Silvestre/ Luz: Luciana Raposo/ Pintura de cenário: Dantas
Suassuna.
Espetáculo
Terra
Grupo Grial de Dança
Grupo Grial de Dança
Quarta-feira
(28/05)
Horário:
20h
Local:
Praça do Campo Santo, em frente ao Sesc Santo Amaro
Gratuito
Comentários
Postar um comentário