quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Espetáculo “Para Josefina” apresenta novo estilo de dança à Pernambuco

Para Josefina com o Grupo Acaso. Foto: Reuel Almeida
“Para Josefina”, do Grupo Acaso, é uma criação que traz como ponto de partida a fusão entre a dança contemporânea e o popping, um estilo do universo hip hop. A obra faz uma homenagem à consagrada e saudosa pianista pernambucana Josefina Aguiar, falecida em junho de 2005, a partir das impressões de sua neta, a diretora e bailarina recifense Bárbara Aguiar, que declara seu amor à avó. A montagem, que já fez temporadas no Recife e foi vista em Portugal em 2013, conta com incentivo do Funcultura e inicia turnê na próxima sexta-feira, dia 24 de janeiro, às 20h, no Teatro João Lyra Filho, em Caruaru. No sábado, integrando a programação do 20º Janeiro de Grandes Espetáculos, faz duas novas sessões em Caruaru, no Teatro Rui Limeira Rosal (Sesc Caruaru), às 16 e 20h. No domingo, chega ao Sesc Arcoverde, também com dupla apresentação, às 16h e 20h. No dia 31, às 20h, ocupa o Teatro Barreto Júnior, no Recife, com novas sessões dia 1º de fevereiro, às 16h e 20h. O encerramento da turnê se dará no Sesc Ler Goiana, dia 2 de fevereiro, com apresentações às 16h e 20h. Os ingressos custam sempre R$10 e R$5 (crianças, estudantes, professores, comerciários e maiores de 60 anos). No elenco: Hulli Cavalcanti, Hayla Cavalcanti, Felipe Dupopping, Fernando Oliveira e Marcelo di Paula.

Com trilha sonora executada pela própria Josefina Aguiar, as várias faces desta artista são reveladas, de personalidade irrequieta, irônica até; de uma pianista que, no despertar do seu talento, percebeu o corpo como parte do seu instrumento musical. Neste retrato bem particular, sua enorme fé, a luta contra o câncer e até um certo humor às avessas (ela era conhecida como “Leoa do Norte”) também ganham a cena, sempre com muita poesia. Josefina foi a primeira menina solista a tocar com a Orquestra Sinfônica do Recife. Tinha 11 anos de idade. Foi um sucesso e não parou mais de tocar piano, estudando com Stela de Almeida, Manoel Augusto e Valdemar de Oliveira. Desde 2009, este projeto de homenagem perseguia a cabeça de Bárbara Aguiar, sua neta. “Minha vó me ensinou a jogar pôquer, a blefar, passava tardes contando piadas comigo, brincando de Disparate e sempre me levava para os teatros, os ballets”, recorda. Desde pequena, Bárbara já convivia com a avó, quando ela ainda morava na Rua Real Arcoverde. Muito ligada a ela, passaram a conviver ainda mais, quando Josefina descobriu um câncer e teve que ir morar com a mãe de Bárbara (Josefina teve duas filhas apenas, Marta e Renata). Lá, em um quarto com enfermeiras, vó e neta estiveram ainda mais juntas nos últimos dez anos de vida de Josefina.

“Vovó era forte, irônica, sarcástica, engraçada e chata até. Ela tinha um sininho do lado da cama e, como não podia falar alto, tocava o bendito sino o dia inteiro para se comunicar com as pessoas. Queria “falar” o tempo todo e lembro muito dela tocando Piazzola. Passava o dia inteiro tocando. Às vezes eu não aguentava mais aquele piano”, lembra, entre sorrisos e emoção. Ela desmistifica ainda essa áurea finesse de Josefina. “Esse mito da pianista cheia de frescura não existia em vovó. Ela era super aberta, gostava da música regional, de tudo o que era diferente, novo. Ela tocou músicas de Alfredo Gama, Capiba, que até estão no espetáculo, onde eu posso mostrar as várias faces dela e numa mistura entre a dança contemporânea com um estilo que as pessoas nem conhecem bem, o popping, que o Michael Jackson já divulgava. Movimentos bem street, de rua. Escolhi este estilo por seu diferencial e porque a gente quis focar nas ondas que os braços fazem, lembrando os braços da pianista, e nos pés, por conta do pedal do piano, como se fosse a vibração das notas musicais, a reverberação do som pelo corpo, como se continuasse para além dele... É o início de uma pesquisa que pretendo continuar”, complementa, tanto que Bárbara já dirigiu um 2º trabalho, desta vez juntando o Grupo Acaso e a Escola Bailado de Fafe, Portugal, no elogiado “O Tempo Perguntou ao Tempo”, aplaudido no 20º Janeiro de Grandes Espetáculos.

Composições mais marcantes executadas por Josefina foram escolhidas para a trilha sonora de “Para Josefina”. “Não tem muito material gravado e de qualidade, mas consegui pincelar verdadeiras pérolas de ensaios dela e apresentações ao vivo, além do CD “O Piano de Josefina Aguiar”, lançado em 1998 numa ação de amigos e que contou com poucos exemplares”, completa. Sobre o talento da avó, Bárbara confessa: “O sentimento que ela passava com o piano é algo a se considerar. É o que faz as pessoas sentirem uma força, uma vitalidade, da mais suave composição à mais simples. Tinha uma identidade nesse tocar”, pontua a neta que ganhou uma valsinha composta pela avó, mas nunca gravada. Ainda na ficha técnica, Fernando Oliveira como assistente de direção; Maria Cristina na criação dos figurinos; e Cleison Ramos na iluminação.

“Vovó era a rainha do drama. De tudo ela fazia um exagero, um dramalhão...”, recorda. O som do sino que ela usava, durante sua luta contra o câncer, também será lembrado. “Um detalhe que guardei na memória é o cabelo de vovó, que me lembrava o algodão doce enquanto criança”, diz Bárbara, dando mais pistas dos fragmentos que estarão em cena. Por isso, num trecho, somente mãos, pés e cabelo estarão à mostra. “Sílvio Cabeleireiro, que cuidava da aparência de vovó, fez uma peruca parecidíssima com o cabelo dela...”, comemora. Enfim, são suas impressões que ganharão o palco nesta bela homenagem. “Não é a história de vida dela. É apenas uma homenagem a minha avó”, finaliza, declarando tanto amor e saudade. O espetáculo tem 40 minutos de duração.

Serviço 
“Para Josefina”
24/01 | Teatro João Lyra Filho (Caruaru) | 20h
25/01 | Teatro Rui Limeira Rosal (Sesc Caruaru) | 16h e 20h
26/01 | Teatro Geraldo Barros (Sesc Arcoverde) | 16h e 20h
31/01 | Teatro Barreto Júnior | 20h
01º/02 | Teatro Barreto Júnior| 16h e 20h
02/02 | Centro Cultural Antônio Corrêa de Oliveira (Sesc Ler Goiana) | 16h e 20h
Entradas R$10 inteira e R$5 meia para crianças, estudantes, professores, comerciários e maiores de 60 anos.
Indicação: Livre

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