A partir da próxima segunda-feira, “Baile do Menino Deus – Uma Brincadeira de Natal” celebra dez anos na praça do Marco Zero

“A maior consagração é ter se tornado de domínio público com autores vivos”. É assim que o dramaturgo Ronaldo Correia de Brito festeja os 30 anos de sua obra mais conhecida, “Baile do Menino Deus”, composta em parceria com o escritor Assis Lima e o músico Antônio Madureira. Com sucesso impressionante desde o seu lançamento, em 1983, com encenação dirigida pelo próprio Ronaldo para a Companhia Práxis Dramática, a peça ganhou formato de grandiosa cantata natalina em 2004, na praça do Marco Zero, pela Relicário Produções, com a produtora Carla Valença à frente e direção do mesmo Ronaldo Correia de Brito. Desde então, há dez anos, vem atraindo famílias inteiras como o maior espetáculo do Natal apresentado pela Prefeitura do Recife e Governo do Estado de Pernambuco. A temporada desta 10ª edição será de 23 a 25 de dezembro (segunda a quarta-feira), sempre às 20h, com entrada gratuita.

“Há pelo menos três gerações o Baile do Menino Deus é amado”, diz com orgulho Ronaldo Correia de Brito. “Mas, no fundo, ainda me impressiona que seja tão atual e toque tanto as pessoas. Certamente por ser uma grande celebração, um ritual de nascimento, ao nosso modo, do Menino Deus. É por ele que fazemos”, complementa. Nesta versão, a montagem transforma-se numa verdadeira ópera popular de rua, vista por mais de 60 mil pessoas a cada nova edição como principal atração cênica do Natal de milhares de famílias que frequentam a praça do Marco Zero. No enredo, dois Mateus, juntos a um grupo de crianças, tentam abrir uma porta para celebrar o nascimento do Menino Jesus, com o consentimento de Maria e José, em meio a aparição de personagens fantásticos como o Anjo Bom, o Jaraguá, a Burrinha Zabilin e a Ciganinha.

No elenco, Sóstenes Vidal, Arilson Lopes, Fabiana Pirro, Zé Barbosa, Isadora Melo, Damiano Massaccesi (circense, ator e músico italiano que estreia neste ano), além dos cantores solistas Silvério Pessoa, Jadiel Gomes, Surama Ramos e Virgínia Cavalcanti. Um grupo de bailarinos participa também, com destaque para Juliana Siqueira e Jáflis Nascimento. Ainda na equipe técnica, assistência de direção de Quiercles Santana, direção de arte de Marcondes Lima e iluminação de Játhyles Miranda. Toda a trilha sonora é executada ao vivo por orquestra (15 instrumentistas), coro adulto (13 cantores) e infantil (12 crianças, com preparação vocal de Célia Oliveira), sob regência e direção musical do maestro José Renato Accioly.

Com canções inesquecíveis como Romã, Romã, Cantiga Para Acalentar o Menino, Ciganinha, Beija-Flor e Borboleta e Jaraguá, a trilha sonora é totalmente acompanhada pelo público, que já conhece cada canção de cor e salteado. “A música dá toda a sustentação ao espetáculo, pela delicadeza contida. Ela realça a poesia do texto. Por isso continuo achando esta obra iluminada, sem data, para sempre, além de ser iniciática e metáfísica”, diz, sem modéstia, Ronaldo Correia de Brito. A renovação, de fato, é o que propõe o espetáculo, além de uma celebração do Natal com jeito bem brasileiro.

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