Arte circense na rua

II Varieté de Circo no Casarão das Artes
Por: Gianfrancesco Mello
Fotos: Edvam Filho
( www.megafonne.net )

Do verde ao vermelho. A mudança de cor do semáforo é a deixa para o artista entrar em cena. Com isso, ele ganha a extensão da rua fazendo malabarismo ao jogar clavas ou atuando em outras modalidades por entre os veículos. A arte de malabaristas como a de Delmar Camilo, natural de São Paulo, serve de fuga da realidade e da rotina estressante a que estão submetidos os condutores de veículos que percorrem apressados pelas ruas da cidade. O sorriso estampado no semblante dos condutores serve de recompensa para o artista, além de, claro, lhe render um “trocado”, ajudando a manter viva a tradição circense, que vem conquistando mais adeptos pelo mundo.

Delmar Camilo
“Eu conheci o Circo na rua quando eu estava no Rio de Janeiro há uns 10 anos. Nasci em São Paulo e, por causa do artesanato, viajava pelo Brasil todo. Inicialmente, vi a arte sendo praticada por argentinos e chilenos. Gostei do que vi, comecei a praticar e não parei mais. Já passei por muitos outros lugares, mas quando cheguei ao Recife há três anos, senti-me em casa”, recorda Delmar Camilo. Segundo Camilo, a intenção do malabarista é conhecer as cidades viajando sempre. “Desta maneira, o artista tem experiências com outros artistas, pois procuramos os lugares por causa de suas diversidades culturais, e o Recife é uma cidade acolhedora, que tem muitas festas e possui um clima tropical maravilhoso”, conclui.


Fabiano Cordeiro
A exemplo do malabarista Delmar, outros artistas circenses, sejam brasileiros ou estrangeiros, acabam passando temporadas no Recife. É o caso de Fabiano Cordeiro, mais conhecido como Duende. Ele, que tem como atividade principal a arte do equilíbrio, chegou à capital pernambucana um pouco antes do Carnaval deste ano. “O que me trouxe foi a cultura e a musicalidade daqui. Eu queria conhecer as raízes mesmo”, frisa.

O chileno Jonatan Medina iniciou os trabalhos circenses casualmente para conseguir “grana”. “Com cinco meses, comecei a viajar. Passei pela Bolívia e pelo Paraguai. Cheguei aqui faz três meses.” Alan Brito, que também é chileno, começou na arte do circo pelo mesmo motivo, ou seja, a arte. E com essa arte, que nasce nos cruzamentos da cidade, ele obtém sua fonte de renda. “Tudo teve início com três limões. Estou aqui há quatro meses”, pontua.

II Varieté de Circo no Casarão das Artes
Já Raquel Figueiredo, de São Paulo, diferentemente dos demais, não precisa da arte do circo para sobreviver. Formada em biologia, chegou ao Recife há sete meses e, atualmente, trabalha no projeto Hippocampus Cavalo-Marinho, em Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco. “Vim em busca do mar, pois tem um litoral lindo e uma natureza incrível.” Com relação ao circo, “ele é meu amor. Com o circo, conseguimos aprender tudo. Nunca precisei ir à rua para ganhar grana, mas tenho desejo de viajar. Qualquer dia desses, vou arriscar para ver como é”, completa. De acordo com Raquel, o circo é uma família repleta de pessoas incríveis e que sempre estão de bem com a vida. “Eu me identifico muito com o pessoal do circo, principalmente com a arte do bambolê. A única ambição que o malabarista possui é perpetuar a arte circense.”

Delmar Camilo
Casarão das Artes – Alojado próximo à Praça do Arsenal, no Bairro do Recife, o local foi criado pelo malabarista Delmar Camilo com o objetivo de servir como ambiente de apoio aos artistas circenses. “O pessoal encontra muitas dificuldades quando chega a alguma cidade desconhecida. O Casarão acolhe esse pessoal. O malabarista, sozinho numa cidade, não cresce. Ele só cresce se encontrar outros malabaristas. Por isso, esse espaço foi elaborado, para juntar esses artistas. Eu chamo isso de Circo Independente, porque cada um vem mostrar sua técnica.”

II Varieté de Circo – A noite de encantos é realizada no Casarão das Artes, no Bairro do Recife, e envolve periodicamente variedades de interpretação, música, exposições de artes, entre outras modalidades de arte. A iniciativa é mais comum em países como Chile e Argentina. Quem chega ao local, acaba voltando. O evento é para ajudar a casa a se manter, além de realizar um grande encontro entre os artistas circenses. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MARIÂNGELA VALENÇA E O FREVO

Artistas Digitais: Matheus de Bezerra

Netflix está contratando brasileiros na área de audiovisual trabalhando em casa