O centro bate a poeira e mostra a história
POR Erika Fraga e Gianfrancesco Mello
O nosso passeio começa na Praça da Comunidade Luso-Brasileira, s/n. É lá que encontramos a Fortaleza de São João Batista do Brum, popularmente conhecida como Forte do Brum. O monumento tombado pelo Patrimônio Histórico Cultural (IPHAN), inicialmente foi construído pelos portugueses em 1629 e tinha como objetivo proteger o Porto do Recife de possíveis invasões. É nesta fortaleza, com mais de 380 anos, que se situa o Museu Militar do Forte do Brum. Ele foi criado em 1985 e nos leva a uma viagem pelo Recife holandês e luso-brasileiro, guardando lembranças importantes da história de Pernambuco.
Por trás da poeira dos museus e dos centros culturais do centro do Recife, encontramos também a Kahal Zur Israel, primeira sinagoga das Américas, que recebe visitantes de todo o Brasil e do exterior. O local passou a ser sede do Centro Cultural Judaico de Pernambuco e está localizado na antiga rua dos Judeus (Rua do Bom Jesus), na região portuária do Recife. Lá, descobrimos um verdadeiro ícone da cultura de tolerância religiosa e racial que torna o Brasil um exemplo para o mundo.
A Kahal Zur Israel serve de relato histórico sobre o período do domínio holandês no território que partia da foz do São Francisco até o Maranhão, aonde judeus portugueses vindos da Holanda se estabeleceram no Recife, incorporando-se rapidamente à elite local como comerciantes, financiadores dos donos de engenhos de açúcar e mercadores. Essa comunidade se desenvolveu, em especial, em área próxima do atual porto, originalmente conhecida como rua da Cruz, depois rua dos Judeus, em função da numerosa comunidade judaica que abrigou e, finalmente, Rua do Bom Jesus, seu nome atual.
Um pouco mais adiante, andando e admirando os prédios antigos do Bairro do Recife, encontramos o Centro Cultural Correios do Recife. O prédio onde foi instalado é uma construção do início do século passado e foi adquirido pelo então Departamento de Correios e Telégrafos (DCT), em 1921, para ser a sede dos Correios em Pernambuco. Integralmente restaurada, a edificação conta com cinco pavimentos e dispõe de seis salas de exposição, auditório, restaurante (bistrô), sala com peças históricas e uma agência postal.
Seguindo pelas pontes da Veneza brasileira, chegamos à Capela Dourada, onde funciona o Museu Franciscano de Arte Sacra, que foi fundada entre os séculos XVII e XVIII e está localizada dentro do complexo de edifícios do Convento e Igreja de Santo Antônio. Sua decoração é considerada uma das mais representativas no que se refere à arte barroca no Brasil. Possui altar e talhas folheadas a ouro bem como pinturas nas paredes e no teto. Na parte inferior, há inúmeros painéis de azulejos portugueses recuperados com cenas campestres e de caçadas. Segundo o ministro Geraldo Alain, além da Capela, os visitantes podem se deparar com o Convento Franciscano de Santo Antônio, que também possui inúmeros painéis de azulejos portugueses; a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, também adornada com painéis; e o Museu Franciscano de Arte Sacra , fundado em 1974. “Aqui, temos um rico acervo de imagens, tocheiros, castiçais, púlpito, crucifixo, candelabros, móveis, arca, paramentos e muitos outros objetos.”
Percorrendo a 1º de Março, passando pela Praça do Diário, chegamos ao Pátio de São Pedro, local onde está situado o Centro de Formação, Pesquisa e Memória Cultural, mais conhecido como Casa do Carnaval. De acordo com o assistente do historiador e gerente Mário Ribeiro, Perácio Junior, o objetivo do lugar é apresentar as festas populares vivenciadas nas ruas do Recife integradas ao cotidiano da cidade. “Aqui, nós mostramos aos visitantes a exposição Festas, cidade e cotidiano e fazemos um percurso pelo passado e presente dos três ciclos: carnavalesco, junino e natalino”, pontua. Na cidade, a “Casa do Carnaval” é um dos espaços mais frequentados por estudantes e pesquisadores da Recife.
A Casa pretende ampliar e manter viva a complexidade desse patrimônio, por meio de ações cotidianas que visam fortalecer, preservar e incentivar o nascimento de novos grupos de cultura popular. Ao todo, são mais de quinhentos volumes impressos, entre livros, periódicos, teses, dissertações, monografias, partituras, atas, estatutos, cartas, notas de jornal, cartilhas, catálogos e folderes. “Já digitamos muitos desses materiais e possuímos ainda um acervo em mídia digital”, enfatiza o assistente. Regularmente, por lá, podemos nos deparar com carnavalescos, compositores, maestros, passistas, quadrilheiros, pastoras, mestres de apito, velhos de pastoril, entre outros, e quem sabe, trocar ideias. No blog do local (www.casadocarnaval.blogspot.com), podemos ficar por dentro de toda a programação, inclusive debates e palestras.
Por fim e não menos importante, o nosso bater pernas chegou ao Forte das Cinco Pontas, construído pelos holandeses em 1630, que é o símbolo da resistência holandesa. Atualmente, a construção chama a atenção em dois aspectos: o primeiro é que o local abriga, desde 1982, o Museu da Cidade do Recife, e o segundo e mais curioso é que, apesar do nome, o Forte possui apenas quatro pontas, resultado de uma reconstrução feita após a guerra que expulsou os europeus do Brasil. “Estamos passando por uma reforma e iremos voltar com as atividades de visitação neste mês. Melhoramos os nossos serviços e agora, temos auditório com 120 lugares, ambientes climatizados, projeções e acessibilidade parcial. Seremos um museu com versatilidade com relação aos eventos, exposições e pesquisas”, frisa a diretora Betânia Corrêa.
Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco
Cada canto da cidade do Recife nos reserva um encantamento, seja pelas fachadas dos casarões ou até mesmo pelas pedras que fazem parte do calçamento das ruas. Os bairros do Recife, São José e Santo Antônio, ou seja, toda essa parte conhecida por cento histórico ou “cidade velha” é um verdadeiro museu à céu aberto, repleto de monumentos históricos e de uma cultura diversificada com inúmeras opções de entretenimento. Na Conexão deste mês, resolvemos dar um giro por esses bairros e mostrar um pouco do passado guardado em belos casarios e edificações.
![]() |
| Forte do Brum. Foto: Site pdarozhistoriamilitar.blogspot.com |
Com acervo composto por mais de 350 peças, o museu possui quatro salas: a primeira intitulada Assim Nasceu a Pátria, homenageia os heróis que deram origem à formação do nosso Exército e ao nascimento da Pátria Brasil; Na segunda sala, existe a Pinacoteca. Nela, estão alguns achados arqueológicos e reproduções de mapas do Brasil, que retratam a evolução urbana da cidade do Recife e regiões circunvizinhas da Capitania de Pernambuco.
Seguindo mais um pouco pelo Forte do Brum, deparamo-nos com a sala dedicada à Força Expedicionária Brasileira (FEB). Lá, encontramos armas e materiais usados pela FEB, a exemplo de metralhadoras antiaéreas e armamentos de tropas aliadas na II Guerra Mundial, bem como armas apreendidas com as forças inimigas. A última sala é a das Bandeiras Históricas, que guarda todas as bandeiras que fizeram parte de diversos momentos da nossa história, desde o período colonial até o período republicano.
Além das salas expositivas, o Forte possui o Salão Guararapes, que abriga a biblioteca (aberta ao público) com acervo composto por mais de 500 exemplares (todos com temática militar) e uma Capela detentora da imagem da Nossa Senhora dos Prazeres (padroeira do Exército Brasileiro), da imagem de São João Batista do Brum (padroeiro do Forte do Brum) e da imagem de São José.
Atravessando a rua e andando alguns metros, chegamos ao Memorial da Justiça. O espaço, que pertence ao Poder Judiciário de Pernambuco, guarda e preserva documentos históricos da justiça pernambucana. Com todo o seu acervo disponível ao público, o Memorial também abre as portas para exposições relacionadas ao tema. Neste mês de férias, o visitante poderá conferir a exposição “Uma Questão de Justiça”, que explora os temas: escravidão, cangaço e capoeira.
| Kahal Zur Israel. Foto: Gianfrancesco Mello |
| Centro Cultural Judaico de Pernambuco Foto: Gianfrancesco Mello |
A Kahal Zur Israel serve de relato histórico sobre o período do domínio holandês no território que partia da foz do São Francisco até o Maranhão, aonde judeus portugueses vindos da Holanda se estabeleceram no Recife, incorporando-se rapidamente à elite local como comerciantes, financiadores dos donos de engenhos de açúcar e mercadores. Essa comunidade se desenvolveu, em especial, em área próxima do atual porto, originalmente conhecida como rua da Cruz, depois rua dos Judeus, em função da numerosa comunidade judaica que abrigou e, finalmente, Rua do Bom Jesus, seu nome atual.
Um pouco mais adiante, andando e admirando os prédios antigos do Bairro do Recife, encontramos o Centro Cultural Correios do Recife. O prédio onde foi instalado é uma construção do início do século passado e foi adquirido pelo então Departamento de Correios e Telégrafos (DCT), em 1921, para ser a sede dos Correios em Pernambuco. Integralmente restaurada, a edificação conta com cinco pavimentos e dispõe de seis salas de exposição, auditório, restaurante (bistrô), sala com peças históricas e uma agência postal.
![]() |
| Capela Dourada. Foto: Adelmo Sales |
Dando continuidade a nossa caminhada, chegamos até a Rua da Aurora. Um dos caminhos mais poéticos de nossa cidade. Bem no número 625, localizado às margens do Rio Capibaribe, está o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), nosso próximo ponto de parada. Rota de grandes mostras internacionais, o museu possui no primeiro pavimento o espaço Foyer Aloísio Magalhães (pintor e designer patrono do local). Ainda no mesmo espaço, pode-se visualizar a preservação da parede de cerâmica deixada por Moacir dos Anjos, antigo diretor do MAMAM entre 2001 e 2006. Percorrendo adiante, o visitante irá se deparar com uma biblioteca que disponibiliza todo o acervo para pesquisas. Além da biblioteca, o espaço também oferece o Café Bistrô, que funciona como uma ponte direta com a arte, oferecendo atividades culturais, lançamentos de livros e cafés filosóficos.
| Casa do Carnaval. Foto: Gianfrancesco Mello |
| Estudantes visitam regularmente a Casa do Carnaval Foto: Gianfrancesco Mello |
Saindo da Casa do Carnaval e sutilmente percorrendo alguns metros, logo chegamos à casa de número 21. É nela que está fixada o Memorial Chico Science (MCS). Inaugurado em abril de 2009, ele é o equipamento mais recente deste Complexo Turístico Cultural Recife/Olinda. O espaço oferece exposições, pesquisas e acervo de livros e trabalhos acadêmicos acerca do universo de Chico Science. As ações não se limitam apenas ao aspecto museológico, mas também de um incentivo à produção cultural e artística dentro do Estado, oferecendo aos visitantes oficinas gratuitas (o visitante deve se inscrever por meio do blog: www.memorialchicoscience.com) e atividades ligadas à temáticas como arte e tecnologia, videoartes, laboratório e formação entre outras atividades ligadas à proposta do MCS.
Ainda desvendando o Pátio de São Pedro, chegamos ao sobrado de número 35, endereço certo do Memorial Luiz Gonzaga (MLG). O espaço, que surgiu com objetivo de preservar e difundir a memória do Rei do Baião, promove frequentemente oficinas, cursos, palestras e apresentações culturais, além de contar com exposições itinerantes e um variado acervo composto por pesquisas, discos, CDs, fotos e material audiovisual todos disponíveis ao visitante.
![]() |
| Forte das Cinco Pontas. Foto: Dream Tours Turismo |
O Museu da Cidade do Recife se destaca por conter em seu acervo documentos iconográficos de extrema importância para a preservação da história urbana e social do Recife. A memória cultural da capital pernambucana é representada por meio de cerca de 150 mil imagens e de peças provenientes de antigas residências e da Igreja do Senhor Bom Jesus dos Martírios, já demolida.
Outros espaços
Centro de Design de Recife
O Centro de Design de Recife, em seus espaços físicos e virtuais, promove o fomento, a formação complementar, a pesquisa e a difusão da cultura do design. Apresenta, no térreo, uma vitrine da produção do design pernambucano e outra sobre o universo do design. Todas as atividades são gratuitas.
O Espaço Pasárgada, situado em um sobrado neoclássico na Rua da União, no centro do Recife, foi o local onde o poeta pernambucano Manuel Bandeira passou grande parte da sua infância. A residência foi restaurada para acolher um espaço cultural destinado à produção e à vivência poética. Todas as atividades são gratuitas.
Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco
Fundado em 1862, o Instituto tem um valioso acervo sobre a história de Pernambuco, no qual estão peças como o marco de pedra divisório das Capitanias de Pernambuco e Itamaracá, de 1536; espadas da época das batalhas travadas contra os holandeses encontradas nos Montes Guararapes e outras. A visitação custa R$ 2.
Serviços:
Capela Dourada (Museu Franciscano de Arte Sacra)
Rua do Imperador Dom Pedro II, S/N, Santo Antônio
3224 0530 / 3224 0994
Seg a sex, das 8h às 11h e das 14h às 17h
Sáb, das 8h às 11h
Centro Cultural Correios
Av. Marquês de Olinda, 262, Bairro do Recife
3224 5739 / 3424 1935
Ter a sex, das 9h às 18h
Sáb e dom, das 12h às 18h
Centro de Design de Recife
Pátio de São Pedro, 10, São José
3355 3148 / www.centrodesignrecife.org
Seg a sex, das 9h às 17h
Centro de Formação, Pesquisa e Memória Cultural (Casa do Carnaval)
Pátio de São Pedro, 52, São José
3355 3302 / 3355 3303
Ter a sex, das 9h às 17h
Espaço Pasárgada
Rua da União, 263, Boa Vista
3184 3165
Seg a sex, das 9h às 17h
Forte das Cinco Pontas (Museu da Cidade do Recife)
Praça das Cinco Pontas, São José
Ter a sex, das 10h às 17h
Sáb e dom, das 13h às 17h
Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco
Rua do Hospício, 130, Boa Vista
3222 4952 / www.institutoarqueologico.com.br
Seg a sex, das 13h às 17h
Sáb, das 8h às 12h
Kahal Zur Israel (Centro Cultural Judaico de Pernambuco)
Rua do Bom Jesus, 197, Bairro do Recife
3224 2128 / www.arquivojudaicope.org.br
Ter a sex, das 9h às 16h30
Dom, das 14h às 17h30
Memorial Chico Science
Pátio de São Pedro, casa 21, Bairro de São José
3355 3158 | 3355 3159 | mcs@recife.pe.gov.br |www.recife.pe.gov.br/
chicoscience
Seg a sex, das 9h às 17h
Memorial de Justiça de Pernambuco - Recife Velho
Av. Alfredo Lisboa, s/n, Bairro do Recife
3224 0142
Seg a sex, das 13h às 17h
Memorial Luiz Gonzaga
Pátio de São Pedro, 35, Bairro de São José
3355 3155 | http://www.recife.pe.gov.br/mlg
Seg a sex, das 9h às 17h
Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM)
Rua da Aurora, 265, Boa Vista
3355 6870 / 3355 6871 / 3355 6872 | mamam@mamam.art.br |
www.mamam.art.br
Ter a sex, das 12h às 18h
Sáb e dom, das 13h às 17h
Museu Militar Forte do Brum
Praça Comunidade Luso-Brasileira, s/n, Bairro do Recife
3224 4620 / 3224 7559 / fortedobrum@gmail.com
Seg a qui, das 8h às 12h e das 13h às 16h30
Sex, das 8h às 12h




Comentários
Postar um comentário