Cada um carrega dentro de si uma Dolores
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| Foto: Raiane Calistrato |
Por Raquel Freitas
Dolores Duran e Antônio Maria estão vivos. Foi essa a sensação para quem assistiu ao musical Dolores (RN) apresentado na noite da última quarta-feira (24), no Teatro de Santa Isabel, dentro da programação do 18º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Teatro de Pernambuco. A união de dois personagens em um só palco resgatou, através de clássicos da bossa nova, uma sensação no mínimo emocionante para quem não viveu a época. A produção artística e a amizade que uniu a cantora e compositora Dolores Duran (1930-1959) e o compositor e poeta pernambucano Antônio Maria (1921-1964), interpretados pelos atores/cantores Cláudia Magalhães e Isaque Galvão, fizeram o público aplaudir a cada música concluída e a cada poema declamado.
A semelhança entre os dois artistas são inúmeras, mas uma chama atenção: o amor. Para alguns, este sentimento pode ser classificado como algo comum, todavia, para eles, o amor se tornou fonte inesgotável de inspiração. Certo dia, Antônio Maria publicou: “Dolores Duran falou de sentimentos como ninguém, em todas as línguas. Seu idioma era o amor!". A facilidade para a escrita vinha carregada de um amor não compreendido, cheios de angústias e anseios. Bastava uma noite inteira no bar para que uma palavra viesse à tona e saltasse da boca. “Dolores escreveu muitos poemas com lápis de sobrancelha”, afirma o personagem de Antônio Maria durante a peça. Para aqueles que pensaram que o final seria a morte prematura da cantora aos 29 anos, enganaram-se. O desfecho do espetáculo foi embalado pelo ritmo do clássico Estrada do Sol, deixando os espectadores felizes em poder rever Dolores e Antônio tão próximos e vivos mais uma vez.

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