A cultura no coração da metrópole
Por: Anax Botelho e Erika Fraga
Fotos: Anax Botelho e Joás Benedito
O Espaço que se transformou no primeiro núcleo histórico do Complexo Turístico Cultural Recife-Olinda, o Pátio de São Pedro foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1938. O polo cultural situado na mais ativa área comercial do Bairro de São José, conta com a Igreja de São Pedro dos Clérigos, construída entre os anos de 1728 e 1759, e atualmente detém equipamentos culturais como o Memorial Luiz Gonzaga (MLG), o Memorial Chico Science (MCS), o Centro de Design, o Museu de Arte Popular (MAP), a Casa do Carnaval, o Centro de Formação em Artes Visuais (CFAV) e o Núcleo de Cultura Afro-Brasileira que em atividades constantes conseguem se introduzir na rotina da sociedade, levando mais cultura e conhecimento para a população.
| Memorial Luiz Gonzaga |
Para a gerente de serviços do Museu de Arte Popular, Marcela Wanderley, “O Pátio, foi pensado dentro de um processo para trabalha-se o turismo cultural dentro do Recife”, o que o torna também um âncora cultural Recife/Olinda. Os equipamentos funcionam de diversas formas, com mediações voltadas mais para a comunidade escolar, além de oficinas, workshop, seminários... Em geral, as atividades são iniciativas individuais dos espaços e estão mais ligadas ao plano de ação de cada equipamento e sua identidade, tal como ocorre no Memorial Chico Science, equipamento mais recente do complexo inaugurado em abril de 2009. Segundo o pesquisador Pedro Odilon, as ações não se limitam apenas ao aspecto museológico do seu personagem, mas também de um incentivo à produção cultural e artística dentro do Estado, por exemplo, oferecendo oficinas, nas quais o público por meio de um cadastro na internet e gratuitamente produz instalações na temática de arte e tecnologia, videoartes, entre outras atividades ligadas à proposta do MCS.
| pesquisador do MCS Pedro Odilon |
O conjunto cultural também promove diversos eventos. Um deles que se forma por meio da organização de todos os equipamentos culturais, é o Fórum dos Museus de Pernambuco, no qual todos os equipamentos se articulam com a gerência do Pátio para que a população se sinta atraída a ir ao Pátio no domingo. Outro evento de peso é o Crianças no Pátio, que ocorre no mês de Outubro, próximo ao dia das crianças e tem como objetivo fazer uma maratona de visitação aos equipamentos por estudantes de colégios de todas as idades. Dentro do evento, os equipamentos se preparam com mediações diferenciadas, além das atividades que ocorrem no centro do Pátio. Já para este mês, o Memorial Chico Science, o Centro de Formação em Artes Visuais e o Centro de Design vão participar do Pixel Show (Ver Feiras e Eventos), uma feira organizada pela Zupi de São Paulo que aborda a temática da arte, dos games, do design e da arte contemporânea. São todas as ações desenvolvidas que estão transformando o espaço em um verdadeiro centro de efervescência cultural. “Acho importante essa associação do Memorial Chico Science do Pátio de São Pedro, pois historicamente é um local comercial, como todo o bairro de São José. E nos últimos anos, esses equipamentos vêm dando um acréscimo a tudo que o Pátio pode oferecer”, diz o pesquisador do MCS Pedro Odilon.
| Maria das Dores - 27 anos de Pátio |
Além dos equipamentos voltados à cultura, aos estudos acadêmicos, pesquisadores, etc., o Pátio tem em si uma tradição boemia-cultural. O Bar Buraquinho, cujo nome lhe foi atribuído por Aldemar Paiva, jornalista, poeta, compositor, produtor artístico e Membro da Academia de Artes e Letras de Pernambuco há 27 anos. O estabelecimento funciona até hoje no mesmo loca, em dias de eventos, permanece aberto durante toda a noite, com uma decoração que transparece um pouco da cultura local. A gerente do bar, Maria das Dores, diz que o Pátio nos últimos anos, vem melhorando e recorda da época em que tudo eram apenas bares e só existiam cerca de três casas de artesanato. Porém afirma que o Pátio sempre teve essa essência cultural e que os frequentadores do Buraquinho são fregueses antigos e turistas, que ficam conhecendo a história de um dos locais mais tradicionais da cidade.
| Resgate da Cultura na Terça Negra |
Um dos eventos notívagos mais tradicionais do Recife e que ocorre no meio da semana é a Terça Negra. O evento é produzido pelo Movimento Negro Unificado (com sede na Casa da Cultura) em parceria com o Núcleo de Cultura Afro-Brasileira (NCAB). Segundo o gerente do NCAB, Edson Axé, “Sua vinda ao Pátio de São Pedro dar-se pela compreensão de seus coordenadores em entender ser este um espaço com tamanho poder artístico e por também ser e um grande pátio cultural. Como é central, a mobilidade para os simpatizantes dessas manifestações têm uma oportunidade ímpar de poder preservar sua a cultura e encontrar amigos”, afirma. Em 11 anos de atividade, a Terça Negra apresenta grupos de Afoxés, Maracatus, Coco, Escolas de Samba, Sambistas, entre outras, e promove ações no Dia Internacional de Combate à Intolerância Religiosa, no Dia Internacional de Combate ao Racismo, no Dia Nacional da Consciência Negra, o Passeio Afro Pedagógico com Babalorixás, Yalorixás, Pesquisadores e Estudantes, além de disponibilizar o Acervo Literário Madame Satã, para pesquisa e consulta sobre a cultura afro-brasileira e outras.
Crônica e Poesia
O local por onde passam milhares de pessoas apressadas diariamente, no coração de uma metrópole que só cresce, consegue resgatar toda uma história e produzir ações que tornam a vida mais interessante. Hoje, é difícil definir o Pátio como apenas de São Pedro... Chico Science, Luiz Gonzaga, as crianças correndo pelo pátio, entrando e saindo do que possamos chamar de aulas culturais nos equipamentos se apropriaram do espaço. A estátua de um poeta negro, Solano Trindade, está vendo as mais diversas manifestações artísticas. A Sociedade já sente o espírito do local. Às sextas-feiras, após uma semana exaustiva, buscam no local um momento de voz e violão, de sabedoria e tranquilidade em seu dia. O Pátio de vários personagens ultrapassa qualquer denominação de complexo cultural, as pedras irregulares, a Catedral... transforma tudo em poesia, como o poeta Romero Amorim diz em sua poesia:
Nesse espaço do Recife
Plantaram-se pedras e história
Que o velho Pátio segreda
No Silêncio da memória
Nesse Pátio de São Pedro
Ergueram-se dois altares:
Ao vulto do santo apostólico,
Ao culto pagão dos bares.
Nesse canteiro de pedras
Renascem rosas e raízes
Das culturas populares.
Aqui a crença é boêmia.
Arte e magia são gêmeas.
Aqui o povo é poesia.
Comentários
Postar um comentário