Mauro Lira

Com um trabalho na área da cultura de 20 anos, no qual já passou pela UNESCO, Ministério da Cultura, Fundarpe, além de projetos e produções audiovisuais, musicais e teatrais, Mauro Lira embarcou no Táxi Cultural, uma iniciativa própria que funciona como uma agência de turismo cultural. Promovendo um roteiro de visitação aos Pontos de Cultura e Leitura de Pernambuco, além de contar com um acervo de CDs e catálogos, para que os usuários possam conhecer mais sobre a cultura do Estado, o projeto se desenvolve na descentralização da cultura. Em entrevista ao repórter Anax Botelho, Mauro conta sua história profissional, produção do projeto e fala sobre a realidade da cultura em Pernambuco.

Como você teve a ideia de fazer o táxi cultural?
A partir da necessidade de ampliar os roteiros de visitação turístico-culturais no estado de Pernambuco. Querendo apresentar Pernambuco como o Estado que, além das belas praias, oferece também um produto diferenciado, como opção de turismo cultural. Vamos oferecer o maior bem patrimonial que temos: a nossa cultura.

Como se desenvolve a o projeto e toda sua estrutura?
 O Táxi Cultural funciona como uma agência de Turismo Cultural. Estruturando visitas agendadas aos Pontos de Cultura e Leitura, promovendo passeios turísticos e culturais no estado de Pernambuco. Temos carros agregados ao projeto e montamos a estrutura a partir das demandas, portanto o transporte de deslocamento para o roteiro escolhido vai depender da quantidade de pessoas. No primeiro momento vamos atender até a mata Norte e depois vamos estruturar agreste e sertão. Em relação aos CDs e catálogos, são acervos do Taxi para que os usuários possam ir conhecendo essas experiências antes de chegar no destino escolhido ou até tendo contato, mesmo que naquele momento o destino não seja aquele.

Onde você já trabalhou com cultura?
Fui assistente de produção do Projeto Noites Olindenses, projeto que tinha como desafio a revitalização do Clube Atlântico em Olinda, com eventos temáticos semanais onde, foi uma grande escola. A partir daí, exerci várias funções em produções audiovisuais, musicais, teatrais em Projetos Culturais que me permitiram um conhecimento bastante rico da diversidade cultural e uma ligação profissional e afetiva com quem faz cultura no Nordeste. Fui coordenador cultural do Projeto Escola Aberta da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que tem como missão diminuir o índice de violência nas escolas públicas da Região Metropolitana do Recife, através de atividades culturais realizadas nos fins de semana. No Ministério da Cultura/Regional Nordeste, fui coordenador do Programa Cultura Viva/Pontos de Cultura, Região Nordeste. No Governo de Pernambuco na Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), fui coordenador executivo do Programa Mais Cultura. Atendendo as redes de: Pontos de Cultura, Micro projetos culturais, Cine Mais Cultura.

Quando se viu como guia turístico e como a experiência de trabalho contribuiu para isso?
Todo pernambucano tem um guia turístico dentro dele, isso se reflete como resultado da diversidade cultural no nosso Estado. Acho que hoje, as comunidades apropriaram-se de um pertencimento e auto-estima como nunca visto na história cultural do nosso estado. Fui coordenador do Programa Mais Cultura em Pernambuco e a partir dessa experiência foi possível identificar e pensar em um projeto que possibilitasse uma proposta de sustentabilidade às redes de Pontos de Cultura e Leitura.

Qual é o diferencial para que as pessoas escolherem conhecer os Pontos de Cultura através táxi e qual é o perfil dos usuários?
Na verdade, como não existe nenhum trabalho que estimule a visitação a essas redes sociais, o diferencial é que o Projeto Táxi Cultural passa a ser o articulador do acesso a essas produções, eu conheço onde estão todos os Pontos de Pernambuco, foram seis anos de convivência, falando todos os dias, visitando suas estruturas.  A respeito dos usuários não existe um perfil especifico para conhecer os Pontos de Cultura.  A intenção é que todas as pessoas que tenham interesse em ter contato com as várias linguagens culturais de Pernambuco entendam que esse é um passeio diferenciado. Vamos, por exemplo, entrar nas comunidades e descobrir outras produções culturais do nosso Estado, vivenciado in loco essas manifestações.

Como é a relação do Táxi com os Pontos de visita?
Temos uma relação sem intermediários com os Pontos. Conhecemos o dia a dia desses grupos, sabemos onde estão localizados e o que fazem. E isso facilita muito as visitas, pois às vezes estão instalados em lugares de difícil acesso.

Quais são os seus projetos futuros para o táxi, trabalho com a cultura e com os usuários?
Teremos muito trabalho pela frente, queremos agregar os projetos de instituições que não foram aprovados no edital de Pontos de Cultura, mas que desenvolvem atividades sócio-culturais nas comunidades. Isso significa um aumento considerável nas propostas dos roteiros, além dos estabelecidos que vão atender as visitas dos Pontos de Cultura e Leitura. Também vamos alimentar um Blog, que permita ao usuário um entendimento maior sobre quem são os Pontos, onde estão e o que fazem, e informações sobre os passeios já realizados.

Táxi Cultural
taxicultural@gmail.com
9982 4403

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MARIÂNGELA VALENÇA E O FREVO

Netflix está contratando brasileiros na área de audiovisual trabalhando em casa

Artistas Digitais: Matheus de Bezerra