Eugênio
Por: Felipe Mendes
Foto: Raquel Freitas
No picadeiro de um circo, histórias incríveis se desenrolam aos olhos de crianças e adultos envolvidos em movimento, cor, espanto, sons e riso. Os artistas, responsáveis pelo espetáculo, criam uma atmosfera em que tudo pode ser possível e o inimaginável acontece. Por trás da lona, no dia a dia de uma das atividades artísticas mais antigas que se conhece, desenrolam-se também histórias incríveis, que muitas vezes escapam a quem assiste às peripécias de palhaços, equilibristas, atiradores de faca, trapezistas, malabaristas e tantos outros artistas que compõem um espetáculo circense.
Essas histórias acontecem com as pessoas que fazem o circo. Sem maquiagem, fantasias ou máscaras, os artistas de circo enfrentam uma dura rotina para poder sobreviver e perpetuar sua tradição. Eugênio Bernardo da Silva, nascido em Timbaúba e criado em Gravatá, entrou para o circo de maneira despretensiosa, quando um pano de roda (circo sem cobertura) chegou onde morava procurando músicos para animar seu espetáculo. “Eu estava aprendendo a tocar cavaquinho”, lembra-se Eugênio.
Seus pais não queriam que ele acompanhasse o circo em suas andanças por diversas cidades, já que tinha apenas 16 anos. Mesmo assim Eugênio integrou-se à trupe. “Fui seduzido pelo circo”, confessa o artista, contando mais: “passei seis meses sem dar notícia em casa. Quando voltei, já cheguei falando como circense”. Aos poucos, o cavaquinho foi sendo deixado de lado e Eugênio se envolveu em diversos aspectos do espetáculo, atuando como apresentador, mestre de cena, secretário e diretor em diversos circos.
Dos Estados do nordeste, o único em que não se apresentou foi o Maranhão. Casou-se com Maria Edvanda, de família circense e construiu uma vida inteira voltada às lonas e aos picadeiros, acumulando 52 anos de atividade. Em 1977, cerca de vinte anos após se incorporar à tradição do circo mambembe, conseguiu o seu próprio, o Circo Havaí.
A primeira lona que adquiriu foi um presente. O artista conta que veio ao Recife visitar a irmã após uma enchente atingir a casa dela, e seu cunhado acabou comprando seu primeiro circo. “O circo era bem simples e em 8 meses já estava com tudo novo”, recorda-se Eugênio, afirmando que chegou a ter quarenta funcionários no Havaí. “Muita gente se integrou ao circo, inclusive garotos de rua”, completa. Muitas crianças em condições precárias de moradia e alimentação encontram no circo uma forma de transformarem os horizontes de sua vida, e garantirem seu sustento e sua cidadania com arte.
“O circo cativa as pessoas”, resume Eugênio, que se aposentou há seis anos. Ressaltando que sua vivência circense de tantas décadas foi uma lição de vida e que, como tudo na vida, existe um lado bom e ruim também no dia a dia debaixo da lona, o circense avalia sua jornada: “pra mim o circo foi muito bom”.
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