Associação Respeita Januário promove seminário nacional sobre os desafios do patrimônio imaterial no século XXI
Seminário ARJ 2026 discute mudanças climáticas, inteligência artificial e exploração comercial das culturas tradicionais; evento também marca o lançamento de plataforma digital inédita de acervos da cultura popular
A Associação Respeita Januário (ARJ) realiza, nesta sexta-feira (21 de agosto), o Seminário ARJ 2026 — Patrimônios do Futuro: Cultura Viva, Memória e os Desafios da Salvaguarda no Século XXI, no Paço do Frevo, no Bairro do Recife. O encontro reúne pesquisadores, gestores públicos e mestres da cultura popular de diferentes estados para discutir os rumos das políticas de preservação do patrimônio imaterial no Brasil diante de um cenário que inclui mudanças climáticas, o avanço das plataformas digitais e da inteligência artificial e a crescente exploração comercial de manifestações tradicionais.
A programação propõe um balanço de duas décadas de políticas públicas de salvaguarda do patrimônio imaterial, com foco nos efeitos concretos dessas políticas sobre as comunidades que mantêm vivos os conhecimentos, práticas e tradições reconhecidos pelo Estado.
O encontro também marca o lançamento da nova plataforma digital da ARJ, dedicada a ampliar o acesso público a acervos sonoros, fotográficos e audiovisuais ligados às culturas populares e reunidos pela associação ao longo de sua atuação com mestres, grupos e pesquisadores da cultura tradicional.
A ARJ é uma organização dedicada à pesquisa, à documentação e à difusão das culturas populares, com atuação voltada à valorização de mestres, grupos e tradições da cultura tradicional brasileira. A realização do seminário conta com parceria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além do apoio do Paço do Frevo, que sedia o evento.
Homenagem a Carlos Sandroni
A abertura institucional está marcada para as 9h30. Às 10h, a Mesa 1 — Carlos Sandroni e a Invenção de uma Escuta do Patrimônio — dedica-se ao legado do professor, músico, compositor e pesquisador, referência da etnomusicologia brasileira e dos estudos sobre música popular e patrimônio cultural.
“Carlos Sandroni ajudou o Brasil a escutar as culturas populares como conhecimento, memória e patrimônio vivo”, afirma Naara Santos, coordenadora de projetos da Associação Respeita Januário.
Participam da mesa a cantora Clara Sandroni, professora do Instituto Villa-Lobos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); Sandro Guimarães de Salles, professor da UFPE, doutor em Antropologia e organizador, com Carlos Sandroni, do livro Patrimônio Cultural em Discussão: Novos Desafios Teórico-Metodológicos; e Edwin Ricardo Pitre-Vásquez, também da UFPE, doutor em Musicologia pela USP e pós-doutor em Etnomusicologia pela UNAM. A mediação é de Rannier Venâncio, da ARJ.
Vinte anos de patrimônio imaterial
Às 14h, a Mesa 2 — 20 anos depois: o que o patrimônio imaterial produziu? — discute os efeitos concretos do reconhecimento patrimonial na vida das comunidades e dos detentores de saberes tradicionais.
Participam Diana Dianovsky, coordenadora-geral de Identificação e Registro do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, doutora em Antropologia Social pela Universidade de Brasília e integrante do órgão desde 2010; e Karen Aguiar, batuqueira regente do Maracatu Nação Leão Coroado, realizadora audiovisual, mestranda em História e brincante da cultura popular. A mediação é de Luiz Henrique Santos, da ARJ.
Patrimônios do futuro
Às 16h, a Mesa 3 — Patrimônios do Futuro: novas políticas de salvaguarda para o século XXI — discute estratégias para garantir a continuidade e a transmissão dos saberes tradicionais diante das transformações sociais, ambientais, tecnológicas e econômicas contemporâneas.
Participam Eduardo Sarmento, historiador e doutor em Antropologia pela UFPE, com atuação há mais de duas décadas nas áreas de patrimônio cultural e museus, e integrante da ARJ e do ICOM Brasil; e Giorge Patrick Bessoni, do Iphan desde 2006, mestre em Preservação do Patrimônio Cultural e atual coordenador da área de Educação, Formação e Participação Social do órgão. A mediação é de Akyla Tavares, antropólogo e membro da diretoria da ARJ.
Às 18h30, a ARJ lança oficialmente sua nova plataforma digital de acervos. O seminário se encerra a partir das 19h com apresentação de Marcos do Pífano e da Banda Vitoriano Jovem, celebrando, até as 20h, a tradição do pífano e sua transmissão entre gerações.
Serviço
O quê: Seminário ARJ 2026 – Patrimônios do Futuro: Cultura Viva, Memória e os Desafios da Salvaguarda no Século XXI
Quando: 21 de agosto de 2026, sexta-feira, das 9h30 às 20h
Onde: Paço do Frevo — Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Bairro do Recife
Realização: Associação Respeita Januário (ARJ)
Parceiros: Iphan e Paço do Frevo.
Entrada Franca.
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