Coletivo Orí Muleke lança HQ “Antes da Bala” com leitura gratuita na plataforma Funktoon

Quadrinho com prefácio de Rodrigo França acompanha Zaki,

garoto negro de 13 anos, na primeira vez que sai à noite sem a família


Traços feitos à mão, diálogos do cotidiano e uma história construída a partir de vivências reais dão forma a “Antes da Bala”, nova história em quadrinhos do Coletivo Orí Muleke. Escrita por Shiva Carolina e Lima Julião e ilustrada por Lari Salles e Mari Medú, a HQ chega ao público com leitura gratuita na plataforma de quadrinhos digitais Funktoon. Com prefácio do ator, dramaturgo e escritor Rodrigo França, a obra tem classificação indicativa de 12 anos e é voltada a pré-adolescentes, adolescentes, famílias e profissionais da educação.

 

Na trama, Zaki é um garoto negro que acabou de completar 13 anos e, com a nova idade, surgem também novos desafios. Convidado para uma festa de aniversário, ele sente a pressão do momento: é a primeira vez que vai sair à noite sem a companhia da família. Com muito diálogo e afeto, pais, parentes e amigos orientam o jovem sobre como agir na rua, em conselhos que revelam de forma contundente como o racismo atravessa ações cotidianas de jovens negros só por causa da cor da pele. Mas a dúvida persiste ao longo das páginas: será que Zaki está realmente protegido?


Antes da Bala Mockup

 

“Antes da Bala” é a terceira obra do coletivo e dá continuidade à trajetória de Zaki, protagonista do livro “Racismo não é Brincadeira”, em que o personagem enfrenta o racismo recreativo no ambiente escolar. Agora, a narrativa se aprofunda nas camadas do racismo estrutural, presente nos olhares, nos julgamentos e nas abordagens do dia a dia. O roteiro nasceu de relatos pessoais da equipe e de referências como o bolso costurado da calça, artifício que a avó da intelectual Benilda Brito usava para impedir que a polícia forjasse flagrantes contra os filhos, como ela mesma contou em entrevista. “Existem muitas obras direcionadas a pessoas racializadas que abordam o empoderamento. O essencial e o necessário precisam ser ditos. E precisamos entender que a denúncia também tem seu lugar de importância. Falar de nossas dores nos coloca em um lugar fragilizado, mas é preciso", afirma lima julião.

 

A criação da HQ foi inteiramente coletiva: texto e ilustração se influenciaram o tempo todo, em um processo que o grupo define como “rios que se cruzam para se tornar um rio maior”, uma citação à conhecida expressão de Nego Bispo. A ilustração, feita à mão e depois digitalizada, foi desenvolvida com total liberdade artística, enquanto o roteiro buscou aderência à realidade dos jovens que a obra quer alcançar. Além da versão digital, “Antes da Bala” também terá audiolivro e uma versão com audiodescrição, ampliando o acesso à história para todos os leitores.


Antes da Bala Mockup

“Antes da Bala” foi realizado com recursos do Fundo Municipal de Cultura de São José dos Campos, por meio do Edital 006/P/2025: Publicação de Obra Literária e Estímulo à Leitura, com apoio da Fundação Cultural Cassiano Ricardo e da Prefeitura de São José dos Campos.

 

SERVIÇO | HQ “Antes da Bala”

Onde ler:
Plataforma Funktoon, em funktoon.com/serie/antes-da-bala

Leitura gratuita

Classificação indicativa: 12 anos

Instagram: @orimuleke | @as_historias_de_zaki

Realização: Coletivo Orí Muleke, Bom-Te-Vi Animação e Cia. Cultural Bola de Meia

Apoio: Fundo Municipal de Cultura, Fundação Cultural Cassiano Ricardo e Prefeitura de São José dos Campos 

 

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Shiva Carolina e lima julião
Prefácio: Rodrigo França
Storyboard e design de personagens: Lari Salles
Ilustração e arte-final: Mari Medú
Produção e diagramação: Lucas Baumgratz
Assessoria de imprensa: Maiara Tissi 

 

SOBRE | Coletivo Orí Muleke

O Coletivo Orí Muleke é um núcleo de artistas e arte-educadores dedicados ao enfrentamento das questões raciais, promovendo representatividade e justiça social por meio da arte. O grupo já publicou “Quando eu Crescer”, sobre representatividade, que também virou curta-metragem de animação, e “Racismo não é Brincadeira”, sobre racismo recreativo. Além das publicações, o coletivo oferece formações antirracistas para escolas, estudantes, professores e centros culturais.

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