Recife Anda Luz lançou o catálogo na reta final da exposição no Murillo La Greca
Publicação reúne os 27
desenhos criados por Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo a partir da arquitetura do
Recife; lançamento aconteceu no sábado 19 pelas redes sociais da Remolina e
marca o início da comercialização das obras
A luz que atravessa cobogós, gradis, vitrais e fachadas do Recife e muda o desenho da cidade ao longo do dia está na origem de Recife Anda Luz, exposição de Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo que entra em sua reta final no Museu Murillo La Greca. Depois de uma temporada de grande visitação, a mostra inicia a última semana de visitação, de quarta (23) a sábado (26), com entrada gratuita, e ganha um novo desdobramento: o lançamento do catálogo que reúne as 27 obras do projeto.
A
publicação foi lançada pelas redes sociais da Remolina Estúdio, criada pelas
duas artistas, e ficará disponível pelo link na bio do perfil
@remolina_estudio. Com o catálogo, as obras também começam a ser
comercializadas.
O
trabalho nasceu de caminhadas, observação e pesquisa sobre a arquitetura e a
paisagem gráfica recifenses. Maria Eduarda e Sofia voltaram a atenção para
elementos que muitas vezes passam despercebidos na rotina da cidade — desenhos
de pisos e portões, gradis, vitrais, fachadas, sombras e vazios — e
transformaram esse repertório em novas composições.
Há
também uma espécie de viagem de ida e volta na história da arquitetura. O
muxarabi, elemento vazado de origem árabe difundido pela Península Ibérica e
fortemente presente na Andaluzia, permitia a passagem do ar e da luz e criava
desenhos de sombra nos ambientes. Séculos depois, essa mesma lógica encontra no
Recife um novo capítulo com o cobogó, criado na cidade no fim da década de 1920
e incorporado à arquitetura moderna brasileira.
É
nesse percurso que o título da exposição ganha sentido. Recife Anda Luz
aproxima-se sonoramente de Andaluzia, território marcado pela presença moura,
ao mesmo tempo que transforma “anda luz” em imagem: a luz atravessa os vazados,
desloca-se ao longo do dia e projeta novos desenhos sobre o espaço. Muxarabi e cobogó
se encontram, assim, em uma leitura contemporânea da cidade.
A coleção é formada por 27 desenhos produzidos em MDF de 6 mm, cortados a laser e finalizados manualmente em marcenaria. Instaladas no Murillo La Greca, as peças não se encerram em sua superfície: luz e sombra passam a fazer parte da obra e modificam continuamente aquilo que o visitante vê. O próprio catálogo apresenta esse movimento como uma obra em “constante transformação”.
Um
Recife que aparece nos nomes
O
catálogo permite agora olhar separadamente para os desenhos que compõem a
instalação. Os próprios nomes revelam a relação afetiva e visual com a cidade:
Sol, Aurora, Teatro do Parque, Capibaribe, Casa Forte, Rio Branco, Ponte Velha,
Marco Zero, Coqueirinho, Ponte de Ferro, Apipucos, Derby, Frevo e São José,
entre outros.
Com o
lançamento, as peças passam a estar disponíveis para comercialização nos
formatos de 40 x 60 cm, por R$ 400, e 80 x 120 cm, por R$ 1.200. O caráter
modular permite tanto o uso individual quanto a criação de composições maiores,
com diferentes combinações dos desenhos
O
lançamento do catálogo cria, portanto, uma nova etapa para Recife Anda Luz
justamente quando se aproximam os últimos dias para conhecer a instalação no
espaço para o qual ela foi concebida. No Murillo La Greca, arquitetura,
painéis, incidência da luz e movimento das sombras fazem parte de uma mesma
experiência.
Recife Anda Luz é viabilizada pelo Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) da Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife.
SERVIÇO | Recife Anda Luz — últimos dias
Artistas: Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo
Museu Murillo La Greca (Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 366 – Parnamirim,
Recife)
Última semana de visitação: quarta (23), quinta (24) e sexta-feira (25),
das 9h às 12h e 14h às 17h | Sábado (26), das 10h às 17h
Entrada gratuita


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