PROGRAMA RELICÁRIO E A FORÇA DO ENCONTRO PELAS ONDAS DO RÁDIO
De 8h às 9h, junte-se à Janaína Serra para compartilhar o que há de mais precioso entre as linhas da literatura e da memória
É segunda-feira, o relógio marca 8h. Na teoria, não é mais horário de pico, mas os efeitos do trânsito continuam sentidos em determinados lugares do Recife e a travessia de quem deixa a casa para alcançar o trabalho parece interminável. Até que, ao ligar o rádio do carro, uma voz suave declama um poema seguido de um convite para algo aparentemente simples, mas normalmente esquecido: parar, olhar e reparar.
Os três verbos representam a essência do Relicário. Veiculado pela Rádio Frei Caneca de segunda a sexta, sempre das 8h às 9h, com reapresentação às 17h, o programa conduzido pela jornalista e radialista Janaína Serra propõe um deslocamento sensível do olhar. Em meio à velocidade da rotina, incentiva a busca pela leveza e pela beleza. Não só isso, também a reivindicação, ainda que por uma hora, do direito ao tempo.
Dentro do rádio e especialmente de uma rádio pública, o Relicário ganha força. Com o microfone como álibi, Janaína entrecruza a escuta atenta do jornalismo com o laço de intimidade do radialismo para estabelecer uma relação recíproca com o ouvinte. Assim, para além de uma troca em que um dá e outro recebe, o Relicário é feito de compartilhamentos. Afinal, como relembra a vinheta do Relicário, “a beleza é tudo aquilo que você não dá conta de ver sozinho”. Inspirado na reflexão do escritor Bartolomeu Campos de Queirós, o programa permite que a escuta se transforme em um exercício coletivo de descobertas.
Seja por
meio de mensagens, áudios ou fotografias enviadas pelo WhatsApp e repercutidas
também nas redes sociais da Rádio Frei Caneca, o público ajuda a revelar e
fazer transbordar o que existe de mais precioso dentro do substantivo
relicário. “Dessa forma, a gente tem um programa que não é [só] meu, é de todo
mundo que quiser participar dele”, explica.
Para
construção desse espaço reflexivo, Janaína faz da literatura uma companhia.
Unida às possibilidades sonoras do rádio, a leitura funciona como uma ponte
afetiva que conecta as experiências da apresentadora às do público. “‘A
literatura estica a vida’. Eu me encontrei nesta frase. A literatura
possibilita tanta coisa, amplia de verdade os horizontes. Você consegue
encontrar respostas ou continuar com a dúvida, se alimentar disso, pensar sobre
isso e refletir”, reflete.
A partir
disso, a apresentadora pensa os quadros do Relicário. No “Música do Poema”
a curadoria aproxima canções e textos literários de artistas da palavra. O “Ficha
Bibliográfica” divide o microfone com escritores dispostos a compartilhar
as marcas da literatura na própria trajetória e refletir junto à Janaína Serra
o rumo das palavras. No “Relicário Sonoro”, o convidado revisita sons
capazes de despertar lembranças. Já o quadro “Lançamentos” apresenta
obras inéditas aos ouvintes pelo compromisso de estímulo à leitura. Sem deixar
de destacar o “Leituras em Voz Alta” e as temáticas do cotidiano
aprofundadas com livros. Assim, o Relicário é mais do que um programa sobre
literatura, é sim costurado pelas palavras.
Para a apresentadora, os parágrafos que compõem o enredo do Relicário e as mãos que a ajudaram a escrevê-los desde janeiro de 2022 é a certeza de que o diploma de jornalismo está honrado. Em um cotidiano atravessado pela pressa, lembre-se que é possível desacelerar. Para isso, basta parar, olhar e reparar nas belezas junto à Janaína Serra, de segunda a sexta, sempre das 8h às 9h ou às 17h, pela sintonia da Frei Caneca 101.5 FM ou pelo canal do YouTube da emissora e de qualquer lugar do mundo pelo site: www.freicanecafm.org.
Texto de Beatriz Santana
Foto de Marcos Pastich
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