Mulher Tambor homenageia Mãe Maria Helena Sampaio e Mãe Joana Cavalcante em mostra no Recife
Evento gratuito reúne duas das maiores referências das culturas de matriz africana em programação com rodas de conversa, oficinas, apresentações culturais e Feira dos Povos, nos dias 3 e 4 de julho, em dois terreiros da capital pernambucana
Duas das mais importantes lideranças das religiões de matriz africana em Pernambuco, Mãe Joana Cavalcante e Mãe Maria Helena Sampaio, são as grandes homenageadas da primeira edição da Mulher Tambor - O Tempo Mostra Indígenafro, Latino-Americana e Caribenha, que acontece nos dias 3 e 4 de julho, no Ilê Obá Aganjú Okoloyá, em Dois Unidos, e no Ilê Axé Oxum Deym, no Pina. Gratuita e aberta ao público, a mostra coloca as mulheres de terreiro no centro da programação, reconhecendo seus saberes como patrimônio vivo por meio de rodas de conversa, oficinas, apresentações culturais e da Feira dos Povos, dedicada à economia do axé.
Idealizada pelo Laboratório de Intervenção Artística (LAIA), a iniciativa reconhece as mulheres de terreiro como guardiãs de memórias, musicalidades, práticas culturais e conhecimentos ancestrais transmitidos entre gerações, reunindo mães-mestras, artistas, pesquisadoras e lideranças de religiões de matriz africana. Ao longo dos dois dias, o público poderá participar de debates sobre memória sonora, criação musical, direitos culturais, equidade de gênero e enfrentamento às violências contra mulheres negras e de terreiro, além de oficinas dedicadas às epistemologias afro-indígenas, aos cantos tradicionais e às musicalidades rituais.
As homenageadas desta primeira edição construíram trajetórias que articulam espiritualidade, cultura, educação e atuação política. Yalorixá do Ilê Axé Oxum Deym e liderança da Nação do Maracatu Encanto do Pina, Mãe Joana Cavalcante entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a assumir o posto de Mestra de uma nação de maracatu no Brasil. Também fundou o movimento Baque Mulher, ampliando o protagonismo das mulheres na cultura popular por meio da percussão.
Já Mãe Maria Helena Sampaio, yalorixá, griot e idealizadora da Quinta-Nagô, consolidou uma trajetória dedicada à preservação do axé ao integrar espiritualidade, arte-educação e musicalidade. Sua atuação também a tornou uma importante referência na luta contra o racismo e a intolerância religiosa e na valorização da tradição Nagô em Pernambuco.
Além das homenageadas, participam da programação a Mãe-Mestra Maria da Quixaba e a Yakekerê Helaynne Sampaio Olefun, fortalecendo o diálogo entre diferentes gerações de mulheres que mantêm vivas as tradições dos povos de terreiro.
"O conhecimento não está apenas nos livros. Ele vive no corpo, na palavra, no toque do tambor, nos modos de cuidar, cantar, vestir, celebrar e viver em comunidade. A mostra nasce do desejo de reconhecer essa sabedoria e sua centralidade na formação cultural do país. Também é um convite para refletir sobre os desafios enfrentados por mulheres negras, de terreiro e periféricas, afirmando seus direitos à cultura, à memória, à espiritualidade e à criação", afirma a curadoria.
A programação está organizada em três eixos: pela manhã, as rodas de conversa "Matrialidades da Música: Inaudíveis e Audíveis", à tarde, as oficinas formativas "Yorubantuquém" e, no início da noite, os pocket shows "Mães das Musicalidades Rituais", que celebram a força artística, espiritual e simbólica das mulheres de terreiro.
Durante toda a mostra, a Feira dos Povos reúne empreendedoras, artesãs, artistas e coletivos culturais, com apoio da Feira das Mulheres Pretas e da PeriFeira, promovendo o encontro entre o público e a economia do axé por meio de artesanato, arte indígena, gastronomia afro-brasileira e caribenha, literatura, moda e design.
A primeira edição da Mulher Tambor foi contemplada pelo Edital Mãe Gilda de Ogum, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), voltada ao fortalecimento de ações desenvolvidas por terreiros e comunidades tradicionais de matriz africana em todo o país.
*Mãe Maria Helena Sampaio -* É educadora popular, Ìyálorixá, cantora, percussionista, bailarina, griot e Mestra da Cultura Popular, reconhecida pelo Ministério da Cultura em 2013. Com mais de 30 anos de atuação, dedica-se à preservação e difusão da cultura afro-brasileira, ao enfrentamento do racismo e da intolerância religiosa e à formação de novas gerações por meio de oficinas, cursos e projetos culturais.
Fundadora do Afoxé Oyá Tokolê Owó (antigo Afoxé Oyá Alaxé) e idealizadora da Quinta Nagô, destacou-se como intérprete da tradição nagô, integrando diversos grupos e projetos culturais, além de participar de gravações e apresentações ao lado de importantes artistas. Também é conselheira de igualdade racial, fundadora da Rede de Mulheres de Terreiro de Pernambuco, idealizadora do projeto Irantí Atí Odí - Mímo, Memória e Fortalecimento e referência na valorização das tradições de matriz africana em Pernambuco.
*Mestra Joana Cavalcante -* É Yaquequerê do Ylê Axé Oxum Deym, arte-educadora, percussionista, compositora e uma das maiores referências da cultura popular pernambucana. Foi a primeira mulher a liderar uma Nação de Maracatu de Baque Virado, à frente da Nação Encanto do Pina, tornando-se símbolo da preservação das tradições afro-brasileiras e do protagonismo das mulheres de axé.
Fundadora do Maracatu Baque Mulher, do Mazuca da Quixaba e do projeto social Encantinho do Pina, desenvolve ações de formação, inclusão social e valorização da cultura de matriz africana no Brasil e no exterior. Reconhecida por sua atuação no combate ao racismo, ao machismo e à intolerância religiosa, recebeu diversos prêmios ao longo da carreira, entre eles o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, em 2025. Sua trajetória une ancestralidade, arte, educação e ativismo, inspirando novas gerações de mulheres e fortalecendo a cultura popular brasileira.
Confira a programação completa:
03 de julho (sexta-feira)
Ilê Obá Aganjú Okoloyá - Rua Mendes Coelho, 231, Dois Unidos - Recife/PE
9h00 às 9h30 - Cerimônia de abertura com Mãe-Mestra Maria Helena Sampaio e Yakekerê Helaynne Sampaio Olefun
9h30 às 11h - Roda de conversa "Rufos Prescritos no Negro-Femininas", com Mãe-Mestra Joana Cavalcante e mediação de Mãe-Mestra Maria Helena Sampaio
14h às 20h - Feira dos Povos
14h às 16h - Oficina "Toadas do Atlântico Negro Matrifocal", com Mãe-Mestra Maria Helena Sampaio
19h30 às 20h - Pocket show "Céu de Mulheres" com Mãe-Mestra Maria Helena Sampaio
04 de julho (sábado)
Ilê Axé Oxum Deym - Rua Oswaldo Machado, 504, Pina - Recife/PE
9h às 9h30 - Abertura com Mãe-Mestra Maria Quixaba e Mãe-Mestra Joana Cavalcante
9h30 às 11h - Roda de conversa "Biografias Sonoras Femininas do Tambor: Direito à Criação Musical e Percussiva", com Mãe-Mestra Maria Helena e mediação de Mãe-Mestra Joana Cavalcante
14h às 20h - Feira dos Povos
14h às 16h - Oficina "Epistemologia do Tambor Natural e Cultural", com Mãe-Mestra Joana Cavalcante
19h30 às 20h - Pocket show "Trovão de Mulheres" com Mãe-Mestra Joana Cavalcante
Serviço:
Mulher Tambor - O Tempo Mostra Indígena-Afro Latino-Americana e Caribenha
Quando: 3 e 4 de julho de 2026
Horário: das 9h às 20h
Onde: Ilê Obá Aganjú Okoloyá (Rua Mamede Coelho, 231, Dois Unidos) e Ilê Axé Oxum Deym (Rua Oswaldo Machado, 504, Pina – Recife/PE)
Mais informações: @mulhertambormostra
Entrada gratuita

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