Marco Nanini encena o clássico "Fim de Partida" no Teatro Luiz Mendonça

Fim de Partida - Foto Annelize Tozetto
 

Com direção de Rodrigo Portella e participações de Helena Ignez e Ary França no elenco, a nova montagem do clássico de Samuel Beckett será apresentada de 23 a 26 de julho, no Teatro Luiz Mendonça


O dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett (1906-1989) escreveu “Fim de Partida" nos anos 1950, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial. Nesse cenário pós-apocalíptico, ele apresenta os personagens Hamm e Clov, símbolos de um mundo em ruínas físicas e emocionais. Mais de sete décadas depois, a peça ainda dialoga com o atual estado do mundo, o que motivou esta nova montagem. As quatro únicas apresentações no Recife acontecem nos dias 23, 24, 25 e 26 de julho de 2026, no Teatro Luiz Mendonça. Os ingressos já estão à venda neste link.


Em cena, Hamm (Marco Nanini) e Clov (Guilherme Weber) possuem uma trágica dependência física e emocional, em um vínculo atravessado pela violência e pela crueldade cotidiana, em uma tragicomédia ácida e melancólica. Presos em um espaço claustrofóbico, ambos enfrentam uma realidade desprovida de sentido, marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve. 


“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite", explica Marco Nanini, que já pensava em encenar algum texto do autor irlandês quando aceitou de pronto a provocação de Guilherme Weber, responsável pela sugestão para atuarem juntos em "Fim de Partida". 


Nanini e Weber já estiveram nas montagens célebres de “Os Solitários” (2002) e “A Morte do Caixeiro Viajante” (2004). Logo, reuniram Helena Ignez, nome icônico do cinema brasileiro, com quem Nanini contracenou no início da carreira, e Ary França, com quem dividiu o palco no premiado “O Burguês Ridículo” (1996).


Rodrigo Portella foi convidado para assumir a direção da peça e chega em um momento profissional marcado pela consagração de espetáculos recentes, como “Tom na Fazenda”, “Ficções”, “Um Ensaio sobre a Cegueira” (Grupo Galpão) e “Ray”. Ele divide o texto de "Fim de Partida" em três fluxos:


“O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas, numa segunda camada, a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas", pontua Rodrigo Portella. 


O diretor chama a atenção para uma terceira chave de leitura: a do metateatro. Evidenciada pela cenografia de Daniela Thomas, que coloca uma espécie de palco dentro do palco, em uma pequena caixa cênica retangular, a característica de metalinguagem proposta pelo texto se estabelece. 


“Clov é o clown, o operador da cena, o ridículo, enquanto Hamm assume a figura do ator principal, o narrador canastrão que se sustenta na fabulação de si mesmo. O teatro se dobra sobre ele próprio: há um teatro dentro do teatro, um palco dentro do palco”, reforça o diretor.


A equipe criativa do espetáculo reúne ainda parceiros recorrentes na trajetória de Nanini, como a cenógrafa Daniela Thomas, o iluminador Beto Bruel e o figurinista Antonio Guedes, além do produtor Fernando Libonati, responsável pela produção artística de seus espetáculos nas últimas três décadas. 


Serviço:

[Teatro] Fim de Partida Local: Teatro Luiz Mendonça - Parque Dona Lindu (Av. Boa Viagem, s/n, no bairro de Boa Viagem)

Datas e horários:

23, 24 e 25 de julho (quinta, sexta e sábado), às 20h 26 de julho (domingo), às 19h

Classificação indicativa: 16 anos

Ingressos: 

Plateia Premium: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia-entrada)

Plateia: R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia-entrada)

Vendas: www.teatroluizmendonca.byinti.com/#/event/fim-de-partida


Ficha técnica:

Texto: Samuel Beckett

Direção: Rodrigo Portella

Tradução: Fábio de Souza Andrade

Direção de Arte e Cenografia: Daniela Thomas

Iluminação: Beto Bruel

Trilha Original e Direção Musical: Federico Puppi

Figurino: Antônio Guedes

Assistência de Direção: Zé Mancini

Visagismo: Leila Turgante

Comunicação: Pedro Neves

Gerência de Projetos: Carolina Tavares

Produção Executiva: Ártemis

Produtor: Fernando Libonati

Realização: Pequena Central de Produções 

Instagram: @pequenacentral_


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