Abayomi: encontro histórico de mulheres negras da cultura reúne mestras, artistas e pensadoras em Olinda

Odailta Alves, professora e poetisa - foto @olhardamedus4-15.jpg
Nesta quarta (11) e quinta (12), a cidade de Olinda, um dos mais importantes territórios culturais do país, será palco de um encontro raro e profundamente simbólico: o Abayomi – Encontro das Mulheres Negras da Cultura. O evento acontece na Galeria 02, localizada no histórico Mercado Eufrásio Barbosa, no Varadouro, e integra a programação da 18º edição do Festival Canavial – Celebração das Matas e Quilombos.
O Abayomi nasce como um território de encontro entre ancestralidade, pensamento crítico, arte e espiritualidade, reunindo mulheres negras que atuam como guardiãs de saberes, criadoras de linguagens artísticas, lideranças comunitárias, intelectuais e agentes de transformação social. O nome Abayomi, de origem iorubá, significa “encontro precioso”, evocando afeto, proteção e continuidade — princípios que orientam a concepção do evento.
Mais do que um seminário ou programação acadêmica, o Abayomi se propõe como um espaço de reconhecimento e celebração da centralidade das mulheres negras na construção da cultura brasileira. Durante dois dias, Olinda receberá mestras da tradição, artistas, pesquisadoras e lideranças vindas de diferentes territórios do Brasil e da diáspora africana, compondo um diálogo intergeracional e intercultural que raramente se reúne em um mesmo espaço.
Entre as participantes estão mulheres que representam diferentes dimensões da cultura e do pensamento negro contemporâneo, a exemplo da escritora, Inaldete Pinheiro, referência na literatura e nas reflexões sobre identidade e memória; a mestra da cultura popular Mãe Beth de Oxum, liderança religiosa e cultural de grande relevância no cenário afro-brasileiro; a cantora Graça Onasilê, integrante do histórico bloco afro Ilê Aiyê; e a rainha do Maracatu Estrela Brilhante do Recife, Mestra Marivalda, guardiã de uma das mais importantes tradições afro-pernambucanas.
A programação também contará com a presença da cantora moçambicana Saqui Rachide, cuja trajetória conecta África e Brasil através da música e da cultura, trazendo ao encontro a perspectiva da diáspora africana e reafirmando os laços históricos entre os dois lados do Atlântico.
Ao longo do encontro, quatro mesas temáticas conduzirão os debates: Mestras e ancestralidade; Cultura popular e protagonismo; As mulheres negras do carnaval; e Feminismo negro. As conversas reúnem também pesquisadoras, advogadas, sanitaristas, educadoras e empreendedoras que atuam na construção de políticas culturais, práticas de cuidado e iniciativas de economia criativa negra.
Ao reunir vozes de diferentes gerações e territórios, o Abayomi cria um espaço de escuta e reconhecimento das mulheres que, muitas vezes longe dos grandes centros de decisão, sustentam a cultura brasileira no cotidiano de comunidades, terreiros, escolas de samba, grupos de cultura popular e espaços acadêmicos.
O encontro também busca fortalecer redes de mulheres negras da cultura, ampliando sua visibilidade e contribuindo para a valorização de saberes que historicamente foram marginalizados ou invisibilizados na narrativa oficial da cultura nacional.
Realizado dentro da programação do 18º Festival Canavial – Celebração das Matas e Quilombos, o Abayomi reafirma o compromisso do evento com a valorização da cultura popular, da diversidade cultural e das matrizes africanas que estruturam a identidade brasileira.
Mais do que um encontro, o Abayomi se afirma como um gesto político e simbólico: um chamado para reconhecer as mulheres negras como matriarcas culturais, guardiãs de memória e criadoras de futuro. O Projeto conta com o incentivo da PNAB – Secult e Governo de Pernambuco.
Durante o Encontro e até do dia 30 de março, o público poderá contemplar duas exposições: a mostra “PEBA – A Celebração das Matas e Quilombos” traz um recorte feminino do projeto, reunindo fotógrafas que registram olhares sensíveis e potentes sobre tradição, identidade e resistência, valorizando o protagonismo das mulheres na construção da memória cultural. A outra exposição é assinada pela fotógrafa Renata Mesquita, com imagens inspiradas em sua experiência no continente africano, estabelecendo pontes visuais e simbólicas entre África e Brasil, reafirmando os laços da diáspora e o diálogo entre ancestralidade e contemporaneidade.
SERVIÇO:
Abayomi – Encontro das mulheres negras da cultura
Data: 11 e 12 de março de 2026 (quarta e quinta-feira)
Local: Galeria 2 – Mercado Eufrásio Barbosa, no Varadouro - Olinda
PROGRAMAÇÃO
11/03/2026 – QUARTA-FEIRA
18H: MESA 1 - MESTRAS E ANCESTRALIDADE
Vera Barone (PE) – Ativista negra pelos ireitos humanos e advogada sanitarista.
Saquia Rachide (Moçambique) – Cantora
Valdenice Raimundo (PE) – Pós-doutora em feminismo africano e coordenadora do Instituto Ubuntu de Estudos Africanos e Diaspóricos
Beth de Oxum (PE) - Mestra da cultura popular
Carlita Roberta (PE) - Assistente social e idealizadora do Abayomi (Mediadora)
Recital com Iyadirê Zidanes (PE) – Poetisa
12/03/2026 – QUINTA-FEIRA
09h às 12h: MESA 2 - CULTURA POPULAR E PROTAGONISMO
Dina Braga (MG) – Mestra da cultura popular
Mestra Marivalda (PE) – Rainha do Maracatu Estrela Brilhante do Recife
Odailta Alves (PE) - Professora e poetisa
Jéssica Zarina (PE) - Multiartista e empresária da moda
Fabiana Maria (PE) – Professora (Mediadora)
Recital com Iyadirê Zidanes (PE) – Poetisa
14H ÀS 17H: MESA 3 - AS MULHERES NEGRAS DO CARNAVAL
Mestra Jucedi (PE) – Lider da tribo indigena Tabajaras de Goiana
Graça Onasilê (BA) – Cantora do bloco afro Ilê Aiyê
Maria Helena (PE) - Yalorixá e mestra da cultura popular
Sapoty da Mangueira (RJ) – Cantora
Renata Mesquita (PE) - Realizadora audiovisual e doutoranda em Antropologia UFPE
Isaar (PE) – Cantora e gestora (Mediadora)
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