Festival Cine Maré realiza estreia de cinco filmes, mostra competitiva e rodas de conversa no Cinema São Luiz

 

Foto: Ingrid Veloso  

Obras audiovisuais de curta-metragem de ficção,incentivadas pelo próprio festival, chegam à tela grande e celebram 2ª edição com bate-papo, prêmios e música na programação gratuita, neste sábado (20/09)


O Festival Cine Maré — plataforma dedicada ao fortalecimento do audiovisual periférico em Pernambuco — celebra a existência da sua 2ª edição, no dia 20 de setembro (sábado), com a programação sendo realizada no Cinema São Luiz (rua da Aurora, nº 175 - bairro da Boa Vista, Recife). A entrada é gratuita e a primeira atividade começa às 14h, abrindo com as rodas de conversa. À noite, a partir das 18h, ocorre a estreia de cinco filmes de ficção, todos de curta-metragem e incentivados pelo Cine Maré. 


A festa continua no centro do Recife com música local, a partir das 22h, trazendo shows de Shevchenko, banda Espartilho e Dj Talligeira, no Umbral das Artes (rua Ulhôa Cintra, nº 122, próxima ao Pagode do Didi - bairro Santo Antônio), pelo after Cine Maré, com acesso gratuito. O brega tradicional e original e o brega-funk, ambos pernambucanos, instigam o público. 


Além da exibição na sala de cinema, as obras estão na mostra competitiva do festival, com júri técnico, votação popular — durante o festival, na internet — e premiação em dinheiro para as três primeiras colocações. O Cine Maré existe desde 2024, sendo uma criação coletiva entre a produtora Tássia Seabra, o roteirista João Henrique Souza e o artista visual e curador Shell Osmo, com a realização da Seabra Produção (PE). Inicialmente, surgiu como um laboratório formativo de cinema para jovens e adultos da periferia, possibilitando oficinas gratuitas de roteiro, direção e produção, por meio de bolsas de permanência para garantir a participação das pessoas selecionadas. 


Espaço artístico-cultural da coletividade, do compartilhamento e da expressão da identidade, o Festival Cine Maré destaca que as habilidades criativas desenvolvidas para a montagem dos filmes foram pensadas a partir de temáticas racial, social, de gênero, política, cultural e educativa. Os novos curtas levam os títulos: “Atribulado, uma História de amor, crime e brega” (direção: Hood Bob); “Besta Fubana” (direção: Artia); “Ecos do Tempo” (direção: Renato Izaias); “Receptáculo” (direção: Isadora Clemente) e “Retrato Falado” (direção: Maria Rocha). Três nomes compõem o júri técnico da mostra competitiva: Carol Vergolino, Heitor Dhalia e Erlânia Nascimento. 


“O Cine Maré nasceu para democratizar o acesso ao cinema, formar realizadoras e realizadores a partir de suas vivências e potencializar narrativas periféricas que muitas vezes ficam invisíveis. É mais do que um laboratório, é um movimento de transformação social e cultural. A plataforma Cine Maré consegue enxergar além das bolhas que dominam o audiovisual no Estado, mergulhando nessa lama toda e lapidando os diamantes que vamos ter a oportunidade de conhecer no dia 20 de setembro no Cinema São Luiz, que fica no coração do Recife”, contextualiza a diretora geral Tássia Seabra. 


O Festival Cine Maré junta realizadoras, realizadores, produtoras, produtoras, artistas e público da arte e das culturas popular, negra e indígena, sobretudo das periferias da Região Metropolitana do Recife (RMR), sendo um ambiente de formação, troca, visibilidade e celebração. 

Durante seis meses de atividades em 2025, dez projetos foram selecionados para a oficina de roteiro, dos quais cinco avançaram para as etapas de direção, produção e filmagem. O objetivo é justamente incentivar a criação de curtas-metragens de ficção inéditos, com a realização completa das pessoas contempladas pelo Festival Cine Maré, desde a ideia conjunta até a exibição na tela grande.

“O Cinemaré é a prova de que cinema não precisa e nem pode ser uma forma de arte para poucas pessoas e grupos. As pessoas da periferia do Recife têm talento, inteligência, sensibilidade e criatividade. Basta que exista incentivo para vermos aflorar uma nova e genial cena. O Cinemaré veio para ser esse aliado e comprometido com a democratização do audiovisual pernambucano”, declara João Henrique Souza, também idealizador do Mundo Bita. 

Para 2025, a produção do festival reafirma o Cine Maré como uma iniciativa de formação e compartilhamento do cinema, feito nas margens e ocupando o centro da tela. Na edição de estreia, em 2024, no Teatro do Parque (centro do Recife), houve a presença de mais de 600 pessoas.

A ficha técnica desta edição do Cine Maré é composta por diversas e muitas mãos pernambucanas: Tássia Seabra (coordenação geral e curadoria); João Henrique Sousa (curadoria e facilitação); Shell Osmo (direção criativa e curadoria); Ingrid Veloso (coordenação audiovisual e oficineira); Patrícia Souza (coordenação de comunicação e mídias sociais); Raquel Souza (coordenadora técnica); Kael Medeiros (criador de conteúdos e designer gráfico); Mariana Fantato (marketing); Daniel Lima (assessoria de imprensa). 

“Estamos cada vez mais fortes, potentes e com ainda mais vivências para compartilhar. O Cine Maré é sobre território, resistência e celebração, com tudo pensado para fortalecer a cena do audiovisual e da arte e cultura periféricas, além de abrir caminho para artistas e público em geral”, destaca a produção do festival. 

A 2ª edição do Festival Cine Maré tem incentivo público, com o financiamento pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura e Governo Federal e no município pela Prefeitura da Cidade do Recife e Secretaria de Cultura. Também reúne o apoio da TV Tribuna (afiliada da Band no Recife), MR Plot, Mundo Bita e Umbral das Artes.

A realização do festival faz com que o cinema periférico amplie seus horizontes, conquistando a pauta dentro de um dos espaços mais históricos do audiovisual brasileiro e mundial, que é o Cinema São Luiz. Nesse local de memória, da arte e da arquitetura, o Cine Maré fortalece as vozes que vêm da periferia e que estão no centro da transformação. É mais que um festival, é uma afirmação de que o cinema das quebradas não pede licença, ele ocupa, transforma e permanece”, pontua a produção. 

Rodas de conversa

O momento de dialogo traz debates sobre desafios e potências do audiovisual negro e periférico. Para além da formação artística, o Cine Maré também é uma oportunidade de geração de renda, investindo em profissionais locais como curadoras, curadores, facilitadoras, facilitadores, mediadoras, mediadores, jornalistas, equipe de produção executiva, geral e técnica da RMR. Todo mundo envolvido com as rodas de conversa atua na arte, audiovisual, cultura, educação etc, sendo a maioria absoluta de origem periférica.  

O tema da roda de conversa de abertura, às 14h, é “Do lado de fora da tela: barreiras e resistências do cinema periférico”, com mediação da pernambucana Ingrid Veloso e participação de Yane Marques, Kalor Pacheco, Carícia Nomy e João Henrique Souza, que também são de Pernambuco. “Discussão sobre os obstáculos enfrentados por pessoas periféricas para acessar espaços de formação, produção e exibição audiovisual, e como iniciativas comunitárias têm criado caminhos alternativos para romper essas barreiras”, diz a chamada de apresentação. 

A segunda rodada, às 15h, tem mediação da recifense Tássia Seabra e participação das pernambucanas Erlânia Nascimento e Gleyci Nascimento e do baiano Gui Silva, com a temática “Protagonismo em construção: narrativas negras e periféricas no cinema”. “Mais do que ocupar as telas como personagens, é urgente ocupar também os espaços de criação, decisão e poder no cinema. Esta roda de conversa propõe refletir sobre o protagonismo de realizadores (as) negros (as) e periféricos (as) no roteiro, na direção e na produção, trazendo novas estéticas e perspectivas que questionam a narrativa hegemônica e apontam para um cinema mais diverso e representativo”, diz a apresentação. 

TV aberta

Para ampliar o alcance e consequentemente dar mais visibilidade, o Cine Maré está em parceria durante o festival com a TV Tribuna (afiliada da Band no Recife), que, após a realização no Cinema São Luiz, vai exibir os cinco filmes em sua programação na televisão aberta. 

Festival Cine Maré (2ª edição) 

Data: 20 de setembro de 2025 (sábado)

Local: Cinema São Luiz (rua da Aurora, nº 175 - bairro da Boa Vista, centro do Recife)

Horário: a partir das 14h 

Entrada: gratuita

Mostra competitiva + rodas de conversa + shows (after Cine Maré)

Programação

14h - Roda de conversa 1 - “Do lado de fora da tela: barreiras e resistências do cinema periférico”

Discussão sobre os obstáculos enfrentados por pessoas periféricas para acessar espaços de formação, produção e exibição audiovisual, e como iniciativas comunitárias têm criado caminhos alternativos para romper essas barreiras.

Mediação: Ingrid Veloso

Participação: Yane Marques, Kalor Pacheco, Carícia Nomy e João Henrique Souza

15h - Roda de conversa 2 - “Protagonismo em construção: narrativas negras e periféricas no cinema”

Mais do que ocupar as telas como personagens, é urgente ocupar também os espaços de criação, decisão e poder no cinema. Esta roda de conversa propõe refletir sobre o protagonismo de realizadores(as) negros(as) e periféricos(as) no roteiro, na direção e na produção, trazendo novas estéticas e perspectivas que questionam a narrativa hegemônica e apontam para um cinema mais diverso e representativo.

Mediação: Tássia Seabra 

Participação: Erlânia Nascimento, Gleyci Nascimento e Gui Silva 

18h - Mostra competitiva 

Exibição dos cinco filmes incentivados pelo Cine Maré, que participam de uma mostra competitiva com votação popular e premiação em dinheiro para o primeiro, segundo e terceiro lugares. 

“Atribulado, uma História de amor, crime e brega”- (direção: Hood Bob)

“Besta Fubana” - (direção: Artia)

“Ecos do Tempo” - (direção: Renato Izaias)

“Receptáculo” - (direção: Isadora Clemente)

“Retrato Falado” - (direção: Maria Rocha)

22h - Shows (after Cine Maré)

Local: Umbral das Artes - rua Ulhôa Cintra, nº 122 (na rua do Pagode do Didi)

Atrações de artistas e bandas de Pernambuco: Shevchenko, banda Espartilho e Dj Talligeira

Entrada: gratuita

Ficha técnica - Festival Cine Maré (2025)

Realização: Seabra Produção (PE)

Coordenação geral e curadoria: Tássia Seabra

Curadoria e facilitação: João Henrique Sousa

Direção criativa e curadoria: Shell Osmo

Coordenação audiovisual e oficineira: Ingrid Veloso 

Coordenação de comunicação e mídias sociais: Patrícia Souza

Coordenadora técnica: Raquel Souza 

Criador de conteúdos e designer gráfico: Kael Medeiros

Marketing: Mariana Fantato

Assessoria de imprensa: Daniel Lima

Júri técnico da mostra competitiva: Carol Vergolino, Heitor Dhalia e Erlânia Nascimento 

Mediação das rodas de conversa: Ingrid Veloso e Tássia Seabra

Participação nas rodas de conversa: Yane Marques, Kalor Pacheco, Carícia Nomy, João Henrique Souza, Erlânia Nascimento, Gleyci Nascimento e Gui Silva 

Apoio: TV Tribuna (afiliada da Band no Recife), MR Plot, Mundo Bita e Umbral das Artes

Incentivo público: edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura e Governo Federal e no município pela Prefeitura da Cidade do Recife e Secretaria de Cultura.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MARÇO DAS MULHERES

Recife celebra aniversário de 489 anos com ampla programação gratuita

Espetáculo Agora que São Elas chega ao Teatro Rio Mar