Itaú Cultural realiza 8ª edição de a_ponte: cena do teatro universitário, com foco na presença negra e integrando música e teatro

A programação reúne espetáculos e leitura dramática que celebram a presença negra em cena, assim como o diálogo do teatro com a música, foco do edital de 2027 do programa, que abre inscrições. As atividades acontecem no Itaú Cultural e estendem-se à Casa Farofa, com espetáculo e festa de encerramento.

De 3 a 8 de fevereiro (terça-feira a domingo), o Itaú Cultural (IC) abre a sua programação de artes cênicas com a 8ª edição do projeto a_ponte: cena do teatro universitário, que tem como proposta contribuir para a renovação da cena artística estudantil e aproximar os estudantes de artes cênicas das várias regiões do Brasil. Em 2026, as atividades dão luz à presença de artistas negros em cena, e também levam ao palco projetos cênicos que agregam a música e a escrita, que conduzem a próxima edição do edital de a_ponte, que terá inscrições abertas de  2 de fevereiro a 3 de abril.

Integralmente presencial e realizada no Itaú Cultural e na Casa Farofa, a programação reúne cinco espetáculos e uma leitura dramática, com a presença dos grupos pernambucanos O Poste Soluções Luminosas e Núcleo O Postinho, da paranaense Cia Entre Nós, do Grupo Jurubebas, do Amazonas, e do Brado Coletivo de Teatro e da atriz Ana Flávia Cavalcante, ambos de São Paulo. No sábado, a programação na Casa Farofa se estende para uma celebração comandada pela DJ Evelyn Cristina.

Além da programação artística, o público também é convidado a assistir aos quatro encontros Comunicação Oral, nos quais serão apresentados, sempre com a presença de um professor convidado, os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) premiados no 5º edital de a_ponte, assinados por estudantes de 10 estados (Acre, Amazonas, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e São Paulo), além do Distrito Federal.

Todos esses trabalhos integrarão a publicação online Pontilhados: pesquisas da cena universitária, que será disponibilizada no site do Itaú Cultural itaucultural.org.br a partir do dia 2 de fevereiro. A data marca também a abertura das inscrições para o edital de 2027, que desta vez terá a seleção voltada para TCCs e pesquisas estudantis tanto em artes cênicas (cursos superiores e técnicos) quanto em música e literatura, podendo ter transversalidades entre essas áreas ou não.

Da teoria aos palcos

Àwn Irúgbin, do Núcleo O Postinho

A programação artística da 8ª edição de a_ponte tem início no dia 3 (terça-feira), às 19h, quando o Itaú Cultural leva para a Casa Farofa o espetáculo pernambucano Àwn Irúgbin, do Núcleo O Postinho. O grupo é fruto da Residência O Postinho, realizada há mais de dois anos pelo O Poste Soluções Luminosas.

Àwọn Irúgbin_foto Ricardo Maciel 

Já com o olhar voltado às conexões entre artes cênicas e a literatura, por meio da oralidade, Àwn Irúgbin parte desta expressão em iorubá, que significa sementes, para apresentar um espetáculo afro-indígena que une escrevivências, identidade e força ancestral, criando lugar de protagonismo para jovens negros e indígenas. Dirigido por Samuel Santos, a trajetória de personagens que enfrentam silenciamentos históricos e que, ao se reconectarem com suas raízes, encontram voz e pertencimento.

As ações no palco são retomadas na quinta-feira (dia 5), às 20h, quando a Sala Itaú Cultural recebe o grupo Brado Coletivo de Teatro, de São Paulo, com o espetáculo Bodas de Sangue. O grupo tem sua origem a partir do encontro das Turmas 69, 71, 72, 73 e 74 da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo.

Bodas de Sangue_foto Pedro Martins

A peça, escrita por Federico García Lorca nos anos 1930, inspirada em um caso real, conta a história de uma noiva que, no dia do casamento, foge com o homem que verdadeiramente ama, iniciando uma tragédia onde o desejo confronta a honra, e o amor custa a vida. Entre música ao vivo, teatro popular e uma linguagem poética, a montagem se constrói como rito e reinvenção coletiva.

 

LONGUSU_foto O Poste Soluções Luminosas

Na sexta-feira (dia 6), a prévia do fim de semana no IC começa às 17h, na Sala Vermelha, onde o grupo pernambucano O Poste Soluções Luminosas faz a leitura dramática de LONGUSU XENUPRE DUDU NORDESTINA PE, texto resultado da pesquisa de criação dramatúrgica feita a partir de um resgate ancestral pelo viés da língua. O projeto é um dos contemplados na edição 2023-2024 do programa Rumos Itaú Cultural.

Neste encontro ancestral, a palavra e a língua são trabalhadas como elemento para a construção da identidade, numa dramaturgia dividida em quatro momentos: A Palavra Não Está Nos LivrosA Palavra AmplificadaA História Falada e A Palavra Comida, Degustada. Após a apresentação acontece um bate-papo mediado por Kleber Lourenço.

Neste mesmo dia, às 20h, na Sala Itaú Cultural, acontece a apresentação do espetáculo Ensaio Sobre Nós, do grupo paranaense Cia Entre Nós, seguida de um bate-papo com o diretor Rodrigo Mercadante. Em cena, a atriz Gabriela Vieira divide o palco com quatro músicas para entrelaçar sons e palavras num mergulho nos ecos e gritos do seu passado, onde os fantasmas se tornam música, e a música, memória.

Ações expandidas e especiais

No sábado (dia 7), a programação se divide entre dois palcos, em clima de final de semana. Na Casa Farofa, às 19h30, o Grupo Jurubebas, do Amazonas, apresenta A Ilha Profana no Cantagalo, espetáculo contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2023-2024. Em cena, uma criança se torna um encantado após descobrir que sua avó é uma rasga mortalha, lenda do folclore amazônico ligada à morte, e parte em busca dos pais, que podem estar numa ilha encantada no fundo do rio Madeira.

Às 22h, o mesmo espaço recebe a Festa a_ponte. Em pleno coração do Bixiga, bairro boêmio de São Paulo, o encontro se propõe a fortalecer intercâmbios e conexões entre artistas e interessados das artes, sob o comando da DJ Evelyn Cristina, produtora de trilhas para vídeos, espetáculos teatrais, danças e intervenções multimídias

Já no Itaú Cultural, a programação do sábado acontece às 20h, com a atriz e performer Ana Flavia Cavalcanti no espetáculo Conforto. Dando vida a personagens como uma babá, uma diarista e uma paquita que acompanha sua mãe nas casas de família onde ela faz faxina, a Ana Flavia aborda a busca pelo aconchego e pela boa morada, tendo como principal dispositivo a memória da primeira infância quando ela acompanhava a mãe nas casas onde trabalhava como doméstica.

Conforto_foto Marina Sapienza

Conforto ganha nova sessão no domingo (dia 8), às 18h, fechando a 8ª edição de a_ponte com a presença negra em cena. A sessão é seguida de um bate-papo entre a atriz e Galiana Brasil, gerente de Curadorias e Programação Artística do Itaú Cultural.

Dos palcos à academia

Além da programação artística, a 8ª edição de a_ponte conta também com um olhar acadêmico às artes cênicas, com uma série de quatro encontro intitulados Comunicação Oral. Neles, os estudantes contemplados no edital a_ponte realizado em 2025 apresentam seus trabalhos de conclusão de curso e pesquisas estudantis em artes cênicas selecionados pelo chamamento. Os encontros têm mediação de professores que participaram da seleção dos TCCs.

A primeira Comunicação Oral acontece no dia 3 (terça-feira), às 10h, no Espaço Multiúso do Itaú Cultural, tendo como título Processos criativos, encenação e performance. Sob a mediação do professor Jefferson Figueiredo, o encontro reúne os TCCs Toda navalha dilacera: a poética da violência de Plínio Marcos em um processo de encenação universitário, do estudante Guilherme Natan (PE), A praia como palco: explorando a performatividade dos ambulantes no processo de criação do ator, de Joan Vinícius (RN), “Aparição vomitada”: poéticas amazônidas para a criação insurgente nas artes da cena, de Karina Mateus (AP), Dança na prisão: um caminho à liberdade no centro de detenção feminino do amazonas, de Livia Natividade (AM), e Dançar um combinado de não morrer: o imaginário negro como guia da encenação a partir de Conceição Evaristo e Gal Martins, de Victor Lima (SP).

No mesmo dia, às 14h, é a vez do encontro com a temática Teatralidades e pensamento contra-hegemônicos, mediado pela professora Annie Martins. Serão apresentados os trabalhos Depois da morte da crítica teatral: categorias de análise da produção atual em plataformas digitais, de Bárbara Cunha (DF), Um gesto: criando motivos para falar de políticas culturais lgbtqiapn+ no brasil contemporâneo, de Igui de Oliveira (MG), Imaginários da produção teatral: da ideia à elaboração do projeto, de Manoel Lourenço Maia Neto (RN), Ventanias anunciadas: pedagogias teatrais para não morrer, de Thiago Dominoni (PR) e Subversão em ato: práticas pedagógicas para corroer a cisnormatividade carcerária, de Pietra Bonet (PR).

Na quarta-feira (dia 4), a programação recomeça às 10h, com a apresentação de cinco trabalhos sobre Teatralidades negras e sua pretagogia, mediado pelo professor Kleber Lourenço. São eles: Pedagogia da direção: Sala de ensaio como encruzilhada, de Anderson Claudir (SP), A teatralidade presente nas manifestações religiosas populares por meio do estudo da festa do pau da bandeira em Barbalha, Ceará, de Beatriz Baltazar da Silva (PR), Pretagogias de terreiro: Práticas de ensino-aprendizagem no cotidiano do Terreiro Recanto de Preta Mina, de Correnteza Braba (AM), A pretagogia teatral: Um mar de possibilidades na trans-formação de sujeitos-cidadãos, de Jhamila Carolina (GO) e Teatro do Oprimido e Cultura de paz na Cidade do Povo, de Valdelei Oliveira da Silva (AC).

A última rodada acontece neste dia, às 14h, com a apresentação de projetos reunidos sob a temática Teatralidades para as infâncias e nas escolas. Esta, mediada por Natália Souza, coordenadora do Núcleo de Curadorias e Programação Artística do Itaú Cultural, conta com os trabalhos Teatro(s) e infância(s): possibilidades de transgressão para o ensino de teatro com crianças, de Giovana Armelin (PR), “Chão-nhecer-me”: reflexões artístico-pedagógicas na criação do espetáculo terra chão, de Isabela de Oliveira (GO), Ensino do teatro e polivalência: formação e atuação de educadores(as) em territórios goianos, de Júlia Pereira (GO), Grupo de teatro jean valjean: recordando memórias de um fazer teatral escolar, de Laenisson dos Santos (SE), e Minha vó também era mestra: costurando memórias na educação de jovens e adultos, de Mireille Christine (SP) 

SERVIÇO

a_ponte: cena do teatro universitário 2026

De 3 a 8 de fevereiro (terça-feira a domingo)

No Itaú Cultural e na Casa Farofa

Toda a programação tem acessibilidade em Libras.

Itaú Cultural

(Avenida Paulista, 149, próximo à estação Brigadeiro do metrô)

Entrada gratuita.

Para as programações na Sala Itaú Cultural e na Sala Vermelha: reservas a partir da terça-feira da semana da apresentação, a partir das 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br    

Para as programações no Espaço Multiúso: distribuição de ingressos 1h antes do evento, por ordem de chegada.

 

Casa Farofa

(Rua Treze de Maio, 240 - Bela Vista)

Entrada gratuita. Reserva de ingressos pelo SYMPLA do Casa Farofa.

 

PROTOCOLOS NO ITAÚ CULTURAL:

- É necessário apresentar o QR Code do ingresso na entrada da atividade até 10 minutos antes do seu início.Após esse período, o ingresso será invalidado e disponibilizado na bilheteria.

  


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