Projeto “Ritos e Rituais de Matriz Afro-Indígena” realiza atividades em Olinda/PE

Babalorixá Brivaldo Pereira e Yalori Jaci Lima de Ogunyfá

A ação promove atividades culturais em terreiros do estado e propõe reflexão sobre ancestralidade, fé e diversidade religiosa

Neste sábado, 11 e também no domingo 12 de outubro, os povos dos terreiros de matriz afro-indígena de Pernambuco são protagonistas nas ações voltadas para a valorização de suas tradições.

No fim de semana  acontece o projeto “Ritos e Rituais de Matriz Afro-Indígena: Conhecer para Preservar”, iniciativa que propõe um mergulho nas tradições e saberes de terreiros de matriz afro-indígena em Pernambuco. Com incentivo do Funcultura/Governo do Estado, o evento promove atividades artísticas, culturais e reflexivas em espaços sagrados distribuídos pelas quatro macrorregiões do Estado, encerrando sua programação no Quilombo dos Temóteos, em São Benedito do Sul.

A abertura acontece neste sábado, dia 11 de outubro, às 16h, no Terreiro Quinta da Boa Reza, em Olinda, com o painel “Pernambuco do Sagrado: Jurema e Ancestralidade”, ministrado pela Yalori Jaci Lima de Ogunyfá. No dia seguinte, o Terreiro Ilê Iya Omi Axé Ogodô, também em Olinda, sedia a palestra “Comida de Santo: Pratos oferecidos aos Orixás”, com o Babalorixá Pai Brivaldo.

De acordo com o proponente e produtor executivo Marcelo Nascimento, o projeto busca dar visibilidade à religiosidade de matriz afro-indígena e fortalecer o papel dos terreiros como espaços de cultura, fé e acolhimento. “O foco são os temas do sagrado, promovendo a valorização da fé e da memória desses espaços, que também exercem funções sociais de educação, saúde e inclusão comunitária”, destaca Marcelo.

História e missão dos terreiros

O Terreiro Quinta da Boa Reza teve inicialmente o nome (Digina) de Jurema Flor do Juremá e, após alguns anos de tombamento, passou a se chamar Quinta da Boa Reza. Seus padrinhos são os Pretos Velhos e as Almas, herança da ancestralidade dos avós de sua fundadora, Jacineide Lima, hoje Yalori Jaci Lima de Ogunyfá, iniciada na Jurema Sagrada em 1996. A pedra fundamental da casa foi plantada em 2011, conduzida pelo jogo de búzios e apresentada à Mestra Nalva Maria de Aguiar pelas mãos do Babalorixá Edilson Caetano, consolidando uma previsão do Pai Xangô. Desde então, a casa funciona como escola para todos que buscam atendimento, ensinando o significado de acender uma vela e promovendo a prática do livre arbítrio.

O Terreiro Ilê Iya Omi Axé Ogodô, sob a liderança do Babalorixá Brivaldo Pereira Costa, cultua sua fé tanto como Terreiro de Candomblé quanto de Jurema. A casa apresenta uma realidade sociocultural rica e diversa, envolvendo língua, etnia, gastronomia, saúde e tradições populares. Suas práticas incluem o cultivo de hortas e o preparo de ervas medicinais e xaropes, além de atividades culturais e educativas para crianças e adolescentes, como aulas de teatro, frevo, capoeira e reforço escolar.

Serviço:
11 de outubro (sábado), às 16h
Local: Terreiro Quinta da Boa Reza
Endereço: Rua Darcy de Melo, nº 82 – Caixa D’Água, Olinda/PE
Atividade: Painel “Pernambuco do Sagrado: Jurema e Ancestralidade”
Painel com Yalori Jaci Lima de Ogunyfá

12 de outubro (domingo), às 16h
Local: Terreiro Ilê Iya Omi Axé Ogodô
Endereço: Rua São João, nº 23 – Cidade Tabajara, Olinda/PE
Atividade: Palestra “Comida de Santo: Pratos oferecidos aos Orixás”
Palestrante: Babalorixá Pai Brivaldo

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