Oficinas em artes cênicas oferecem vivência como desenvolvimento humano

Friccionar a vida com a cena. Este é o ponto de partida da oficina Da vida para a cena, para atores e não atores, que acontece neste sábado (28), das 9h às 17h, no Espaço 173, bairro da Boa Vista. “Minha intenção é justamente tornar essa linha entre o artístico e o humano ainda mais aquosa e sem tantas fronteiras e divisões”, diz a criadora e facilitadora do processo, a atriz Jhanaina Gomes. A formação faz parte dos encerramentos das Oficinas de Verão oferecidas pela produtora Luz Criativa durante o mês de janeiro e que finaliza com a oficina ÌYÉMOJÁ: por uma escrita-água, ofertada pelo ator e dramaturgo Marconi Bispo nos dias 2 e 3 de fevereiro, das 18h às 21h.


A partir do conhecimento das artes cênicas, as vivências também tocam o aprimoramento da própria jornada de vida. “Nosso encontro vai se desenvolver em uma perspectiva de trabalho de criação que tem como inspiração um conteúdo da própria linha do tempo do artista ou de sua ancestralidade. O desenvolvimento artístico retroalimenta e traz inclusive possíveis respostas e caminhos para o desenvolvimento humano e vice-versa. O ato de friccionar a vida com a cena faz com que nós possamos ter uma maior inteireza, integridade e nitidez sobre nós mesmos e sobre os trabalhos que queremos colocar no mundo”, detalha Jhanaina. Para esta oficina, podem participar pessoas com ou sem experiências artísticas, com faixa etária a partir dos 18 anos em diante. 




No caso da oficina oferecida por Marconi Bispo, os caminhos de crescimento pessoal fluem a partir do processo de escrita. “Tem uma coisa muito importante pra mim quando propus esse curso que é como as pessoas foram bloqueadas para escrever. Isto é fruto de um projeto colonial de educação baseado numa noção de língua eurocêntrica que não leva em consideração os arranjos de produção de escrita e fala dos povos originários e, no meu caso mais especificamente, do povo preto. As pessoas têm muito o que dizer mas não conseguem escrever porque foram bloqueadas por esse projeto colonial branco horroroso, que vai dotando a gente de muita regra, mas pouca capacidade de simplesmente escrever e registrar. Isso é o mais importante. A possibilidade de deixar jorrar como água aquilo que você quer dizer, primeiro como sentimento, como emoção, e depois como texto escrito. Ìyémonjá é uma divindade super importante pra isso”, diz Marconi que é sacerdote iniciado e destaca que o dia 2 de fevereiro é o dia desta divindade. Para este curso, podem participar pessoas a partir dos 13 anos em diante.


Os interessados podem se inscrever pelo email oficinas.luzcriativa@gmail.com . Devem levar caderno, caneta e ir com roupas leves.


SOBRE OS FACILITADORES


JHANAÍNA GOMES: É mãe de Lótus, atriz, bailarina, performer, produtora, arte educadora e terapeuta Ayurveda. Mestra em Artes cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Formada em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Especialista em dança educacional pela CENSUPEG.

 

MARCONI BISPO: Possui graduação pela Universidade Federal de Pernambuco no Curso de Licenciatura em Educação Artística/habilitação em Artes Cênicas (1999). Em junho de 2022 completou 27 anos de atividades profissionais nas artes da cena. Tem pesquisado Relações Raciais em Pernambuco — do século XVI aos nossos dias —, com profundo interesse pela construção de identidades de gênero dentro das religiões de matriz africana e indígena, da qual é um Sacerdote iniciado para Ìyémọjá e Ọbàlùfọ̀n (desde 2004). Tem também ramificações na Jurema Sagrada.


SERVIÇO


Da vida para a cena

com Jhanaína Gomes

Sábado (28/01), das 9h às 17h

Valores: R$ 150 (justo) | R$ 120 (social)

Presencial


ÌYÉMỌJÁ: por uma escrita-água - Um curso para escrever fluido

com Marconi Bispo

Quarta e quinta (02 e 03/02), das 18h às 21h

Valores: R$ 150 (justo) | R$ 120 (social)

Presencial e online

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