Encontro cultural entre contador de histórias africano e comunidades quilombolas do Sertão do Pajeú ganha curta-metragem
![]() |
| Casa de Farinha quilombo / Foto de Paula Vanina |
Filme “Do Burkina Faso a Terras Quilombolas: um
encontro pela oralidade” estreia no próximo domingo, dia 29 de agosto
Um
intercâmbio de imersão cultural carregado de identificação e vivências
compartilhadas, unindo as tradições orais da África Ocidental e do Sertão
pernambucano. Essa é a experiência retratada pelo filme "Do Burkina Faso a
Terras Quilombolas: um encontro pela oralidade", que tem estreia marcada
para o próximo domingo, dia 29 de agosto, às 16h, no canal de YouTube de Laura
Tamiana, uma das idealizadoras do projeto.
O filme coroa a realização do projeto de mesmo
nome, "Do Burkina Faso a Terras
Quilombolas: um encontro pela oralidade", que, no início de 2020, proporcionou o encontro entre o
contador de histórias e ator François Moïse Bamba, vindo do Burkina Faso, país da África Ocidental, e as comunidades quilombolas Abelha,
Travessão do Caroá, Gameleira e Brejo de Dentro, do município de Carnaíba, no
Pajeú. Durante oito dias, Bamba e uma pequena equipe residiram na
comunidade de Abelha, com um programa que
incluía atividades e momentos cotidianos, espaços para o artista e os moradores
das quatro comunidades partilharam mutuamente suas heranças e
vivências na tradição oral. Foram intensos
momentos de partilha, que agora, sob um registro poético, serão compartilhados
com um púbico mais vasto, no formato de filme.
O
projeto, que tem o incentivo do Funcultura - Governo do Estado de Pernambuco,
foi concebido e realizado pelas artistas e produtoras Laura Tamiana e Karuna de
Paula, residentes em Recife, em parceria com Edna Andrade, liderança
quilombola, e a Comissão Quilombola do Caroá. A artista Paula Vanina foi
convidada pelas idealizadoras para vivenciar a imersão, fazendo o registro
audiovisual. Vanina assina as imagens, roteiro e edição do filme.
A
relação entre François Bamba e a arte de contar histórias vem da infância.
“Desde pequeno, tive a sorte de ter meu pai que contava histórias. Pouco a
pouco, um grupo de crianças contadoras se constituiu, tentando imitar as
histórias do meu pai. Indo coletar os contos, eu descobri um outro valor da
vida, um outro valor do humano, que começa a desaparecer nas grandes cidades”,
comenta o ator. “Então, assim que eu soube que viria encontrar comunidades, foi
um grande prazer para mim, porque significava, imediatamente, poder conhecer
mais e também compartilhar as palavras de onde eu venho, além de encontrar as
palavras daqui, desta comunidade”, completa.
A
programação da imersão retratada nas telas se deu da seguinte maneira: pelas
manhãs, moradores das quatro comunidades – do veterano Seu Sebastião Gonçalo da
Silva, mestre do Coco e uma das lideranças do quilombo Abelha, à jovem Maísa, de 11 anos – se reuniam
no quilombo Abelha, para ouvir e trocar sobre as partilhas de Bamba em torno da
cultura oral de sua região no continente africano, na oficina “A oralidade como
base da educação”. Depois da refeição do almoço, sempre compartilhada, as
tardes foram marcadas por visitas organizadas pelos integrantes da Comissão
Quilombola do Caroá, levando Bamba e a equipe ao encontro de detentoras e
detentores de saberes locais, como o benzedeiro Manoel Benedito e o mestre
Dezinho do Pífano, além de locais como a Casa de Farinha e a Pedra do Giz.
O
filme será exibido com legendas em francês, possibilitando também o acesso aos
conterrâneos de Bamba. Na sequência do lançamento do filme, a equipe convidará
o púbico para um bate-papo em torno do projeto e do filme.
Segunda
etapa – O intercâmbio cultural com
comunidades do Sertão do Pajeú terá continuidade, através do projeto “Do
Burkina Faso a Terras Quilombolas: a voz das histórias”, aprovado em novo
edital do Funcultura. Após a descoberta mútua que a etapa “um encontro pela
oralidade” proporcionou, a etapa “a voz das histórias” tem enfoque no
repertório de histórias das comunidades locais e no exercício da arte de
contá-las, através da mediação de François Moïse Bamba e seus mais de 20 anos
de experiência como contador. Juntos, o artista e um grupo de jovens e de
lideranças das comunidades irão num primeiro momento trabalhar a prática de
coletar histórias: como coletar, junto a quem, que procedimentos estão envolvidos
nesse registro; indo ao encontro dos mais velhos e das mais velhas das
comunidades. Em um segundo momento, Bamba vai trabalhar com esse grupo a arte
de narrar as histórias coletadas.
Ao
final do encontro será realizado um grande momento de contação, aberto a toda a
comunidade. A proposta é por um lado valorizar e reativar essa prática da
narração em contextos familiares e comunitários, que permitem a transmissão dos
saberes e fazeres locais. E por outro, munir os jovens e a Comissão Quilombola
da arte da narração, pelo viés da prática oral africana, uma ferramenta potente
na luta pelo seu reconhecimento. A realização dessa nova etapa está prevista
para o primeiro semestre de 2022, com a data a confirmar de acordo com a
situação da crise sanitária. O projeto não pretende parar por aí. O passo
seguinte será buscar caminhos para viabilizar a ida de integrantes das
comunidades para participarem do FIPI – Festival Internacional dos Patrimônios
Imateriais, organizado por Bamba anualmente em seu país. “Eu ouvi algumas
pessoas falando que conhecer a África é conhecer a história delas que foi
negada. E história é memória. E memória é poder”, afirma Karuna de Paula,
co-idealizadora do projeto.
Serviço:
Estreia
do filme "Do Burkina Faso
à Terras Quilombolas: um encontro pela oralidade"
Local: youtube.com/lauratamiana
Data:
29 de agosto, às 16h no Brasil e às 19h no Burkina Faso.
Realização: Terreiro Produções e Equinócio
Produções com a parceria da Comissão Quilombola do Caroá, da Cia Les
Murmures de la Forge e de Ba-kô Burkina Brasil.
Apoio: Prefeitura Municipal de Carnaíba.
Apoio
para o lançamento: Dupla Comunicação.
Incentivo: Funcultura - Governo do Estado de Pernambuco.

Comentários
Postar um comentário